O ditado popular de “quem vê cara não vê coração” se encaixava no perfil de Marcos Antonio Tofolo, o Kerozene, que morreu no último dia 29 de outubro, aos 65 anos, em Rio Claro. Fundador do motoclube Motorhead, Kerozene ostentava tatuagens, roupas pretas e outros acessórios geralmente associados a uma fama de “durão”, mas nas atitudes demonstrava uma dedicação aos mais necessitados que deixou muitos frutos. Prova disso foram as declarações de agradecimento e lamento que se multiplicaram nas redes sociais após seu falecimento, postadas por entidades e pessoas beneficiadas pelas doações que ele ajudou a arrecadar ao longo da vida.

Quem relata a trajetória de Kerozene é seu único filho, Ricardo de Carvalho Tofolo, o Lubis, também integrante do motoclube. “Desde 2007, quando o motoclube foi fundado, meu pai já deu início às campanhas de arrecadação para ajudar famílias carentes. Começamos com brinquedos, mas depois vieram outras arrecadações, como de cobertores, agasalhos, alimentos, material hospitalar e até ração para cães”, relembra Lubis. Até mesmo durante o período em que esteve internado, por mais de um mês, antes de falecer na Santa Casa de Misericórdia de Rio Claro, Kerozene acabou colaborando indiretamente com o hospital. “Ficamos sabendo da necessidade de fraldas e sabonete líquido para os pacientes, e já começamos a arrecadar. E vamos continuar”, planeja o filho.

Instrutor de autoescola aposentado, profissão que também contribuiu para que ficasse muito conhecido em Rio Claro, Kerozene sempre foi um apaixonado por motos. Quando tentou entrar para um dos motoclubes da cidade, porém, foi surpreendido pela informação de que não poderia participar porque sua moto era muito antiga e não tinha cilindradas suficientes. “Foi daí que ele decidiu montar o Motorhead, do qual até mesmo pessoas que não tinham moto já participaram, inclusive com integrantes de outras cidades”, explica Lubis. Com a saúde prejudicada por um quadro de diabetes e insuficiência renal, Keroneze não resistiu a outras complicações e faleceu após permanecer um mês internado na Santa Casa.

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