Contra Covid, Prefeitura do Rio bloqueará toda a orla no Ano-Novo

ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) –

A Prefeitura do Rio bloqueará toda a orla carioca na virada do ano, ampliando a restrição que já havia sido anunciada para o tradicional Réveillon na praia de Copacabana.
Numa entrevista permeada de alertas sobre os riscos da segunda onda de Covid-19, Alexandre Cardeman, chefe-executivo do COR (Centro de Operações Rio), elencou ações para impedir que pessoas se aglomerem nas praias da cidade.
Se autoridades estimaram que quase três milhões se reuniram para assistir à queima de fogos em Copacabana no Réveillon de 2020, o de 2021 terá um céu limpo. Os fogos de artifício estão proibidos entre a meia-noite desta quarta (30) até as 7h de sexta (1º), inclusive espetáculos promovidos pela rede hoteleira, segundo Cardeman.
O veto se estende a festas privadas no calçadão e na areia. Até esta segunda (28), quiosques como o Abracadabra Beach, na avenida Atlântica, a via costeira de Copacabana, ainda traziam cartazes anunciando música ao vivo para a virada. À reportagem um funcionário disse que os festejos foram cancelados após a ordem municipal, só a ceia continuará sendo servida.
A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) do Rio irá regulamentar o bloqueio às ruas da cidade para quem não for morador. Táxis, por exemplo, só poderão circular em Copacabana se o passageiro tiver comprovante de residência ou provar que está hospedado ou que trabalha no bairro.
Na conversa com jornalistas, Cardeman pediu mais de uma vez que as pessoas ficassem em casa para “mitigar aglomerações”. Era um “recado duro e direto para a população”, mas necessário num país que já computa 190 mil vítimas de Covid-19, número que deve inflar após as festas de fim de ano.
“Não há imagem melhor do que a orla vazia e a Praia de Copacabana sem ninguém para que possamos homenagear a todos que se foram”, disse. Os que insistirem em sair de casa, segundo ele, terão de “enfrentar transtornos” e “situação de desconforto”.

Fiocruz quer pedir registro de vacina de Oxford contra Covid à Anvisa até 15 de janeiro

NATÁLIA CANCIAN
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) –

À frente de um acordo que prevê a produção de uma vacina contra Covid-19 no Brasil, a Fiocruz planeja entrar com um pedido de registro do imunizante até o dia 15 de janeiro, disse à reportagem nesta segunda-feira (28) o vice-presidente de inovações da instituição, Marco Krieger.
Desde junho, a Fiocruz trabalha em uma parceria para transferência de tecnologia com a farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford, que desenvolvem a vacina. O acordo é considerado a principal aposta do Ministério da Saúde para a vacinação contra a Covid.
Segundo Krieger, o pedido pode ser feito já na próxima semana caso sejam finalizados alguns documentos.
Ele afirma que os primeiros dados ligados à vacina começaram a ser submetidos à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pelas empresas ainda em setembro, de forma escalonada.
“A maior parte dos dados já foram entregues, falta só a última parte de manufatura e controle que estamos finalizando para entrar. Devemos entrar [com o pedido] na semana que vem ou no mais tardar [poucos dias depois]. Nosso deadline interno é fazer isso até o dia 15 de janeiro, mas estamos com expectativa de antecipar um pouco”, afirmou.
A previsão de pedir o registro em janeiro já constava no cronograma da Fiocruz, mas a data ainda não tinha sido divulgada e havia dúvidas sobre o risco de haver atrasos nesse processo.
Mais cedo, o vice-presidente de inovações confirmou em entrevista à Rádio Gaúcha que o cronograma está mantido. Segundo ele, a instituição deve fazer o pedido de registro definitivo, e não o de uso emergencial.
A informação foi confirmada à reportagem. “Nossa expectativa era fazer pedido no fim de janeiro, a Anvisa demorar um mês e conseguirmos entregar as doses até março. Agora vimos que conseguimos antecipar em 15 dias a submissão, e temos sinalização da Anvisa de avaliações mais rápidas”, disse sobre o processo de entrega de dados à agência até que haja o pedido de liberação para oferta à população.
Atualmente, a Fiocruz tem um acordo para entregar 210 milhões de doses ao Ministério da Saúde –desse total, 100 milhões seriam entregues no primeiro semestre, e o restante nos meses seguintes. A expectativa é iniciar a produção das doses no dia 20 de janeiro.
Em audiência na Câmara dos Deputados na última semana, a presidente da fundação, Nísia Trindade, disse que a previsão era entregar 1 milhão de doses da vacina de 8 a 12 fevereiro e mais 1 milhão na semana seguinte para o PNI (Programa Nacional de Imunização), do Ministério da Saúde. A partir de então, serão 700 mil doses diariamente.
A instituição ainda trabalha para tentar adiantar parte das doses, o que permitiria antecipar a vacinação.
“Temos uma expectativa real de conseguir antecipar o número de doses, em vez de 100 milhões nos primeiros seis meses, adiantar em um a dois meses, e aumentar nossa escala em seguida. Estamos tentando acelerar, mas no momento nossos dados ainda são esses”, diz Krieger.
Nas últimas semanas, a possibilidade de haver atrasos no cronograma passou a ser aventada em meio a questionamentos sobre os dados de eficácia da vacina, que teve números diferentes conforme a aplicação das doses. A situação fez com que a AstraZeneca anunciasse novos estudos.
Krieger, no entanto, diz que isso não interfere no cronograma e que os dados já apresentados permitiriam a solicitação do registro. Os demais dados seriam adicionais, afirma. “Eles já trazem um benefício muito grande. São vacinas que estão mostrando capacidade de proteção muito alta, o que supera nossas expectativas”, diz. “Ela tem ainda vantagens adicionais, de estabilidade e facilidade de produção.”
Recentemente, a Anvisa concedeu um certificado de boas práticas de fabricação à empresa Wuxi Biologics, que fica na China, e que fornece os insumos para produção da vacina.

