VÍDEO – Cardiopatia congênita: cuidados com o coração começam na gestação

O Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita foi lembrado na sexta-feira (12). A data foi instituída para reforçar a importância do diagnóstico precoce e os desafios do acesso integral à saúde aos portadores da doença, que ocorre devido a uma alteração da estrutura cardíaca durante o desenvolvimento embrionário.

Liminar do STF diz que militares não podem intervir em outros poderes

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), emitiu decisão na sexta-feira (12) esclarecendo que o Artigo 142 da Constituição Federal não autoriza a intervenção das Forças Armadas sobre o Legislativo, o Judiciário ou o Executivo.

Após a decisão, por meio das redes sociais, em nota assinada pelo presidente Jair Bolsonaro, pelo vice-presidente Hamilton Mourão e pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo, os representantes do governo federal afirmaram que “as FFAA [Forças Armadas] do Brasil não cumprem ordens absurdas, como p. ex. a tomada de Poder”.

Fux deu uma decisão liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade 6457, proposta pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) em junho deste ano, sobre a Lei Complementar 97 de 1999, que regulamentou o Artigo 142 da Constituição, relacionado à atuação das Forças Armadas. Ela foi alterada em 2004 e 2010.

O dispositivo afirma que as Forças Armadas são “instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.

O PDT questionou o uso da “autoridade suprema” pelo Presidente da República para utilizar as forças militares sobre outros poderes e pediu ao STF a interpretação sobre o dispositivo constitucional. Segundo o ministro Luiz Fux, as Forças Armadas são instituições de Estado, e não de governo, “indiferentes às disputas que normalmente se desenvolvem no processo político”.

De acordo com o magistrado, a autoridade suprema do presidente sobre as Forças Armadas não se sobrepõe ao respeito à ordem constitucional nem “à separação e à harmonia entre os Poderes, cujo funcionamento livre e independente fundamenta a democracia constitucional, no âmbito da qual nenhuma autoridade está acima das demais ou fora do alcance da Constituição”.

“Impõe-se, assim, reconhecer que, em um Estado Democrático de Direito, nenhum agente estatal, inclusive o Presidente da República, dispõe de poderes extra constitucionais ou anticonstitucionais, ainda que em momentos de crise, qualquer que seja a sua natureza. A Constituição bem tratou de definir os limites rígidos de atuação dos poderes estatais, seja em períodos de normalidade institucional, seja em períodos extraordinários. Destarte, todo e qualquer exercício de poder político deve encontrar validade na Constituição e nela se justificar”, acrescentou Fux.

Redes sociais

Após a decisão do ministro Fux, o presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para falar sobre o tema em nota assinada em conjunto com o vice-presidente, Hamilton Mourão e o ministro da Defesa, Fernando Azevedo.

No texto, eles destacam que as Forças Armadas “destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.

E afirmam ainda que “[As Forças Armadas] também não aceitam tentativas de tomada de Poder por outro Poder da República, ao arrepio das Leis, ou por conta de julgamentos políticos”.

Os três mandatários terminam declarando que o ministro Luiz Fux reconheceu em sua decisão “o papel e história das FFAA sempre ao lado da Democracia e da Liberdade”.

Atos semanais

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, em atos semanais pró-governo, vêm exibindo cartazes pedindo a intervenção das forças militares e o fechamento do Congresso e do STF.

Em diferentes ocasiões, o presidente participou desses atos, mas em entrevistas negou o risco de um golpe militar.

SP e Airbnb fecham parceria para alavancar turismo paulista pós-pandemia

O Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Turismo do Estado, e o Airbnb, maior empresa global de compartilhamento de lares e experiências em viagens, fecharam um acordo para alavancar a retomada do setor de turismo pós-pandemia. O estado é o primeiro parceiro da empresa na América Latina em uma iniciativa global, ao lado de regiões dos Estados Unidos, França, Dinamarca, África do Sul e Coreia do Sul.

A parceria prevê colaboração em áreas como inteligência de mercado, para o compartilhamento de informações relacionadas ao turismo no estado, e ações para promover destinos do estado por meios digitais.

“O Airbnb está comprometido em dotar São Paulo de produtos de hospedagem seguros e com soluções inovadoras. É importante que o produto turístico paulista esteja disponível da forma mais ampla e variada possível”, disse Vinicius Lummertz, Secretário de Turismo do Estado de São Paulo.

