A manhã pós-incêndio na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro foi de muita comoção e de contabilização dos prejuízos. Toda a área atingida por um incêndio, que teve início na tarde de quarta-feira (31), seguiu isolada por risco de desabamentos, segundo a Defesa Civil.

Em entrevista ao Jornal Cidade, o major Kleber Moura (comandante do 16º Grupamento de Bombeiros) falou que metade do prédio do Instituto de Biociências (IB) conseguiu ser poupada do fogo pela atuação das equipes que trabalharam ininterruptamente por cerca de oito horas.

“Estivemos com 25 bombeiros na ocorrência, sete caminhões nossos e com o apoio de três caminhões-pipa. Foram necessários 120 mil litros de água para conter as chamas, que se espalharam rapidamente. Havia muitos produtos químicos no local, como ácido sulfúrico, ácido clorídrico, hidrogênio, nitrogênio, que eram obstáculos e riscos para os bombeiros. Aproximadamente 1.500 metros quadrados, metade do prédio, foram devastados”, disse a autoridade.

Questionado se o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) do local estava em dia, o comandante declarou: “Não, estavam em processo de regularização”. Já a Universidade ainda não deu declarações sobre a falta do documento, o qual atesta que uma vistoria foi feita e determina que a edificação atende a todos os critérios de segurança e prevenção contra incêndio.

Um boletim de ocorrência foi registrado e, de acordo com a Polícia Civil, a investigação aguarda o laudo pericial que tem previsão de ficar pronto em 30 dias. Algumas testemunhas foram ouvidas e a princípio todas as falas apontam para falha elétrica. A Central de Polícia Judiciária ainda repassou ao JC que, caso se comprove que o incêndio não tenha ‘causa humana’, a questão pode ser arquivada.

Ato na Universidade

Centenas de alunos e muitos professores se reuniram na praça em frente à Universidade na tarde de ontem (1º), para um ato de cobranças sobre a tragédia educacional vivenciada no câmpus. Cartazes com os dizeres “Contra o sucateamento da educação” e “IB resiste” foram levados por estudantes.

“Pra gente é um sentimento de angústia, de tristeza. Eu lamento a perda que a ciência teve. Ver tudo virar cinzas em meio a tantas dificuldades e, sabendo que já era de conhecimento a necessidade de uma reforma, dói. Estou há cinco anos aqui, prestes a fazer meu TCC e nunca vi uma movimentação acerca disso, a não ser coisas pontuais e simples como troca de lâmpadas, etc…”

Rafael André Soave, aluno de Geografia

“Dentro do movimento estudantil a gente sempre fala que a Unesp é a prima pobre das estaduais paulistas. O descaso que acontece não pode simplesmente ser colocado debaixo do tapete de novo. Precisamos cobrar das autoridades que o máximo de investimento seja feito neste instituto, nesse câmpus, para que todo esse sofrimento seja de alguma forma amenizado”

Tayna Wine, Presidente da União Estadual dos Estudantes

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