Os índices de qualidade do ar na microrregião de Rio Claro estão sendo acompanhados de perto pelas autoridades. Na última semana, foram vários os dias em que o sistema de monitoramento da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) apontou como “ruim” a qualidade do ar em Rio Claro e Santa Gertrudes. Somente nesse sábado (6) que o levantamento voltou a pontuar com índices que classificam como “moderada”, que antecede a qualidade “boa”.

Na sexta-feira (5), o prefeito da cidade vizinha, Lázaro Gino (PL), ressaltou que nos dias em que não houve a extração de argila, quando caminhões passam por estradas vicinais não pavimentadas, outros veículos que transportam a moagem da cana-de-açúcar mantiveram os serviços e transitaram pelos trechos, o que pode ter contribuído para a emissão de partículas de poeira na atmosfera, gerando poluição.

“Estes meses são do corte de cana, não vamos só criticar o transporte de argila, porque agora está sendo feito o corte na região e as partículas você vê, estivemos presentes, muitos caminhões passam, principalmente das usinas, e jogam muitas partículas. É com isso que a gente quer acabar”, explica Gino.

A administração municipal de Santa Gertrudes chegou a solicitar às usinas para que molhassem as estradas de terra, fato ocorrido, para que de forma paliativa a poeira diminuísse, já que há meses não chove significativamente na microrregião. “Estava insuportável o nível de poeira”, declarou.

As principais estradas estão em obras de pavimentação pelo Governo do Estado de São Paulo, o que tornará o combate à poluição mais eficaz. “Existe a poeira por ainda não ter o asfalto, mas sim a área de terra, assim a partícula continua”, acrescenta o prefeito. “Para 2023 terminaremos isso para que a qualidade de vida, não só de Santa Gertrudes, mas de toda a região, melhore muito”, diz.

Gino lembra que por parte da indústria cerâmica já há controle quando a qualidade do ar piora conforme indicação da Cetesb. Isto é, a extração é suspensa temporariamente, fato que ocorreu nos últimos dias. Consultada, a Associação Paulista das Cerâmicas de Revestimento (Aspacer) confirmou as paralisações nas áreas de mineração de argila.

De acordo com a entidade, dentro dos últimos 15 dias, em 12 deles houve interrupções totais e parciais nas atividades de extração, transportes e nos pátios de secagem. A Aspacer salientou, ainda, que há uma preocupação muito grande de toda cadeia produtiva com o desabastecimento do setor, pelo fato de a argila ser o principal insumo da indústria cerâmica.

A reportagem tentou contato com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) para falar sobre o tema, mas não obteve retorno. Em reportagem anterior, a entidade havia informado que o ponto mais importante a destacar no âmbito da qualidade do ar é que o etanol de cana-de-açúcar tem contribuído significativamente para a redução de emissões de CO2 e, consequentemente, para a qualidade do ar, especialmente nos grandes centros urbanos brasileiros.

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