Mesmo com vacina, pandemia de coronavírus deve seguir por boa parte de 2021

EVERTON LOPES BATISTA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) –

A pandemia do coronavírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19, deve entrar o ano de 2021 com força, beirando os 200 mil mortos pela doença desde sua chegada ao Brasil.
Embora o cenário com relação às vacinas em desenvolvimento seja animador, com testes clínicos bem sucedidos e início da aplicação na população de países como Reino Unido e Estados Unidos, especialistas alertam que, pelo menos no Brasil, vamos passar boa parte do próximo ano como vivemos em 2020, com restrições do comércio e atividades culturais e a manutenção de medidas de proteção contra o contágio, como o uso de máscara e o distanciamento social.
O plano de vacinação nacional do governo -classificado por especialistas como lento e insuficiente para cobrir toda a população- as dificuldades logísticas para distribuir o imunizante à população e as altas taxas de transmissão do vírus tornam mais demorada a retomada de uma vida mais parecida com o que existia antes da pandemia.
A data para o início da imunização no país ainda é incerta. O Ministério da Saúde já fez quatro previsões: os meses de dezembro, janeiro, fevereiro e março foram cogitados para o começo da campanha. O impasse fez crescer a insegurança da população com relação aos planos do governo, que afirma aguardar uma autorização para um imunizante pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) antes de bater o martelo.
“Até que os grupos prioritários sejam vacinados, deve-se passar quase um ano inteiro. Quando isso acontecer, devemos ter uma menor circulação do vírus na população, mas ainda teremos muitos casos novos da doença e mortes causadas por ela”, diz Viviane Alves, microbiologista e professora do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (ICB/UFMG).
Em três fases iniciais, a campanha deverá vacinar trabalhadores da área da saúde, pessoas com mais de 60 anos, indígenas e pessoas de comunidades tradicionais, pessoas com algumas comorbidades e deficiências permanentes severas, trabalhadores da educação e segurança pública, entre outros.
“Leva um tempo até que o programa de vacinação chegue a todos que fazem parte dos grupos de maior risco”, afirma Alves.
Quando for finalizada a vacinação dos grupos de risco, Alves diz que haverá maior tranquilidade para os mais suscetíveis à doença, com a diminuição no número de mortes entre essas pessoas. “Mas ainda não sabemos se as vacinas podem evitar a transmissão do vírus e, assim, se não forem seguidos os cuidados necessários, a transmissão entre os mais jovens ainda pode pressionar o sistema de saúde”, diz a cientista.
Segundo o imunologista Daniel Santos Mansur, professor e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), os jovens adultos são grande parte do número de infectados pela doença por estarem mais expostos, circulando mais. Esse grupo também deve ser um dos últimos a receber a vacina, ficando à frente apenas das crianças, que tem as menores chances de complicações com a Covid-19.
“Não acho que a vacinação inicialmente vai mudar o cenário em termos de número de novas infecções a ponto de podermos deixar o distanciamento social e o uso de máscaras, por exemplo”, diz.
É possível ser infectado com o vírus, mas não manifestar nenhum sintoma da doença. Os chamados assintomáticos seriam cerca de 40% a 50% do total de infectados pelo Sars-CoV-2, segundo estimativas de cientistas. Os primeiros resultados divulgados dos estudos com as vacinas em teste são animadores, mas a eficácia medida diz respeito à capacidade que o imunizante tem para proteger contra o desenvolvimento da Covid-19 e não mostram os imunizantes podem diminuir a transmissão.
Os resultados da fase 3 de testes clínicos da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, publicados no início de dezembro, indicam que o imunizante é capaz de bloquear a transmissão do vírus em quem a recebe, de acordo com Mansur. Mas o pesquisador lembra que esse dado ainda precisa ser confirmado e que nenhuma outra vacina em desenvolvimento apresentou dados referentes à capacidade de evitar o contágio.