Segundo o Airbnb, São Paulo é um dos principais mercados da empresa no país e, em um contexto em que viagens domésticas, especialmente as feitas de carro, serão a tendência inicial na retomada, a plataforma vai contribuir muito para apresentar, inclusive aos paulistas, novas opções dentro do estado.

“Oferecemos a possibilidade de um turismo autêntico e conectado às comunidades, que valoriza a cultura local e movimenta a economia das cidades. Esse aspecto ganha ainda mais relevância no contexto de recuperação pós-pandemia”, diz Flávia Matos, diretora de relações institucionais e governamentais do Airbnb para a América Latina. Em 2019, o Airbnb gerou um impacto econômico direto de R$ 10,5 bilhões no Brasil considerando toda a cadeia que envolve o turismo, como comércio e restaurantes locais, não apenas a hospedagem.

Protocolos de higienização

O Estado de São Paulo estabeleceu novos protocolos de higienização de estabelecimentos ligados ao turismo para a retomada das viagens.

Em abril, o Airbnb já havia anunciado seu Programa Avançado de Limpeza, que é global e inclui o primeiro protocolo padronizado e abrangente de higienização no setor de compartilhamento de acomodações. Esse protocolo foi desenvolvido com orientação de autoridades sanitárias internacionais, como o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), dos Estados Unidos, e de especialistas em hospitalidade e higiene médica.

A parceria com o governo paulista contempla ainda debates online periódicos com líderes da indústria de turismo sobre tendências de viagem pós-pandemia, sustentabilidade e inovação no setor.

O turismo movimentou R$ 240,9 bilhões no Brasil em 2019, segundo dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo). Só o Estado de São Paulo representou R$ 96,9 bilhões, ou 40,2% de todo o faturamento das empresas do setor no país.

Secretaria de Turismo

A Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo tem a missão de promover o turismo como atividade econômica de forma estratégica, contribuindo para a geração de emprego, renda e desenvolvimento em todo o Estado. Cabe à instituição planejar, implantar e acompanhar as políticas públicas para o setor, além de formular diretrizes para ações e programas, inclusive mediante a execução de obras nos municípios paulistas. Fazem parte, ainda, da estrutura da Secretaria o Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos (Dadetur), o Conselho Estadual de Turismo e o Conselho do Turismo Regional.

Sobre o Airbnb

O Airbnb é uma das maiores plataformas do mundo para estadias e atividades únicas e autênticas, oferecendo mais de 7 milhões de anúncios de acomodações e 40 mil experiências desenvolvidas por anfitriões locais. A empresa registra mais de 500 milhões de chegadas de hóspedes globalmente desde a sua fundação. A plataforma é acessível em 62 idiomas em 220 países e regiões.

Confira o calendário para sacar o FGTS

(FOLHAPRESS) – Confira o calendário do resgate emergencial de R$ 1.045 do FGTS por trabalhador divulgado neste sábado (13) pela Caixa Econômica. O crédito em conta digital será realizado a partir do dia 29 de junho (segunda-feira) a todos os trabalhadores com saldo em conta ativa (emprego atual) ou inativa (empregos anteriores). Diferentemente do saque-imediato, não será possível resgatar mais do que R$ 1.045 do Fundo de Garantia.

A partir do dia 15 de junho (segunda-feira), será possível consultar, no site www.fgts.caixa.gov.br ou pelo Disque 111, o valor do saque emergencial e ver a data em que o valor será creditado na poupança social digital.
Segundo o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, após o crédito dos valores, será possível, pelo aplicativo Caixa Tem, pagar boletos de luz, água, gás e outros em geral, emitidos por qualquer banco. “Apenas a partir da data do saque será possível fazer transferências. O objetivo é evitar aglomerações.”

O trabalhador, a partir do dia 19, também terá a opção de consultar, via aplicativo FGTS ou pelo internet banking da Caixa, o valor e a data do crédito. Quem não quiser fazer o saque emergencial também poderá informar ou solicitar a devolução após o crédito automático. Caso não haja movimentação na conta-poupança social digital até 30 de novembro, o valor será devolvido à conta FGTS com a correção monetária. Se após esse prazo o trabalhador decidir fazer esse saque, poderá solicitar pelo aplicativo.

