Foto: Fabrício Bolfarini/Divulgação

Folhapress/ Mônica Bergamo

No próximo dia 9 de novembro, o autódromo de Interlagos, em São Paulo, vai ganhar uma escultura de 3,5 metros de altura com o rosto de Ayrton Senna. A responsável pela obra é uma artista plástica que conviveu de perto com o piloto brasileiro: sua sobrinha Lalalli Senna.

O projeto é antigo. Surgiu inicialmente em 2014 quando a mãe de Ayrton, Neyde, pediu para que a neta fizesse um busto do atleta. “Embora ele esteja bem representado em trabalhos de outros artistas, a minha avó disse que estava sentindo falta de vê-lo como ela se lembrava dele, que era uma coisa mais familiar. E ela achou que eu conseguiria traduzir essa memória”, diz.

O trabalho ficou pronto no final de 2015. Depois, surgiu a ideia de fazer uma obra derivada desta primeira, mas em um porte muito maior, como uma forma de presentear os fãs do piloto. Assim, aos poucos, Lalalli Senna foi desenvolvendo “Nosso Senna”, como é denominada a escultura em porte monumental que será instalada no Setor A de Interlagos.

O objetivo, segundo ela, é colocar a obra ao lado da torcida, como se Senna estivesse junto ao público, olhando para a pista de corrida.

A escultura é feita de alumínio polido e facetado, o que significa que ela forma uma superfície espelhada. A escolha desse material foi proposital, explica Lalalli, para que os torcedores se vissem refletidos na peça.

“As pessoas tinham uma admiração muito grande pelo Ayrton, só que ele também era um homem muito humilde. Por isso essa ideia do reflexo. Se ele estivesse vivo, eu acho que ele gostaria de poder devolver esse carinho para as pessoas”, explica. O lançamento da homenagem marcará as comemorações de 50 anos de corridas de F1 no Brasil.

Lalalli tinha oito anos quando o piloto morreu, mas diz ter uma lembrança vívida da convivência com o tio, que é irmão da sua mãe, Viviane. “Ele foi um tio muito carismático, que brincava muito com os sobrinhos e estava sempre com a família.”

O resultado, segundo a artista, emocionou os familiares, incluindo a sua avó, que ela afirma ser muito exigente.

“Quando eu fiz a primeira versão, ela já ficou super feliz e me pediu para não mexer mais. Só que por mais que o rosto já estivesse muita parecido, eu sentia que faltava alguma coisa”, diz Lalalli. Ela seguiu fazendo pequenas mudanças na escultura -mesmo comprando uma briguinha com a avó por conta disso.

“E foi muito incrível, porque eu fui mexendo e, de repente, parece que alguma coisa incorporou e era como se o Ayrton tivesse me olhado de volta, depois de muitos anos”, relata.

Por fim, acrescenta ela, a avó Neyde também concordou que a versão final da escultura ficou ainda mais fiel ao piloto.

A escultura “Nosso Senna” faz parte de um projeto maior, que envolverá também a implantação de uma estação interativa no autódromo para que os visitantes possam saber mais sobre a vida e a trajetória do ídolo brasileiro. Essa segunda fase deverá ser inaugurada em fevereiro do ano que vem.

Além disso, todo o processo de elaboração da obra será exibida em um documentário, que deverá ser disponibilizado no YouTube. Para fazer a escultura, Lalalli usou técnicas artísticas diversas e contou com a colaboração de muitas pessoas. Até um robô -o único existente na América Latina para um trabalho desse porte, segundo ela- foi usado.

A peça marca uma nova fase na carreira da sobrinha de Senna, que passou a adotar o nome artístico Lalalli em homenagem ao seu pai, o executivo Flávio Pereira Lalli, que morreu dois anos depois do piloto, em 1996. “O sonho dele era ter sido músico, mas ele acabou virando engenheiro e não conseguiu exercer esse outro lado. Mas ele foi uma grande influência para eu seguir esse caminho artístico”, relata ela, cujo nome de batismo é Paula.

Também compositora de peças orquestrais, a ideia de Lalalli nesta nova etapa de sua carreira é juntar as linguagens da música, da escultura e da animação em suas novas obras. “E quero criar projetos que tenham um impacto positivo para o mundo também.”

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