Café Vilhena foi um dos grandes marcos em RC

198

Favari Filho

Com decoração temática, bar imitava os pubs ingleses com diversas referências culturais
Com decoração temática, bar imitava os pubs ingleses com diversas referências culturais

O ano era 1996, Bill Clinton e Boris Iéltsin tinham sido reeleitos presidentes dos EUA e Rússia, respectivamente. Nelson Mandela assinava a nova Constituição que terminava com o apartheid na África do Sul. Cid Moreira e Sérgio Chapelin deixavam o Jornal Nacional, a banda Skank lançava o terceiro álbum e Slash anunciava a saída do Guns N’ Roses. Em 1996 também foram fundadas as bandas Coldplay, Linkin Park e Nightwish. A Legião Urbana, por sua vez, encerrava as atividades devido à morte de Renato Russo e, em Rio Claro, nascia o Café Vilhena.

A casa noturna que desde a fundação entrou para o rol de bares inesquecíveis da Cidade Azul deixou órfã toda uma geração. Dois de cada três rio-clarenses tem uma boa história para contar que envolve o local, que nasceu com a finalidade de ser apenas lanchonete, conforme revela o proprietário e idealizador Lúcio Guardia Borghiéri, que deixou o ramo em 2012. “A reforma do prédio dos Correios da Avenida 2 duraria o período de aproximadamente um ano. Com isso, vislumbrei a possibilidade de abrir uma lanchonete para atender aquele público”.

Quanto ao nome escolhido para o bar, Lúcio relata que foi em homenagem à cidade que morou no estado de Rondônia com aproximadamente 90 mil habitantes. Com o tempo e a influência tanto dos cafés franceses quanto dos pubs britânicos, a ideia foi amadurecendo e a casa noturna com música ao vivo e de qualidade foi, aos poucos, virando realidade. Uma mistura dessa magnitude não podia ter outro resultado que não o sucesso. Logo, as bandas começaram a alegrar as noites da cidade. “Sempre escolhi os grupos a dedo e como não tinha experiência anterior no ramo de casa noturna, a ajuda de amigos músicos foi fundamental, aliás, só para constar, Rio Claro é a terra dos músicos”, constata.

Além de artistas e bandas da cidade e região, grandes e inesquecíveis apresentações aconteceram no palco do Vilhena, com nomes consagrados da música nacional como o bluesman Nuno Mindelis e o ex-guitarrista do RPM, Fernando Deluqui. Ao longo de quatorze anos, três vezes por semana, impreterivelmente, o Vilhena esteve lá na esquina da Rua 1 com a Avenida 7, sempre com música ao vivo e muitas lembranças ficaram não somente na mente dos frequentadores, mas na de Lúcio, que recorda com satisfação a trajetória. “Muita coisa aconteceu, bandas de diferentes estilos, peças de teatro, apresentações de dança, gravações de clips e filmes. O Café Vilhena deixou boas lembranças e ótimas e sinceras amizades”.

Vale lembrar que o bar que foi (e sempre será) uma referência também é o pioneiro no conceito de casas noturnas com comidas especiais e bebidas diferenciadas, além do chope importado relativamente mais caro, mas que atendia as expectativas dos apreciadores. Desde o cardápio até a arte publicitária, passando pela pintura do local e pela decoração, tudo remete a uma fotografia antiga em branco e preto, na qual o que ficou foram os laços invisíveis que havia.

O Vilhena será sempre um sucesso e o segredo o proprietário acredita que seja devido “a técnica de lidar com público, pois sempre me pautei na ética, ou seja, atender bem sempre, independente da classe ou posição social”. Lúcio não descarta a possibilidade de reabrir o Café Vilhena, porém deixa claro que existem algumas condições. “Passei momentos agradáveis no Café Vilhena e não descarto possibilidade de reabrir, mas somente em prédio próprio”, finaliza. Para todos nós, apreciadores do bar, ficam os versos do cancioneiro: “Vou colecionar mais um soneto, outro retrato em branco e preto a maltratar meu coração”.

Qual sua opinião? Deixe um comentário: