O Projeto Luquinha completa 20 anos como uma das iniciativas sociais mantidas pela Associação dos Moradores do Jardim Guanabara, que também celebra 25 anos de fundação este ano. Criado para atender crianças da comunidade, o projeto oferece atividades gratuitas no contraturno escolar e mantém ações voltadas a outros moradores do bairro de Rio Claro.
A Associação dos Moradores do Jardim Guanabara foi fundada em 2001. Segundo o diretor-presidente da entidade, Edson Locatelli, posteriormente foi criado o Projeto Luquinha, que atende atualmente uma média de 40 crianças, de segunda a sexta-feira, das 13h às 16h30. O público é formado por crianças de 6 a 12 anos, que frequentam a escola em um período e participam do projeto no outro.
As atividades incluem aulas de balé clássico, violão e natação, além de ações voltadas ao meio ambiente e uma horta. As crianças também recebem três refeições durante o período em que permanecem no projeto. Toda a estrutura é oferecida gratuitamente, sem cobrança de mensalidade ou participação financeira das famílias.
O funcionamento conta com uma parceria com a Prefeitura, que disponibiliza professores, além de estagiários universitários remunerados. A associação também conta com colaboradores voluntários. De acordo com Locatelli, que participa diretamente das atividades, familiares também ajudam nas aulas. Segundo ele, ao longo do tempo recursos próprios foram utilizados para viabilizar parte da estrutura do local, incluindo uma piscina aquecida, playground e uma brinquedoteca.
História de apoio social
Ao completar duas décadas, o projeto representa, para o diretor-presidente, a continuidade de um trabalho iniciado ainda nos primeiros anos da associação. Morador do Jardim Guanabara há 32 anos, ele afirma que acompanha a transformação do espaço, que anteriormente estava abandonado e foi sendo estruturado ao longo do tempo.
“Eu me sinto útil”, resume, ao falar sobre a experiência de acompanhar as crianças praticando esportes, participando das aulas e recebendo alimentação. Para ele, “o trabalho comunitário está ligado à responsabilidade de contribuir com o lugar onde se vive. A ideia é sintetizada por uma frase que conheci em São Paulo, que diz ‘quem não vive para servir não serve para viver’”, afirma ao JC.
O Projeto Luquinha também é um espaço para descoberta de talentos. Entre os jovens revelados pelas atividades estão nomes como Jucielen Romeu e Cauê Bellini, boxeadores revelados no projeto quando havia uma parceria com a tradicional academia MM Boxe. Ambos, posteriormente, conquistaram importantes resultados em competições – incluindo Jucielen, que se tornou atleta olímpica.
Associação
O projeto funciona em uma área ligada a um empreendimento construído pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), formado por casas populares. A atuação da associação, no entanto, vai além do atendimento às crianças. A entidade também auxilia moradores com marmitex, cestas básicas, cadeiras de rodas e muletas, encaminhamentos para assistência social, orientação jurídica e apoio em questões relacionadas aos imóveis.
De acordo com o diretor-presidente, uma das principais demandas atuais da comunidade é o auxílio alimentar. A associação também recebe pedidos relacionados à busca por trabalho, ajudando no encaminhamento de currículos para empresas e estabelecimentos. Ao longo dos anos, a entidade promoveu cursos para adolescentes, alguns dos quais posteriormente conseguiram emprego em indústrias e empresas.