“Distribuir para todas as pessoas uma vacina que previne a doença e bloqueia a transmissão é o cenário ideal, mas ainda estamos um pouco longe dele”, diz Mansur.
Outro grande desafio é ampliar a cobertura vacinal até que a circulação do vírus diminua a ponto de reduzir drasticamente o surgimento de novos casos da doença. Para chegarmos a essa imunidade coletiva, porém, devemos superar a baixa quantidade de doses disponíveis das vacinas aprovadas, disputadas por todos os países do mundo. A resistência da população aos imunizantes disponíveis é outra barreira nesse caminho.
Um artigo publicado neste mês na revista científica BMJ por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins (Estados Unidos) mostrou que os países mais ricos já garantiram 51% das doses de vacinas disponíveis para compra, mesmo possuindo menos de 14% da população mundial.
No Brasil, a principal aposta foi a vacina de Oxford/AstraZeneca, da qual o governo federal garantiu cerca de 100 milhões de doses ainda em junho. O imunizante não foi aprovado em nenhum país ainda e foi passado para trás pela vacina criada pela Pfizer em parceria com a empresa de biotecnologia alemã BioNTech, com quem o governo só iniciou as tratativas para um acordo em dezembro para garantir a compra de 70 milhões de unidades.
Cada pessoa precisa receber duas doses das principais vacinas em desenvolvimento para adquirir proteção contra a doença. Assim, 70 milhões de doses seriam suficientes para vacinar 35 milhões de pessoas.
Para chegarmos à imunidade coletiva e diminuirmos radicalmente os riscos de infecção, especialistas apontam que uma parcela entre 70% e 80% da população precisa ser vacinada -o que representa algo entre 146 milhões e 180 milhões de brasileiros.
Além da baixa disponibilidade de doses inicial, o número de pessoas que recusam tomar a vacina tem aumentado nos últimos meses. Segundo pesquisa nacional do Datafolha divulgada neste mês, cerca de 22% dos entrevistados afirmam que não pretendem se vacinar. Em agosto, os que rejeitavam o imunizante somavam 9% da população brasileira.
Segundo cientistas e médicos, a disseminação de informações falsas e a atitude do presidente Jair Bolsonaro, que desencoraja a aplicação da vacina, contribuem para o movimento antivacina, que vai contra a ciência bem fundamentada dos imunizantes, que combateram doenças e evitam milhões de mortes todos os anos.
“Quando não atingimos a cobertura vacinal necessária, novos surtos podem acontecer. Foi isso que aconteceu nos últimos anos com os surtos de sarampo e febre amarela porque as pessoas deixaram de vacinar”, afirma Mirian de Freitas Dal Ben, médica infectologista no Hospital Sírio-Libanês.
“Vacinas são um mecanismo de controle de doenças, e quando um pequeno grupo decide não vacinar o impacto disso pode ser grande na população como um todo”, diz a médica.
Dal Ben afirma que quanto mais pessoas estiverem vacinadas, maiores as chances de diminuir a circulação do vírus e proteger pacientes com doenças de base que não podem receber o imunizante.
No dia 17 de dezembro, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que a vacina contra a Covid-19 pode ser obrigatória e liberou a União, estados e municípios a aprovarem uma lei que restringe direitos das pessoas que não quiserem se vacinar.
Os cientistas afirmam que há ainda muitos conhecimentos a serem produzidos a respeito do vírus e das vacinas que podem combatê-lo. Entre as incertezas que serão carregadas para o próximo ano, estão a duração da imunidade concedida pela vacina e a capacidade de mutação do vírus, que pode trazer a necessidade de uma vacinação recorrente e periódica, como acontece com a gripe. “Mas só teremos essas respostas com o passar do tempo”, diz Mansur.
De modo geral, cientistas e médicos concordam que a chegada das vacinas é o começo do fim da pandemia, mas não o fim da doença. “As pessoas não vão estar protegidas após a liberação da vacina. A liberação é apenas o início do processo de imunização da população, e a situação só vai estar confortável quando uma boa parte das pessoas for vacinada”, diz Dal Ben.
“A ameaça da Covid-19 vai continuar existindo. Mesmo após a vacinação ampla, a doença será transmitida em um nível menor, endêmico. Não vamos poder descuidar da cobertura vacinal sob risco de enfrentarmos novos surtos da doença”, conclui a médica.

