Nos últimos meses, o Jardim Público de Rio Claro começou a receber novos bancos em substituição às antigas peças existentes no local. Vários bancos antigos estavam danificados pelo tempo e pelo vandalismo. Para os visitantes mais antigos, porém, chamou a atenção a retirada das peças históricas, que carregam tanto as lembranças de quem viveu momentos no local como também uma parte importante da trajetória econômica do município, já que em cada um consta a marca do patrocinador, empesas que foram importantes no passado, muitas já extintas.

Temendo que os históricos bancos passem a existir somente na memória dos visitantes mais antigos, o músico Narciso Trevilatto, de 88 anos, decidiu fazer um registro de cada peça antiga, criando uma espécie de “galeria” dos bancos. São 73 bancos registrados nas fotos que o músico faz com seu próprio celular. Faltam apenas algumas unidades, que neste momento estão encobertas por barracas, mas que logo também já estarão devidamente fotografadas. “Acho importante preservar essa história, muitas indústrias, lojas e outros estabelecimentos que hoje não existem mais têm suas marcas nos bancos do Jardim”, explica o aposentado. Após a conclusão do trabalho, pretende doar o acervo para o Museu Amador Bueno da Veiga, para que as futuras gerações possam conhecer como era a praça e também as empresas que um dia existiram em Rio Claro. No vídeo disponível no canal do JC no YouTube é possível conferir as imagens que trazem curiosidades nas propagandas das empresas, como os números de telefone com apenas dois dígitos.

Apaixonado por música e história, Trevilatto já foi integrante do tradicional Demônios da Garoa, símbolo do samba na capital paulista. Deixou o grupo, mas não a música. No próprio jardim, participou da criação do movimento dos seresteiros que culminou com a instalação do Recanto da Saudade, palco de grandes encontros com músicos e o público, sempre ao lado da esposa Dora Russo Trevilatto.

Em 2014, as duas praças que formam o Jardim Público, e já foram divididas pela Avenida 1, foram declaradas patrimônio histórico de São Paulo pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). A partir do tombamento, todas as reformas e mudanças precisam de aprovação prévia do órgão. A história do jardim começa por volta de 1850, quando o barão de Grão Mogol passou a defender a necessidade de implantação do espaço onde hoje estão mais de 100 espécies de árvores e plantas, além de monumentos, pontos de comércio e pontos de lazer.

Ponto de encontro em todas as fases

Na vida de Trevilatto, o Jardim Público foi e é cenário de muitos momentos. “Na minha juventude, aqui era o ponto de encontro, onde muitos casais se conheceram, como eu e minha esposa Dora”, relembra. No local há também o banco com a propaganda do Panqueca’s, casa noturna que marcou época e era muito frequentada pelo casal que construiu mais de 50 anos de trajetória até o falecimento de Dora Russo Trevilatto, bancária aposentada e cantora, em 2019.

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