Há 50 anos, Gurgel abria suas portas em Rio Claro

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A cidade de Rio Claro faz parte da história da fabricação de carros nacionais. A Gurgel, empresa internacionalmente conhecida, se instalou no município em 1969. Em 1994, a Justiça decretou a falência da empresa e, assim como todos os outros acontecimentos envolvendo a montadora, foi noticiada no JC.

De acordo com José Afonso Baldissera, que atuou como assessor de imprensa da montadora na época, o local foi estrategicamente escolhido pelo proprietário da empresa. “O engenheiro João Augusto Conrado do Amaral Gurgel escolheu Rio Claro pela posição geográfica do município e em uma área servida na frente e ao lado por rodovias e atrás pela ferrovia. Isso facilitaria muito a logística da empresa. Outro fator importantíssimo é que os seus carros tinham carroceria de fibra e aqui em Rio Claro tinha se estabelecido a primeira fábrica deste produto, a Fiberglas, hoje a Owens Corning. Matéria-prima essencial para a fabricação dos carros, a menos de 10 km da fábrica”.

Segundo Baldissera, a cidade passou a ser um polo importante do setor automobilístico. “Na época só existiam 4 montadoras no país: Volkswagen, Fiat, GM e Ford. A Gurgel foi a 5ª montadora a se estabelecer. Um orgulho para o município, que passou a ser conhecido em todo o Brasil e mais tarde em muitos países para onde eram exportados os utilitários da Gurgel. Outro fato importante foi que a cidade ganhou tecnologia, desenvolvimento e oferecendo emprego para muita gente.”

Considerado um homem à frente do seu tempo, Dr. Gurgel, como era conhecido, participava de todas as invenções dentro da empresa. “Era uma pessoa muito trabalhadora, a primeira que chegava na empresa e sempre quase a última a sair. Um exemplo para todos. Independente dos carros utilitários Tocantins, Carajás, G800 e o esportivo Xef, a Gurgel foi a primeira indústria automobilística a lançar o Carro Elétrico – inclusive tinha um posto de abastecimento em frente à Prefeitura, na Rua 3. Ficou lá por muito anos. Agora o mundo comemora o lançamento do carro elétrico. A Gurgel já tinha lançado na década de 80”, relembra José Afonso.

A montadora acabou entrando em falência na década de 90, mas os apaixonados pelos carros são encontrados em todos os cantos do país. “Os utilitários da Gurgel (Tocantins, Carajás, G800) por serem de fibra que não enferrujavam eram comprados às frotas para atender especialmente o litoral brasileiro. Frotas para muitos órgãos federais, estaduais e municipais. Eram utilitários que respondiam a todo tipo de trabalho. O gosto dos brasileiros pelos carros Gurgel ainda continua hoje, peças raras que estão nas mãos de muitos colecionadores”, finaliza Baldissera, que ainda tem um Tocantins 1989.

Paixão pela Gurgel segue forte

O empresário Guido Dantas é um dos apaixonados pelos carros da Gurgel. “Eu morava em São Paulo e vim morar em Rio Claro em 1992. Já tinha um Gurgel BR 800. Minha paixão já era bem antiga, quando a Gurgel faliu, em 1994. Eu tenho na minha coleção um Super Mini 1994 todo original, com o selo no para-brisa do jeito que foi fabricado. Cheguei a ter um modelo de cada, hoje tenho vários de cada modelo. Vai aqui um forte abraço a todos que curtem como eu o Clube do Gurgel Made in Brasil. A montadora ficou só na história do município”, finaliza.

Dantas posa ao lado de alguns modelos da Gurgel

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1 COMENTÁRIO

  1. SAUDADES POIS TRABALHEI NA GURGEL, ERAM MAIS DE 1500 PAIS DE FAMILIA QUE TRABALHAVA NA MESMA, PODERIA ESTAR DE PE ATE HOJE SE OS POLITICOS NA EPOCA AJUDAÇEM MAS INTEREÇES ALHEIOS DE POLITICAGEM A QUEBRARAO OU O MAIS CERTO PUCHARAO O TAPETE DO SR. GURGEL TRISTE E LAMENTAVEL!

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