Ladrão capota carro e foge após roubo duplo no Cidade Jardim

Um criminoso cometeu roubo duplo no início da noite dessa segunda-feira (28) na Rua 0, no bairro Cidade Jardim. Naquele trecho, o homem ainda não identificado abordou uma mulher que chegava com seu carro Honda a uma residência quando anunciou o assalto. Ao sair com o veículo, o ladrão não conseguiu dirigir por muitos metros, pois colidiu contra um carro Celta e capotou o utilitário em plena via pública.

Ao sair do veículo, o criminoso abordou o dono do outro carro o qual havia colidido e o obrigou a entregá-lo, fugindo do local levando também o celular da vítima. A Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal foram acionadas e comparecem na ocorrência. O veículo Celta acabou sendo localizado pelas autoridades já em Santa Gertrudes, a pouco quilômetros do local do crime. Até o momento o criminoso envolvido no roubo duplo não havia sido localizado pelos policiais.

Rio Claro registra 17 novos casos de coronavírus

Com 17 casos positivos registrados nas últimas 24 horas, Rio Claro chegou a 6.376 casos de Covid-19. Os números foram divulgados na segunda-feira (28) pela Secretaria Municipal de Saúde, que também aponta 163 óbitos provocados pela doença.

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O município tem 66 pessoas hospitalizadas por coronavírus, incluindo casos suspeitos, sendo que 26 pacientes estão em UTI. Há 27 pessoas internadas em leitos públicos e 39 em leitos particulares. Desde o início da pandemia,  5.815 pessoas se recuperaram da Covid-19 em Rio Claro.

A Secretaria Municipal de Saúde alerta a população para que mantenha os cuidados preventivos, com uso de máscara, distanciamento social e higienização.

Compra de veículos: Procon aciona estacionamentos

Em entrevista à rádio Jovem Pan News, o representante do Procon de Rio Claro, Tuzinho Costa, alerta sobre reclamações apresentadas por consumidores contra estacionamentos por problemas durante a venda de veículos, incluindo demora em liberar documentos para a transferência.

Bolsonaro questiona laboratórios e diz que eles deveriam estar interessados em vender vacina ao Brasil

RICARDO DELLA COLETTA – BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Alvo de críticas por causa do atraso do Brasil na vacinação contra a Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) questionou nesta segunda-feira (28) os laboratórios que desenvolvem imunizantes e disse que eles deveriam estar interessados em vender os produtos para o país.

“O Brasil tem 210 milhões de habitantes, então um mercado de consumidor de qualquer coisa enorme. Os laboratórios não tinham que estar interessados em vender para gente? Por que eles não apresentam documentação [de certificação] na Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]?”, questionou o presidente durante conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, em Brasília.

“Pessoal diz que eu tenho que ir atrás. Não, se eu sou vendedor, eu quero apresentar”, acrescentou. As declarações de Bolsonaro foram transmitidas por um site bolsonarista.

Segundo o site da Anvisa, não houve pedido de autorização emergencial ou registro por parte de nenhuma empresa.

Enquanto Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e países da União Europeia já iniciaram campanhas de vacinação, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, tem dito que no Brasil a imunização deve começar em fevereiro. Nações da América Latina como Chile, México e Costa Rica também já deram início a campanhas.

A previsão do governo Bolsonaro é de receber ao menos 150 milhões de doses de vacina no primeiro semestre do próximo ano. Nesse total estão incluídas os imunizantes de Sinovac/Butantan, AstraZeneca/Universidade de Oxford e Pfizer/BioNTech.

Serão 100,4 milhões de doses do imunizante da AstraZeneca, 46 milhões da Coronavac -a aquisição de mais doses está sendo negociada- e 8 milhões de doses da Pfizer -ainda em negociação. Dessas vacinas, a única que já obteve autorização emergencial em outros países foi a da Pfizer.

