Na pele: casos de racismo abrem discussão para avaliar a questão no Brasil

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Adriel Arvolea

“O racismo está camuflado na sociedade.” -Kizie de Paula Aguiar (foto arquivo JC Magazine)
“O racismo está camuflado na sociedade.” -Kizie de Paula Aguiar (foto arquivo JC Magazine)

Kizie de Paula Aguiar não foge às raízes. No resgate de suas origens e entendimento da formação do povo brasileiro, manifesta sua postura como mulher negra no enfrentamento do racismo. A jovem, assessora de Integração Racial da Diretoria de Políticas Especiais, já foi vítima de injúria racial. O racismo velado na sociedade é percebido desde a sua adolescência. Seja no comércio, no mercado de trabalho ou nas relações interpessoais, o problema, ainda, se faz presente.

“Sofri preconceito nas mais diferentes situações. Isso se estabelece até nos dias de hoje. Quanto mais conhecimento se tem da própria identidade, mais se percebe, nas entrelinhas, como o racismo opera”, comenta Kizie.

Conforme avalia, as pessoas pregam ‘aqui (Brasil) somos todos iguais’, porém é uma falsa democracia racial. “As pessoas não se dizem racistas e, por isso, encerram qualquer discussão e debate sobre o assunto. Elas não querem discutir a situação. É preciso educação para mudar esta realidade e reconhecer, sim, que há preconceito racial. Acima disso, resgatar nossas origens como povo brasileiro”, reforça.

Outro ponto destacado pela assessora é que toda discriminação gera violência, sendo preciso evitar que as pessoas sejam violentadas pela questão do racismo. Leis para isso existem, mas é necessário comprometimento com a causa. “Leis têm, o que precisa é cumpri-las de maneira integral. Temos que avançar em termos de ações e mudar os mecanismos no cumprimento da legislação”, conclui.

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