Prefeito de São Paulo, Bruno Covas, testa positivo para Covid-19

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, testou positivo para o novo coronavírus neste sábado (13). Ele realizou teste preventivo de rotina e, de acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura, o prefeito passa bem e não apresenta sintomas.

“Ele passa bem, não apresenta sintomas e recebeu recomendação de seu médico, David Uip, para permanecer trabalhando em casa e em observação pelos próximos dias”. O médico de Covas, David Uip, também teve coronavírus, diagnosticado no mês de março, e já está curado.

Covas pertence ao grupo de risco, pois está em tratamento de imunoterapia contra um câncer na região dos gânglios linfáticos. Em outubro do ano passado, ele foi diagnosticado com adenocarcinoma, um tipo de câncer na região de transição do esôfago para o estômago, além de uma metástase no fígado e uma lesão nos linfonodos. Após o diagnóstico, ele iniciou um tratamento de quatro meses de quimioterapia.

Rio Claro registra 39 casos de Covid em 24h; recuperados chegam a 84 pessoas

A Secretaria de Saúde de Rio Claro divulgou na tarde de sábado (13) boletim em que são confirmados 39 novos casos de coronavírus na cidade. Com isso, município chega a 348 casos positivos. Dos novos casos, dois estão hospitalizados. O total de pacientes internados é 46, sendo 14 em UTI.  O município tem 20 óbitos por coronavírus confirmados e um em investigação. O número de pacientes recuperados subiu para 84.

Tiago Iorc responde polêmica envolvendo dupla Anavitoria

 (FOLHAPRESS) – Na noite desta sexta-feira (12), a dupla Anavitória participou de um pequeno festival de lives em celebração ao Dia dos Namorados, que também contou com Nando Reis e Duda Beat na programação.

Mas o que chamou a atenção dos fãs foi o desabafo feito por Vitória Fernandes Falcão ao introduzir a canção “Trevo (Tu)”, que integrou o primeiro álbum da dupla, lançado em 2016. Sem citar o nome de Tiago Iorc, co-autor da faixa que, segundo ela, “abriu muitas portas e foi muito especial”, a cantora disse que o compositor as estaria impedindo de regravá-la para um projeto que o duo está para lançar.

“A música que a gente vai cantar agora é uma música muito especial na nossa carreira, muito forte no meu coração. Eu escrevi ela em 2015 e convidei um amigo para escrever comigo. Esse amigo me deu um refrão lindo, que a gente ama muito e vocês conhecem bem”, disse. “Essa semana, a gente recebeu uma notícia um pouco estranha e um pouco triste também, que esse outro autor da música está impedindo a gente de regravar a nossa música”, afirmou, defendendo que, em seu entendimento, a partir do momento em que a arte chega às pessoas, ela não é mais dela, mas sim do mundo.

“Me dói muito isso acontecer. Eu espero que os caminhos dessa música nunca sejam interrompidos. E eu espero que essa pessoa receba essa mensagem porque é com todo o meu coração e todo o meu amor”, finalizou.

Tiago Iorc recebeu a indireta e, no dia seguinte (13), publicou um comunicado em vídeo no seu Instagram em resposta à manifestação da dupla. O cantor começou brincando que estava sendo cancelado em pleno sábado, mas logo mudou o tom da fala. Deixando claro que se sente extremamente desconfortável em se manifestar publicamente sobre um assunto que ele considera que deveria ser privado, Tiago afirmou que entende o sentimento das meninas e que provavelmente se sentiria da mesma forma se não soubesse o que está acontecendo por trás disso tudo.

“Fica evidente que, nessa sua atitude impensada de tornar isso público, você realmente, da missa, não sabe a metade”, disse, afirmando que Felipe Simas estaria tentando atrapalhar sua carreira. “O escritório que gerencia a carreira de vocês, que é o escritório com o qual eu trabalhava, não trabalho mais, vem repetidamente sabotando o meu trabalho, agindo de má-fé para me prejudicar realmente, causando danos inclusive financeiros”, explicou.