As declarações recentes de Bolsonaro foram criticadas por demonstrarem falta de comprometimento de sua administração com a vacinação. No sábado (26), ele disse que não dá bola para pressões pelo início da vacinação contra o vírus no país após outras nações já terem iniciado suas campanhas.

Nesta segunda, Bolsonaro afirmou que já assinou uma MP (Medida Provisória) destinando R$ 20 bilhões para a compra e distribuição de vacinas e voltou a se queixar que os laboratórios não se responsabilizam por possíveis efeitos colaterais ocasionados pelos imunizantes. “Só que aqui tem um detalhe: eu já falei que o povo vai saber que nos contratos, todos que eu vi até agora, está escrito lá: ‘não nos responsabilizamos por efeito colateral’. Que efeito colateral? Não sei”, disse.

O presidente tem usado esse argumento para levantar dúvidas sobre a eficácia e possíveis consequências causadas por vacinas contra a Covid-19. No entanto, os estudos clínicos até o momento não identificaram efeitos colaterais graves.

Além do mais, cláusula semelhante foi aceita em setembro pela Fiocruz -instituição ligada ao Ministério da Saúde- com o laboratório AstraZeneca, responsável por produzir a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford.

O contrato assinado pela Fiocruz prevê a produção de 100,4 milhões de doses da vacina e transferência de tecnologia para a produção em território nacional.

Procon orienta sobre troca de presentes após o Natal

Em entrevista à rádio Jovem Pan News, o representante do Procon de Rio Claro, Tuzinho Costa, orienta consumidores e lojistas sobre a troca de presentes, que tradicionalmente acontece já no dia 26 de dezembro, mas esse ano teve que ser adiada porque o comércio ficou fechado no fim de semana devido à fase vermelha do Plano SP.

Visita de Papai Noel é suspeita de deixar 23 mortos por Covid-19 em asilo belga

ANA ESTELA DE SOUSA PINTO – BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) – Uma pequena cidade do nordeste da Bélgica investiga se a visita de um Papai Noel a um asilo foi a causa de um surto de coronavírus que deixou ao menos 23 mortos, até esta segunda (28).

Os primeiros casos começaram a ser diagnosticados há 15 dias, pouco após a passagem, no dia 4, de um visitante fantasiado de Papai Noel. Segundo levantamento do virologista belga Marc Van Ranst, 97 idosos, além de 17 funcionários e do visitante, foram contaminados pela mesma variante de coronavírus.

Mas, como o Papai Noel era um visitante habitual da casa, também é viável a hipótese de que ele tenha sido contaminado por um funcionário do local, em vez de ser o disseminador original da doença. Segundo a empresa que administra o lar de idosos, o Papai Noel ficou em áreas comuns da casa de saúde, sempre usava máscara e não distribuía presentes.

Outros 10 moradores do asilo foram infectados por três outras variantes do coronavírus, de acordo com Van Ranst. No total, 121 internos e 36 funcionários tiveram teste positivo nas últimas duas semanas.

A tragédia de Natal mobilizou os cerca de 35 mil habitantes de Mol, cidade que fica 63 km a nordeste de Bruxelas, em Flandres. Asilos dessa região belga de fala flamenga foram os locais em que se concentrou boa parte das mortes na primeira onda de Covid-19, no primeiro semestre deste ano.

Metade das mortes por coronavírus registradas pela Bélgica no período ocorreu em casas de repouso.

Após o elevado número de óbitos nesses locais, que colocou o país no topo do ranking de mortes por coronavírus em relação à população (165/100 mil até esta segunda, 28), visitas foram proibidas e o governo elevou o rigor na prevenção à doença por parte dos funcionários, reduzindo o contágio.

A Bélgica aplicou nesta segunda suas primeiras injeções de imunizante, justamente em moradores dessas instituições. Em Bruxelas, a primeira vacinada foi Lucie Danjou, 101, a residente mais idosa de um lar de Woluwe-Saint-Pierre. O governo regional afirmou que os 11,5 mil idosos hospedados em seus 137 asilos terão recebido a primeira dose da vacina contra Covid-19 até o final de janeiro.

Em Flandres, a primazia na vacinação foi de Jos Hermans, 96, e na Valônia (região de fala francesa), a pioneira foi Josepha Delmotte, 102.

Câmara Municipal realiza posse dos eleitos sem a presença do público

Na próxima sexta-feira, 1º de janeiro de 2021, a Câmara Municipal vai realizar a solenidade de posse dos eleitos: prefeito Gustavo Perissinotto, vice Rogério Guedes e os 19 vereadores que vão integrar a nova Legislatura.

