Santa Casa de Rio Claro

Neste ano nenhuma doação foi concretizada até o momento. Hoje, no Dia Nacional da Doação de Órgãos, hospital em Rio Claro fala da importância do ato

Falar sobre a doação de órgãos ainda é um desafio. No momento do luto, quando a família precisa tomar uma decisão, saber qual era a vontade do ente querido pode fazer toda a diferença. Neste 27 de setembro, Dia Nacional da Doação de Órgãos, a Santa Casa de Rio Claro chama a atenção para a importância de falar em vida sobre o desejo de ser um doador.

Segundo dados do Relatório de Doação do Ministério da Saúde, de cada 14 mil potenciais doadores no Brasil, apenas cerca de 4 mil são efetivados — 29,2%. “Quando o familiar sabe da vontade do doador em vida, a decisão fica menos penosa no momento do luto”, explica Cinthia Santos, coordenadora da Enfermagem da UTI Adulto da Santa Casa de Rio Claro e integrante da EDOT (Equipe Hospitalar para Transplantes).

Credenciada desde 2009 à Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Transplantes (CGSNT), a Santa Casa conta com uma equipe capacitada para atuar no processo de doação. No ano passado, foram registradas nove notificações de potenciais doadores, mas apenas uma doação foi efetivada, possibilitando um transplante de rim. Neste ano, até agosto, nenhuma doação foi concretizada. No período, dois casos de potenciais doadores de coração não chegaram à captação. A demora na decisão dos familiares fez com que o procedimento não pudesse ser realizado a tempo: “Nosso grande desafio é mudar essa estatística e transformar potenciais doadores em doadores efetivos”, declarou Cinthia.

Um estudo da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), com 409 entrevistas com familiares, apontou entre os motivos para a recusa a incompreensão ou não aceitação da morte encefálica (12%), conflitos familiares (11,3%), o tempo prolongado do processo (10,6%) e, principalmente, a manifestação contrária do potencial doador em vida (33%).

Entre 2009 e 2025, porém, a atuação da equipe resultou na captação de oito corações, três pulmões, 56 córneas, 56 rins, 45 fígados, três pâncreas, 13 ossos e dois tendões.

“Um único consentimento pode salvar de oito a 10 vidas. É importante frisar que quando o órgão captado será implantado em região distante da nossa localidade, é acionado um transporte aéreo para assegurar agilidade na implantação no receptor que já se encontra hospitalizado”, finaliza.

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