No início de junho, Iorc anunciou que, após encerrar a parceria com o empresário Felipe Simas, com quem trabalhava desde 2010, havia criado seu próprio escritório para cuidar de todos os assuntos relacionados a sua carreira. Assim, também deixou de produzir os discos do duo, que segue sendo agenciado por Simas.

No início da carreira da dupla, o empresário convidou o cantor e compositor para cuidar da produção musical delas. “Essa parceria [do cantor com a dupla] se encerrou em 2019, de forma consensual, considerando discordâncias profissionais entre as partes”, diz a nota oficial enviada pelo empresário à reportagem na ocasião.

Ao fim do vídeo, Tiago disse que entendia a dor das meninas de querer que a música vá para o mundo, mas que achava um pouco contraditório, “porque, de fato, a música é para as pessoas, mas a lei do direito autoral existe justamente para proteger os autores”. Quanto à liberação da música, o cantor disse que elas poderiam ficar tranquilas. “Eu não tenho o intuito de prejudicar vocês nem a música, eu só estou revendo o meu direito, e muita coisa precisa ser esclarecida em relação ao escritório de vocês antes que isso possa existir. Eu tenho certeza que vai existir no momento adequado, que as coisas vão ficar entendidas frente à realidade de tudo que está acontecendo e respeitando o direito de todo mundo”, encerrou.
Até o momento, Felipe Simas e Anavitória não se manifestaram sobre as acusações de Tiago Iorc.

Sonhos podem revelar como está o processo de adaptação ao ‘novo normal’

Karina Toledo | Agência FAPESP – E, de repente, foi preciso evitar beijos, abraços e até um fraterno aperto de mão. Usar máscara para sair de casa, tirar os sapatos quando voltar, higienizar tudo com álcool em gel. Dedicar mais tempo aos filhos, ficar longe dos amigos e dos colegas de trabalho. O quarto virou escritório; a sala, academia; e o velho tapete azul trazendo lembranças do mar.

Neste cenário de isolamento imposto pela COVID-19, o cérebro recorre aos sonhos para metabolizar as emoções intensas vivenciadas durante o dia e assimilar eventuais experiências que possam favorecer a sobrevivência, em uma estratégia de adaptação ao “novo normal”.

“Segundo alguns teóricos, a realidade onírica é como uma super-realidade virtual que nos permite, em um contexto de medo profundo, treinar e melhorar a performance em aspectos cruciais do cotidiano”, explica à Agência FAPESP a neurocientista Natalia Mota, pós-doutoranda no Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Partindo dessa premissa, a pesquisadora analisou relatos de sonhos de um grupo de voluntários com o objetivo de investigar como estavam sendo afetados pela pandemia e pelo isolamento social. Os resultados do estudo – divulgados na plataforma medRxiv, ainda em versão preprint (sem revisão por pares) – sugerem que, quanto maior era o grau de sofrimento do indivíduo no primeiro mês da quarentena, mais comuns eram as menções a termos associados à ideia de “limpeza” nos relatos oníricos.

O trabalho integra o projeto de pós-doutorado de Mota, supervisionado pelos pesquisadores Sidarta Ribeiro (UFRN) e Mauro Copelli (Universidade Federal de Pernambuco). Ambos são coautores do artigo e integram o Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (NeuroMat), um CEPID apoiado pela FAPESP na Universidade de São Paulo (USP).

Ferramentas para uso clínico

Com apoio da rede NeuroMat, Mota desenvolveu nos últimos anos uma série de aplicativos e softwares que permitem, por meio da análise do discurso, diagnosticar doenças psiquiátricas, particularmente a esquizofrenia, com bastante acurácia.

Essas ferramentas foram posteriormente adaptadas para fazer avaliações cognitivas, principalmente de crianças na fase de alfabetização, como explica Ribeiro. “Vimos que um indivíduo saudável começa a organizar seu discurso entre os cinco e os oito anos de idade e essa habilidade vai se aprimorando até a idade adulta. Mas em pessoas com doenças como esquizofrenia essa capacidade em vez de avançar começa a decair quando chega a adolescência”, diz o pesquisador.

Estudos anteriores do grupo comprovaram que os relatos de sonhos se configuram no material mais rico para esse tipo de análise, pois garantem acesso direto ao que vai no inconsciente dos indivíduos.