A atividade no Plenário terá início às 10 horas sem a presença do público. A medida anunciada pelo vereador Paulo Guedes, responsável pela solenidade por obter a maior votação nas urnas, segue acordo com os demais parlamentares.

Paulo Guedes informa que a medida é necessária para que Rio Claro cumpra a determinação do Governo de São Paulo. Assim como no Natal, agora no Ano Novo todo o Estado terá medidas restritivas contra o avanço do Coronavírus do dia 1º a 3 de janeiro.

Com isso, no Plenário poderão estar presentes os eleitos e representantes da imprensa previamente convidados. “Entendemos que as restrições anunciadas são necessárias para que Rio Claro dê a sua cota de colaboração no combate ao Covid-19. Como homens públicos, temos de estar alinhados com as legislações vigentes e isso inclui a determinação feita pelo Governo do Estado neste momento”, comentou Paulo Guedes.

Encerrada a solenidade de posse dos eleitos, a Câmara Municipal vai realizar sessão para a definição do novo presidente, vice-presidente, primeiro e segundo secretários responsáveis pela gestão da Casa no biênio 2021-2022. O público poderá acompanhar os trabalhos pela internet através do endereço: www.rioclaro.sp.leg.br

Mesmo com vacina, pandemia de coronavírus deve seguir por boa parte de 2021

EVERTON LOPES BATISTA – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A pandemia do coronavírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19, deve entrar o ano de 2021 com força, beirando os 200 mil mortos pela doença desde sua chegada ao Brasil.

Embora o cenário com relação às vacinas em desenvolvimento seja animador, com testes clínicos bem sucedidos e início da aplicação na população de países como Reino Unido e Estados Unidos, especialistas alertam que, pelo menos no Brasil, vamos passar boa parte do próximo ano como vivemos em 2020, com restrições do comércio e atividades culturais e a manutenção de medidas de proteção contra o contágio, como o uso de máscara e o distanciamento social.

O plano de vacinação nacional do governo -classificado por especialistas como lento e insuficiente para cobrir toda a população- as dificuldades logísticas para distribuir o imunizante à população e as altas taxas de transmissão do vírus tornam mais demorada a retomada de uma vida mais parecida com o que existia antes da pandemia.

A data para o início da imunização no país ainda é incerta. O Ministério da Saúde já fez quatro previsões: os meses de dezembro, janeiro, fevereiro e março foram cogitados para o começo da campanha. O impasse fez crescer a insegurança da população com relação aos planos do governo, que afirma aguardar uma autorização para um imunizante pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) antes de bater o martelo.

“Até que os grupos prioritários sejam vacinados, deve-se passar quase um ano inteiro. Quando isso acontecer, devemos ter uma menor circulação do vírus na população, mas ainda teremos muitos casos novos da doença e mortes causadas por ela”, diz Viviane Alves, microbiologista e professora do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (ICB/UFMG).

Em três fases iniciais, a campanha deverá vacinar trabalhadores da área da saúde, pessoas com mais de 60 anos, indígenas e pessoas de comunidades tradicionais, pessoas com algumas comorbidades e deficiências permanentes severas, trabalhadores da educação e segurança pública, entre outros.

“Leva um tempo até que o programa de vacinação chegue a todos que fazem parte dos grupos de maior risco”, afirma Alves.

Quando for finalizada a vacinação dos grupos de risco, Alves diz que haverá maior tranquilidade para os mais suscetíveis à doença, com a diminuição no número de mortes entre essas pessoas. “Mas ainda não sabemos se as vacinas podem evitar a transmissão do vírus e, assim, se não forem seguidos os cuidados necessários, a transmissão entre os mais jovens ainda pode pressionar o sistema de saúde”, diz a cientista.

Segundo o imunologista Daniel Santos Mansur, professor e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), os jovens adultos são grande parte do número de infectados pela doença por estarem mais expostos, circulando mais. Esse grupo também deve ser um dos últimos a receber a vacina, ficando à frente apenas das crianças, que tem as menores chances de complicações com a Covid-19.

“Não acho que a vacinação inicialmente vai mudar o cenário em termos de número de novas infecções a ponto de podermos deixar o distanciamento social e o uso de máscaras, por exemplo”, diz.

