Ao longo de pouco mais de uma década, população aumentou em cerca de 20 mil habitantes, segundo prévia do Censo 2022

O município de Rio Claro deixou há muitos anos o conceito de “cidade pacata”. Isso porque não são apenas as novas dezenas de bairros que estão surgindo e fazendo com que o território seja cada vez mais ocupado, tampouco pelo pulsante comércio e setor industrial, mas porque propriamente a população rio-clarense está crescendo. Em menos de 12 anos, foram mais de 20 mil novos habitantes que passaram a integrar a comunidade. Em levantamento do Jornal Cidade com dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registra-se um aumento de 11,11% na população local em comparação entre o Censo 2010 com a prévia do Censo 2022. De 186.253 pessoas, subiu para 206.950 o número de habitantes.

Na década passada, o IBGE apontava Rio Claro como o 143º maior município do País. Ainda não se sabe a classificação atual, visto que os trabalhos do novo censo prosseguem e devem ser concluídos nas próximas semanas. O número atual foi levantado até a última semana de dezembro passado e disponibilizado para o Tribunal de Contas da União, uma vez que a quantidade populacional é utilizada para o cálculo do Fundo de Participação dos Municípios.

De acordo com Rodrigo Pucci, coordenador de área do Censo Demográfico do IBGE em Rio Claro, municípios abaixo de 170 mil habitantes já tiveram a cobertura finalizada. “Já percorremos todo o município. O que estamos fazendo agora é reabrir setores e tentar encontrar moradores que não encontramos na primeira vez. Nos municípios acima de 170 mil, como é o caso de Rio Claro, ainda temos alguns setores que não percorremos totalmente, estamos neste processo. Provavelmente faremos todo o percurso até o dia 15 e daremos continuidade nessas revisões”, comunica.

Queda Populacional – Dentro do contexto do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), a administração municipal poderá sofrer algum tipo de atualização quanto aos valores que podem ser repassados. Isso porque, até o momento, em comparação com a última estimativa populacional anual divulgada pelo IBGE em 2021, houve apontamento de queda populacional em Rio Claro em comparação com 2022. Até o ano retrasado, estimava-se uma população de 209.548 pessoas.

No comparativo, há até agora uma redução de 1,24%. Ainda que pareça irrisório o índice, ele é considerável para os novos cálculos junto ao FPM. No ano de 2022, a transferência para Rio Claro chegou a R$ 97.884.336,04 (milhões), segundo dados oficiais do Tesouro Nacional. Já em 2010, ano do último Censo oficial, o valor do repasse do FPM chegou a R$ 29.845.390,53 (milhões). O número final da população será atualizado até em março.

A redução da taxa de crescimento já era esperada pelo IBGE. De acordo com o coordenador Pucci, para os municípios de médio e pequeno porte abaixo dos 170 mil habitantes, a prévia é bastante próxima do que será apresentado neste trimestre. “O que se percebeu em todo o País é que houve um crescimento abaixo do que havia acontecido nas outras décadas. A população está envelhecendo, a maior faixa é de adultos entre 30 e 40 anos e nas próximas duas décadas há demógrafos que dizem que o País vai começar a encolher”, comenta Rodrigo. A estimativa, por conta da defasagem, vai incorrer sobre o FPM. “Isso gera um transtorno para os municípios”, acrescenta.

Em Santa Gertrudes, por exemplo, esse receio já é realidade dentro da Prefeitura. O chefe do Poder Executivo, Lázaro Gino (PL), comentou em entrevista ao Grupo JC de Comunicação sobre essa queda populacional e como isso vai influenciar os repasses do FPM. Ele se disse surpreso com o resultado prévio do Censo 2022. “Nós imaginávamos Santa Gertrudes passando de 30 mil habitantes. De repente começamos a observar que no Censo atual caiu para quase 24 mil habitantes. É estranho porque aumentou o número de carnês de IPTU. Também verificar número de eleitores e alunos nas escolas. A tendência é aumentar, não diminuir”, diz.

De acordo com Gino, há uma estimativa de se perderem R$ 4 milhões em repasses do Fundo de Participação dos Municípios diante do resultado da prévia demográfica. A Prefeitura de Rio Claro foi questionada, através da Secretaria Municipal de Economia e Finanças, sobre o impacto desse cálculo junto ao FPM, porém não retornou ao contato da reportagem até o fechamento desta matéria.

Região – Considerando a microrregião, o Censo 2022 também apresenta os dados atualizados da prévia da população nas cidades próximas a Rio Claro: Cordeirópolis (26.585), Santa Gertrudes (23.721), Ipeúna (7.538), Itirapina (16.157), Analândia (4.577) e Corumbataí (4.667). Ao se considerar a região de Rio Claro, a qual compreende os municípios de grande porte, temos: São Carlos (256.898), Araraquara (250.304), Limeira (305.169), Piracicaba (434.432), Araras (131.300) e Leme (97.516).

Disque-Censo 137 – Os dados levantados foram respondidos através do Censo Demográfico 2022 até o último dia 25 de dezembro e mostram que o Brasil chegou a 207.750.291 habitantes. Até a data, 83,9% da população já havia sido recenseada, somando 87,7 milhões de domicílios particulares e mais de 178 milhões de pessoas. O Censo 2022 está em campo realizando coletas desde 1º de agosto e continuará durante o mês de janeiro de 2023.

Já o Estado de São Paulo, conforme a prévia do IBGE, chegou a 46.024.937 milhões de habitantes. Os moradores de domicílios onde ainda ninguém respondeu ao Censo 2022 devem ligar para o Disque-Censo 137, que atende a todos os estados do país. O serviço será disponibilizado de forma gradativa nos municípios de acordo com o andamento da coleta em cada local.

Crescimento x Políticas Públicas – O secretário municipal de Habitação e Planejamento, Agnelo Matos, lembra que neste cenário, em seu ponto de vista, essa redução de crescimento se explica pela pandemia da Covid-19. “Na situação, em seu pior período, foram confirmados mais óbitos do que nascimentos e que também levou muitos casais a repensarem seus planos de terem filhos em razão dos riscos à saúde e à estabilidade econômica”, afirma.

Sobre a questão habitacional, ele verifica nesse resultado preliminar que houve uma redução drástica nos investimentos federais a partir de 2016, e isso gerou um aumento do déficit habitacional para famílias de baixa renda. “A Prefeitura de Rio Claro, mesmo sem contar com recursos federais, vem elaborando projetos para reduzir este déficit até o final de 2024. Para as famílias com renda superior a três salários mínimos, acreditamos que os empreendimentos verticais (prédios) e horizontais que estão sendo executados pela iniciativa privada, em parceria com a Prefeitura, contribuirão para reduzir o déficit para esta faixa de renda, num curto espaço de tempo. Basta andar pelas várias regiões da cidade e verificar os empreendimentos que estão sendo construídos”, pontua.

E para nortear o crescimento sustentável da cidade, “visando atender aos novos desafios no crescimento populacional e territorial de Rio Claro, de maneira ordenada, com qualidade de vida, bem-estar social, geração de emprego e renda e sustentabilidade econômica e ambiental, o Poder Executivo elaborou proposta para atualização do Plano Diretor de Desenvolvimento. Esse processo ocorreu de forma participativa, tendo sido realizadas inúmeras consultas públicas, em várias regiões da cidade, momento em que foram levantadas as demandas de planejamento da cidade para serem priorizadas pela administração municipal”, finaliza.

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