“Se eu te contar como foi meu dia ontem, por exemplo, será um relato cronológico e baseado em fatos reais. Não será muito diferente do relato de um paciente bipolar ou esquizofrênico. Mas quando comparamos narrativas oníricas vemos que são completamente distintas”, afirma Ribeiro.

Na avaliação do pesquisador, isso acontece porque o relato onírico não é construído a partir da interação com outras pessoas e, portanto, a patologia não fica diluída na normalidade dos demais envolvidos na história. “A narrativa é mais livre e 100% construída na mente do paciente”, diz.

Um dos aplicativos desenvolvidos pelo grupo para uso clínico possibilita a coleta de dados, na forma de áudio, por meio do smartphone do próprio indivíduo a ser avaliado. Para testar a viabilidade da ferramenta, entre os meses de setembro e novembro de 2019, os pesquisadores solicitaram a um grupo de voluntários saudáveis que enviassem o relato diário de seus sonhos em mensagens com no mínimo 30 segundos de duração.

“Quando pretendíamos iniciar os testes em um grupo de pacientes com esquizofrenia veio a COVID-19 e, com ela, toda uma discussão sobre como a crise de saúde estava alterando a qualidade do sono e o padrão dos sonhos. Decidimos então comparar nossa amostra coletada no período pré-pandemia com outra realizada no primeiro mês da quarentena, também com voluntários saudáveis, para ver as diferenças na estrutura e no conteúdo do discurso”, conta Mota.

Relatos fornecidos por 67 voluntários foram avaliados por meio de três ferramentas desenvolvidas pelo grupo. A primeira, focada na estrutura do discurso, compara o quão complexa e conectada é a trajetória de palavras usadas na narrativa.

“O discurso de uma pessoa adulta, escolarizada e sem patologia mental costuma ser bastante conectado. O relato tem começo, meio e fim. Já o de um paciente com esquizofrenia, de modo geral, é mais pobre, bastante fragmentado e desorganizado. Mas como o estudo foi feito com voluntários saudáveis não vimos diferença em termos de estrutura nos relatos pré e durante pandemia, como esperado”, diz Mota.

A segunda e a terceira ferramentas têm como foco o conteúdo do discurso. Uma delas mede – a partir da comparação com dicionários padronizados – a proporção de palavras inseridas em determinadas classes, como, por exemplo, conteúdo sentimental. Foi analisada no estudo a quantidade de palavras associadas a emoções positivas e negativas. “De modo geral, os relatos de sonhos durante a pandemia tinham maior proporção de palavras relacionadas à raiva e à tristeza do que no momento anterior”, conta a pesquisadora.

Por meio da terceira ferramenta – que mede a semelhança dos relatos a temas específicos por meio da construção de mapas de similaridade semântica – foi possível mensurar o quanto as palavras empregadas no relato estão próximas de termos como “contaminação”, “limpeza”, “doença”, “saúde, “morte” e “vida”.

“Identificamos que os sonhos do primeiro mês da quarentena estavam mais associados aos termos contaminação e limpeza, mas não notamos diferença em relação à doença e saúde ou morte e vida. Nossa interpretação é que, naquele momento, as pessoas ainda estavam se adaptando às regras mais rígidas de higiene e ao medo da contaminação. Possivelmente, o medo da morte e da doença não tenha aparecido porque nenhum dos participantes ou familiares próximos tinha contraído a doença até então”, avalia Mota.

Ao final de um mês, os pesquisadores buscaram mensurar o grau de sofrimento mental de todos os participantes por meio de escalas psicométricas – questionários padronizados e validados adotados em muitos estudos da área.

“Todos os voluntários apresentavam uma sintomatologia leve, mas havia uma grande variabilidade entre eles. Ao correlacionar a severidade dos sintomas às peculiaridades que aparecem nos relatos dos sonhos, notamos que os indivíduos que mais mencionavam termos relacionados à limpeza eram os que mais estavam tendo dificuldade para manter relações sociais de qualidade durante o primeiro mês de quarentena e mais estavam sofrendo com isso. Esse achado indica uma adaptação mais pobre à situação de isolamento social”, conta Mota.

Após o término do experimento, os pesquisadores solicitaram aos voluntários que avaliassem a experiência de observar os próprios sonhos ao longo de um mês. As respostas foram pareadas entre sensações positivas (como esperança) e negativas (como ansiedade).

