Hoje, 7 de abril, comemora-se o Dia do Jornalista. Com tanto obscurantismo, ataque à imprensa e aos jornalistas, não há o que comemorar. Este é o momento de reagir, de resistir ao avanço de ideias retrógradas e ofensivas aos jornalistas e à liberdade de imprensa.

Ontem mesmo, dia em que o Brasil bateu mais um recorde no número de mortos pela Covid-19, chegando à marca trágica de 4.211 mortos, o presidente Bolsonaro ignorou a gravidade da situação e afirmou: que “resolve o problema do vírus em poucos minutos”. E foi ao ataque contra a imprensa: “É só pagar o que os governos pagavam para a Globo, Folha, Estado de São Paulo… Esse dinheiro não é para a imprensa, esse dinheiro é para outras coisas”. E prosseguiu: “Eu cancelei todas as assinaturas de revistas e jornais do governo federal. Acabou. Já entramos no segundo ano sem nada. A gente não pode começar o dia envenenado”.

O comportamento irascível do presidente em relação à imprensa e a jornalistas não muda e demonstra o seu desprezo por análises de articulistas que apontam os gravíssimos erros do presidente na condução da crise e da tragédia que se abate sobre o País nesse mais de um ano de pandemia.

Se ele afirma que o fato de não gastar com anúncios e assinaturas propicia a ele acabar com a pandemia em poucos minutos, por que não fez isso há um ano, ou pelo menos há alguns meses?
Muito pelo contrário, ele se colocou contra o lockdown e a favor de um tratamento precoce, o tal  kit Covid, comprovadamente ineficaz por cientistas sérios, e que, segundo eles, causa graves efeitos colaterais.

O objetivo de Bolsonaro é mais do que claro: apoiar e alimentar uma imprensa servil, não crítica, que ignore a sua maneira de agir e de (des) governar o País.

De pai para filho
Está viralizando nas redes sociais um vídeo em que aparece o Zero 4, Jair Renan, cuspindo no rosto da sua mãe. Esse comportamento agressivo, que faria parte de um desafio, tem muito a ver com a maneira agressiva e hostil com que o seu pai conduz o seu (des) governo.  Enquanto ela lhe dava uns tapinhas, ele ria comemorando o feito.

Encarar essa cuspida como uma brincadeirinha inocente, coisa de criança, significa reduzir todas as ações e falas do presidente e dos outros filhos, como quando Eduardo afirmou que para fechar o Supremo bastavam um cabo e um soldado a pé, como brincadeiras inocentes.

Enquanto eles brincam de criticar a imprensa e o STF, a fome de quase metade da população só aumenta. E não cresce mais devido à solidariedade daqueles que levam essa tragédia a sério, usam máscara, e não estão para brincadeira.

O colaborador é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação.

[email protected]

Mais em Toque Rápido:

Jaime Leitão: O tigre branco

Quase ficção

A CPI necessária