É possível ser infectado com o vírus, mas não manifestar nenhum sintoma da doença. Os chamados assintomáticos seriam cerca de 40% a 50% do total de infectados pelo Sars-CoV-2, segundo estimativas de cientistas. Os primeiros resultados divulgados dos estudos com as vacinas em teste são animadores, mas a eficácia medida diz respeito à capacidade que o imunizante tem para proteger contra o desenvolvimento da Covid-19 e não mostram os imunizantes podem diminuir a transmissão.

Os resultados da fase 3 de testes clínicos da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, publicados no início de dezembro, indicam que o imunizante é capaz de bloquear a transmissão do vírus em quem a recebe, de acordo com Mansur.

Mas o pesquisador lembra que esse dado ainda precisa ser confirmado e que nenhuma outra vacina em desenvolvimento apresentou dados referentes à capacidade de evitar o contágio.

“Distribuir para todas as pessoas uma vacina que previne a doença e bloqueia a transmissão é o cenário ideal, mas ainda estamos um pouco longe dele”, diz Mansur.

Outro grande desafio é ampliar a cobertura vacinal até que a circulação do vírus diminua a ponto de reduzir drasticamente o surgimento de novos casos da doença. Para chegarmos a essa imunidade coletiva, porém, devemos superar a baixa quantidade de doses disponíveis das vacinas aprovadas, disputadas por todos os países do mundo. A resistência da população aos imunizantes disponíveis é outra barreira nesse caminho.

Um artigo publicado neste mês na revista científica BMJ por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins (Estados Unidos) mostrou que os países mais ricos já garantiram 51% das doses de vacinas disponíveis para compra, mesmo possuindo menos de 14% da população mundial.

No Brasil, a principal aposta foi a vacina de Oxford/AstraZeneca, da qual o governo federal garantiu cerca de 100 milhões de doses ainda em junho. O imunizante não foi aprovado em nenhum país ainda e foi passado para trás pela vacina criada pela Pfizer em parceria com a empresa de biotecnologia alemã BioNTech, com quem o governo só iniciou as tratativas para um acordo em dezembro para garantir a compra de 70 milhões de unidades.

Cada pessoa precisa receber duas doses das principais vacinas em desenvolvimento para adquirir proteção contra a doença. Assim, 70 milhões de doses seriam suficientes para vacinar 35 milhões de pessoas.

Para chegarmos à imunidade coletiva e diminuirmos radicalmente os riscos de infecção, especialistas apontam que uma parcela entre 70% e 80% da população precisa ser vacinada –o que representa algo entre 146 milhões e 180 milhões de brasileiros.

Além da baixa disponibilidade de doses inicial, o número de pessoas que recusam tomar a vacina tem aumentado nos últimos meses. Segundo pesquisa nacional do Datafolha divulgada neste mês, cerca de 22% dos entrevistados afirmam que não pretendem se vacinar. Em agosto, os que rejeitavam o imunizante somavam 9% da população brasileira.

Segundo cientistas e médicos, a disseminação de informações falsas e a atitude do presidente Jair Bolsonaro, que desencoraja a aplicação da vacina, contribuem para o movimento antivacina, que vai contra a ciência bem fundamentada dos imunizantes, que combateram doenças e evitam milhões de mortes todos os anos.

“Quando não atingimos a cobertura vacinal necessária, novos surtos podem acontecer. Foi isso que aconteceu nos últimos anos com os surtos de sarampo e febre amarela porque as pessoas deixaram de vacinar”, afirma Mirian de Freitas Dal Ben, médica infectologista no Hospital Sírio-Libanês.

“Vacinas são um mecanismo de controle de doenças, e quando um pequeno grupo decide não vacinar o impacto disso pode ser grande na população como um todo”, diz a médica.

Dal Ben afirma que quanto mais pessoas estiverem vacinadas, maiores as chances de diminuir a circulação do vírus e proteger pacientes com doenças de base que não podem receber o imunizante.

No dia 17 de dezembro, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que a vacina contra a Covid-19 pode ser obrigatória e liberou a União, estados e municípios a aprovarem uma lei que restringe direitos das pessoas que não quiserem se vacinar.

Os cientistas afirmam que há ainda muitos conhecimentos a serem produzidos a respeito do vírus e das vacinas que podem combatê-lo. Entre as incertezas que serão carregadas para o próximo ano, estão a duração da imunidade concedida pela vacina e a capacidade de mutação do vírus, que pode trazer a necessidade de uma vacinação recorrente e periódica, como acontece com a gripe. “Mas só teremos essas respostas com o passar do tempo”, diz Mansur.