Segundo Mota, os aspectos negativos foram mais frequentes na avaliação dos indivíduos cujos sonhos estavam mais relacionados aos termos “contaminação” e “limpeza”. “De maneira geral, concluímos que foi um processo benéfico observar os sonhos nesse momento de pandemia. É uma forma de olhar para nossas emoções e refletir sobre o que estamos vivenciando e pode favorecer a busca por soluções”, avalia a pesquisadora.

Para Ribeiro, o estudo mostra que os sonhos refletiram de forma rápida e robusta as mudanças impostas pela pandemia, confirmando a existência de uma continuidade entre sonho e vigília defendida desde os estudos iniciais de Sigmund Freud (1856-1939) e Carl Gustav Jung (1875-1961). “Aquilo que está na sua vida onírica e diz respeito a essa emergência planetária se expressa como sofrimento quando você está desperto. Esse achado reforça a ideia proposta por Freud de que os sonhos são a via régia para o inconsciente e um material particularmente rico para diagnóstico”, afirma o pesquisador.

O artigo Dreaming during Covid-19 pandemic: Computational assessment of dreams reveals mental suffering and fear of contagion pode ser lido em https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.05.19.20107078v2.

Morre morador em situação de rua vítima de agressão em Rio Claro

Morreu na tarde deste sábado (13) Rodrigo Aparecido Dourado, de 38 anos, morador em situação de rua que teria sido vítima de espancamento na última semana no no bairro Jardim Mirassol, próximo do Terminal Rodoviário de Rio Claro.

De acordo com os familiares, após a agressão ele foi socorrido e internado na Santa Casa de Misericórdia, onde entrou em estado de coma na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Na sexta-feira (12) foi constatada a sua morte cerebral.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atendeu a ocorrência após solicitação de populares no dia da agressão. Segundo informado, ao chegar no local a vítima estava caída ao solo, inconsciente e com lesões graves.

Duas pessoas que estavam com Rodrigo relataram que homens que estavam em um veículo com placas de Limeira se aproximaram deles e, após ameaças, o espancaram com um pedaço de madeira. Os colegas da vítima correram para solicitar ajuda e a Guarda Civil Municipal também foi acionada.

Com muitos cortes profundos na cabeça e hematomas pelo corpo, o Samu socorreu Rodrigo até o Pronto Socorro Municipal Integrado (PSMI), onde posteriormente foi internado na UTI da Santa Casa.

A família agora pede rigor na investigação para identificar os agressores. O velório ocorre neste domingo (14), a partir das 7h e o sepultamento será às 10h, ambos no Velório e Cemitério Municipal “São João Batista”.

Retomada do comércio em Rio Claro teve venda 65% menor que em dia habitual

Os resultados da primeira semana de flexibilização do comércio de rua em Rio Claro apontam que as vendas foram 65% menores em comparação com os dias habituais que antecederam o isolamento social no município como enfrentamento ao novo coronavírus. É o que afirma o levantamento realizado pela Associação Comercial e Industrial de Rio Claro (Acirc), em pesquisa com 60 lojistas do comércio tradicional.

Desde o dia 1º de junho que os estabelecimentos estão funcionando em horário reduzido, com expediente de quatro horas diárias, das 9h30 às 13h30. De acordo com o levantamento, para outros 20% dos entrevistados as vendas foram maiores do que antes do início da quarentena, enquanto para 15% as vendas se mantiveram iguais. Os dados também apontam que, enquanto as lojas não podiam reabrir, 88% delas fizeram vendas utilizando canais alternativos, como redes sociais e telefone.

A primeira semana também foi de registro de grandes filas no comércio, sobretudo na região central. Segundo os comerciantes, 50% entraram nas lojas para efetuar uma compra e outros 40% para efetuar pagamentos de carnês ou boletos. Com relação aos funcionários dos estabelecimentos, 59% fizeram acordo para reduzir carga horária ou suspenderam contratos de trabalho, 30% fizeram demissão e 11% mantiveram o quadro original.

O levantamento também aponta que 90% dos comerciantes não contrataram empréstimos bancários para saldar dívidas, mas utilizaram medidas como renegociação de contratos com prestadores de serviços, com fornecedores, anteciparam recebíveis e cortaram todas as despesas que eram possíveis, enquanto os outros 10% contrataram empréstimos.

