Djalma Adilson Christofoletti e a esposa Thais Andrade Tavares junto com os filhos Isaac (4 anos) e Isabela (10 anos)

Mãe que deu início a Faculdade de Psicologia para entender e ajudar os filhos e também outras crianças com Transtorno do Espectro Autista fala da importância do diagnóstico precoce, do amor no dia a dia e da inclusão

Thais Andrade Tavares, 29 anos, se considera uma mãe em constante evolução. Casada com Djalma Adilson Christofoletti, 46 anos, teve dois filhos: Isabela (10 anos) e Isaac (4 anos). As duas crianças foram diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista mas isso só aconteceu depois de muita luta do casal, que percebia que algo não ia bem no desenvolvimento dos filhos.

“Eu digo que a Isabela perdeu a primeira infância por conta do diagnóstico tardio. O meu sinal de alerta acendeu quando iniciei a introdução alimentar e ela não aceitava. Ela sentia ânsia de vômito e eu levava na pediatra que dizia que não era para insistir, que quando ela sentisse fome, ia comer. Depois vieram os problemas na fala e na coordenação motora. Ela balbuciava algumas coisas com um ano e seis meses mas quando completou dois anos regrediu e simplesmente parou de falar. Cheguei a questionar sobre autismo mas a Isabela sempre foi uma criança sociável e os médicos diziam que eu estava maluca. Procurei então ajuda com uma fonoaudióloga que disse que a Isabela tinha ‘apraxia de fala’ – um distúrbio neurológico que afeta a condição motora da fala, criando dificuldades na pronúncia de palavras, sílabas e sons. Diante do que a profissional assinalou iniciamos o tratamento com sessões semanais que se estenderam até os sete anos da minha filha”, revela Thais.

Acontece que neste processo e mesmo fazendo o tratamento com a fonoaudióloga Thais e o marido se desesperaram porque notaram que não conseguiam mais se comunicar com a filha: “Era tudo através de gestos e desenhos. Foi uma fase bem desafiadora e difícil”, relembra. Em meio a esse turbilhão que envolvia estabelecer um contato com a filha, Thaís engravidou de Isaac que com um ano e seis meses apresentou também dificuldades na fala só que com um porém: ele não tinha interação social.

“Foi então que eu marquei uma consulta em Piracicaba com a Dra. Deborah Kerches que atua na Neuropediatria, Saúde Mental Infantojuvenil além de ser especialista em Transtorno do Espectro Autista. Fomos com a Isabela e o Isaac no consultório e foi através dela que descobrimos que os dois eram autistas. A partir daí tivemos um direcionamento e tudo começou a fluir melhor. Isaac por ter esse diagnóstico mais cedo, antes dos dois anos, foi beneficiado. Já Isabela, como eu disse no início da entrevista, perdeu anos preciosos mas estamos fazendo de tudo para que daqui pra frente ela tenha novas oportunidades e posso afirmar com certeza que ela evoluiu muito já”, pontua Thais.

Toda vivência e o amor pelos filhos fez com que Thais ingressasse na faculdade de Psicologia estando hoje no terceiro semestre: “Eu sei o quanto foi difícil encontrar profissionais de psicologia que pudessem atender meus filhos. Ou eram psicólogos convencionais ou que não atendiam crianças. Hoje eu quero ser esse norte que eu tanto busquei e por isso estou estudando e vou me especializar. Não só pelos meus filhos mas quero também ser a profissional que vai ajudar outros pais e crianças”, revela.

Por fim Thais afirma que a conscientização e o conhecimento sobre o autismo possibilitam maior acolhimento, apoio, respeito, inclusão e a luta contra rótulos e preconceitos: “Possuem um jeito único de aprender, brincar, se desenvolver, relacionar, comunicar, de superar desafios, de ver e viver a vida e merecem um mundo acessível onde todos ao redor acreditem e contribuam para que suas vidas possam ser transformadas”, finaliza.

A sua assinatura é fundamental para continuarmos a oferecer informação de qualidade e credibilidade. Apoie o jornalismo do Jornal Cidade. Clique aqui.

Mais em Dia a Dia:

Programa combate lentidão na abertura de empresas

Jucielen vence bicampeã nos EUA