De modo geral, cientistas e médicos concordam que a chegada das vacinas é o começo do fim da pandemia, mas não o fim da doença. “As pessoas não vão estar protegidas após a liberação da vacina. A liberação é apenas o início do processo de imunização da população, e a situação só vai estar confortável quando uma boa parte das pessoas for vacinada”, diz Dal Ben.

“A ameaça da Covid-19 vai continuar existindo. Mesmo após a vacinação ampla, a doença será transmitida em um nível menor, endêmico. Não vamos poder descuidar da cobertura vacinal sob risco de enfrentarmos novos surtos da doença”, conclui a médica.

Vacinas contra a Covid-19 na fase 3 dos testes clínicos

Ultima fase antes da aprovação para uso na população. Nela, milhares de pessoas são vacinadas e outras milhares recebem placebo (uma injeção que não contém o imunizante) para quantificar o potencial de imunização da candidata a vacina

Pfizer/BioNTech – BNT162b2*
Moderna/Niaid
Universidade de Oxford/AstraZeneca*
Sinovac – Coronavac*
Instituto Gamaleya/Fundo Russo de Investimento Direto – Sputnik V
Janssen (Johnson & Johnson)*
Bharat Biotech – BBV152
Novavax – NVX-CoV2373
Instituto de Virologia e Biotecnologia Vector – EpiVacCorona
CanSino Biologics
Sinopharm e Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan
Anhui Zhifei Longcom Biopharmaceutical/Institute of Microbiology/Chinese Academy of Sciences
Medicago Inc.
(*) Vacinas atualmente testadas no Brasil

Países que já aprovaram a vacina para uso na população
(Pfizer/BioNTech – BNT162b2)

Reino Unido
Bahrein
Estados Unidos
Canadá
México
Arábia Saudita
Chile

2020 foi o pior ano para brasileiros desde 2012, mostra levantamento

Pouco mais de sete entre cada 10 pessoas no Brasil (72%) afirmam que o ano de 2020 foi ruim para si e suas famílias. É o que aponta a pesquisa Global Advisor 2021 Predictions, realizada pela Ipsos desde 2012. No histórico do levantamento, o percentual de brasileiros insatisfeitos com o ano que termina nunca foi tão alto. De 2019 para 2020, o crescimento foi de 10 pontos percentuais.

Em 2012, pouco mais da metade dos respondentes no país (52%) consideraram que o ano tinha sido ruim para si e suas famílias. Em 2013, o índice manteve-se estável com um ligeiro declínio (50%). Após uma pausa na condução da pesquisa, os dados voltaram a ser colhidos em 2016, quando 67% dos brasileiros qualificaram o ano como ruim. Em 2017, eram 64% insatisfeitos, que caíram para 59% em 2018 e alcançaram o patamar de 62% no ano passado.

A percepção brasileira do período de 2020 reflete a avaliação global: considerando a opinião de quase 16 mil entrevistados de 31 países diferentes, 70% disseram ter tido um ano ruim no âmbito pessoal. Em 2019, eram apenas 50%. Turquia (89%), Índia (81%) e Itália (80%) são as nações que pior avaliam o ano de 2020; enquanto os respondentes da Suécia (54%), Holanda (55%) e Israel (56%) possuem uma visão menos negativa do ano que termina.

Futuro é esperado com otimismo

Apesar do sentimento negativo que acometeu o mundo em 2020, 2021 traz esperança: 81% dos brasileiros estão otimistas de que 2021 será melhor do que o ano atual para si e suas famílias. Na média global, são 77%. Os países com maior otimismo são China (94%), Peru (92%) e México (91%). Por outro lado, Japão (44%), França (53%) e Alemanha (63%) são mais comedidos em relação ao ano que está por vir.

Além de uma percepção otimista no âmbito pessoal, a maioria dos entrevistados no Brasil também aposta que o ano que vem trará uma retomada econômica a nível mundial. Seis em cada dez ouvidos (60%) acreditam que a economia global será mais forte em 2021 do que foi em 2020.

A opinião dos brasileiros é mais positiva do que a média entre as 31 nações: 54% acham que 2021 terá globalmente uma economia melhor do que a de 2020, sendo que China (86%), Índia, Arábia Saudita (ambos com 76%) e Peru (72%) são os mais confiantes e França (31%), Bélgica (37%) e Espanha (40%) são os menos.

A pesquisa on-line foi realizada com 23.000 adultos entre 16 e 74 anos de 31 países. Os dados foram colhidos entre os dias 23 de outubro e 06 de novembro de 2020. A margem de erro para o Brasil é de 3,5 pontos percentuais.

Jornal Cidade RC
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