Já 81% dos supermercados registraram aumento no fluxo de consumidores e 19% tiveram diminuição nas vendas. Os alimentos de maneira geral foram 83% da opção de compras, enquanto 17% outros produtos, com forte presença de material de limpeza. 60% das empresas não alteraram o quadro de colaboradores, 30% das empresas contrataram novos funcionários e 10% realizaram demissões.

VÍDEO: entrega de agasalhos e cobertores tem início em Rio Claro

Teve início esta semana a entrega de roupas de frio arrecadadas na Campanha do Agasalho para a população de Rio Claro. As peças, em diferentes numerações, atendem ao público masculino, feminino e infantil.

“Estamos muito felizes em mais um ano poder beneficiar aqueles que mais precisam. Quero agradecer imensamente a todos aqueles que colaboraram nos enviando peças em boas condições de uso que irão aquecer de maneira solidária os que mais precisam e não têm condições de adquirir”, disse Paula Silveira Costa, presidente do Fundo Social de Solidariedade de Rio Claro.

Diante da pandemia da Covid-19, medidas de segurança foram adotadas seguindo as recomendações da Vigilância Epidemiológica: “Em outros anos a população era convidada a entrar e podia ela mesma pegar as roupas. Agora duas colaboradoras atendem os interessados, que repassam a numeração e o que desejam, e na sequência elas mostram as opções. Essas funcionárias estão de luvas para evitar qualquer tipo de contaminação nas peças. Além disso tudo o que foi doado para nós passou por um criterioso processo de higienização”, ressalta Paula.

Morador do Parque Universitário, Paulo César de Marcos, 57 anos, está desempregado e ainda enfrenta problemas de saúde com a realização de sessões de hemodiálise. Ele foi um dos primeiros a buscar a ajuda solidária para o inverno no Barracão: “Eu vim buscar uma calça e ainda ganhei um cobertor novo. Ajuda muito este trabalho que elas fazem aqui”, afirmou.

Como funciona

Os interessados podem agendar um horário para retirada das roupas de frio através do telefone 3532-6357 ou ir direto ao Barracão da Solidariedade que fica na Rua 1-B, número 411, bairro Cidade Nova. É importante levar um comprovante de endereço, RG e CPF. O horário de atendimento é de segunda a sexta das 8h às 11h e das 13h às 16h.

“País vergonhoso”, diz vítima de tentativa de homicídio após réus serem soltos

Os dois réus condenados a nove anos e quatro meses de prisão por tentativa de homicídio em 2017 contra o jovem rio-clarense Rafael Bandeira ganharam a liberdade quatro meses após receberem a sentença no Fórum de Rio Claro.

O advogado Ariovaldo Witzel, que representa um dos réus, entrou com um pedido de revisão, alegando falha no processo. A solicitação foi acatada e, com isso, o julgamento bem como a condenação dos acusados a nove anos e quatro meses de prisão em regime fechado foram anulados. Um novo julgamento será marcado, mas ainda sem data definida.

Agressão em 2017

O caso envolvendo a vítima Rafael Bandeira ganhou repercussão nacional. Ele saiu com dois amigos de um pub e na Rua 1 com a Avenida 29, no Cidade Jardim, foram abordados por indivíduos que estavam em um carro. O passageiro perguntou para o trio se eles tinham um isqueiro. Os jovens disseram que não tinham e continuaram andando.

Foi neste momento que um dos ocupantes desceu do veículo e atingiu Rafael na cabeça, utilizando um bastão de madeira. Na sequência eles fugiram. A vítima ficou 12 dias internada na UTI, passou por cirurgias e recebeu dos médicos a notícia de que havia perdido 100% da audição do ouvido esquerdo.

O julgamento

Adiado em novembro de 2019, a sentença foi conhecida em 13 de fevereiro deste ano. Agora anulado, vítima e réus aguardam nova decisão. O julgamento foi anulado por votação unânime. A liberdade provisória dos réus aconteceu sob as condições de que devem comparecer em juízo a cada 30 dias para justificar suas atividades, não podem sair da cidade em que residem sem prévia autorização judicial e não podem se aproximar da vítima ou de familiares dela.

Jornal Cidade RC
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