A reportagem do Jornal Cidade conversou com Wiley Reis, mãe da criança de sete anos que está internada com o diagnóstico positivo de febre maculosa. No relato, a mãe falou sobre estado de saúde do filho e questionou os atendimentos que recebeu tanto na UPA da 29, quanto no Cervezão. Atualmente o menino está internado na UTI da Santa Casa de Rio Claro. No hospital, a mãe afirma que tem recebido todo o suporte no delicado momento.

JC: Quando a criança começou a apresentar os primeiros sintomas?

Mãe: “No dia 24 de julho ele começou a apresentar algumas marquinhas como se fossem picadas no braço. Parecia uma alergia e passou a reclamar de dores na perna. Teve febre acima de 39 graus. No dia seguinte, 25 de julho, uma terça-feira, procurei a UPA da 29 e a médica solicitou exames de sangue e urina. Tomou soro com dipirona e foi liberado. Em casa já, a febre voltou. No dia seguinte com mais dores e febre acima dos 40 graus retornei à UPA da 29 e questionei se não poderia ser dengue ou febre maculosa, mas o profissional me disse que era algo viral, para eu não me preocupar. Me repassou novos medicamentos, antialérgico e liberou o meu filho. Vendo que ele não estava bem ao sair da UPA da 29, fui até a UPA do Cervezão e a médica o avaliou e disse que ia tratar como febre maculosa o caso, me deu uma receita e disse que o tratamento ia ser em casa. Ao sair de lá fui até a farmácia, mas a receita estava sem assinatura e não me venderam. Voltei novamente à UPA do Cervezão e nisso tinha acontecido a troca de plantão. Aguardei mais uma hora para ser atendida por uma outra médica. Já era noite e eu desde manhã tentando resolver isso com meu filho passando mal. Quando essa outra médica nos atendeu afirmou que não era febre maculosa e o que o meu filho tinha era a doença ‘pé-mão-boca’, mudando o tratamento. Afirmou que ela era pediatra e que até domingo, no caso dia 30, meu filho já ia estar melhor”.

JC: Como foram os dias seguintes?

Mãe: “Na quinta, 27 de julho, ele passou o dia febril e eu dando o remédio para febre em casa. Na sexta o avô dele foi internado e na madrugada já morreu. Aquilo me acendeu mais uma alerta que poderia ser febre maculosa, mas como a pediatra tinha me dito que era ‘pé-mão-boca’, eu estava tratando como ela me orientou. Já no domingo, dia em que a médica me disse que meu filho estaria melhor, foi quando o quadro se agravou. Ele passou a reclamar de dor no coração e eu corri novamente para a UPA do Cervezão. Ele deu entrada com os batimentos cardíacos muito acelerados e imediatamente foi colocado no soro. Neste momento apareceram mais inúmeras pintinhas no braço dele e os exames feitos nele na hora deram extremamente alterados, o que levou ao pedido de internação na Santa Casa. No dia 31 de julho ele já estava na UTI e desde então segue no mesmo local”.

JC: Você afirma então que foi uma semana sem o tratamento adequado?

Mãe: “Exatamente. Foram duas passagens pela UPA da 29 mais duas pela UPA do Cervezão com diferentes profissionais, onde cada um me disse uma coisa. Em várias oportunidades eu questionei sobre dengue, febre maculosa. Sabemos que o quanto antes o tratamento se inicia é melhor. Meu filho foi medicado com remédio para febre e antialérgicos. Somente quando o quadro ficou muito grave, que houve a morte do avô e que meu filho internou, é que passaram a olhar com mais atenção. Não houve entendimento e essa negligência agravou a situação, tanto é que ele segue na UTI, sedado e intubado”.

O que diz a Fundação Municipal de Saúde

Confira a nota enviada ao JC: “Em relação ao ocorrido, a Fundação Municipal de Saúde está acompanhando o caso desde o seu início, tanto que o diagnóstico de febre maculosa só foi possível pela insistência que a Vigilância Epidemiológica teve para esclarecer o caso. Em relação a este ocorrido, a Fundação está levantando todos os atendimentos realizados em suas unidades para, de fato, apurar com toda a serenidade e rigor se, em algum momento, houve conduta fora dos protocolos que o caso necessitava. A Fundação está empenhada para, com transparência, avaliar o ocorrido. É importante também salientar que a febre maculosa pode ser muito grave e fatal e, por isso, a Fundação precisa da colaboração da população em respeitar as normas de cuidados que a Vigilância Epidemiológica, em conjunto com os demais profissionais da Saúde, determinou para que não haja a contaminação de mais pessoas. A Fundação salienta ainda que nas UPAs há um protocolo de atendimento, elaborado por profissionais especialistas, direcionado aos casos suspeitos. Além disso, a Fundação também tomou o cuidado preventivo de junto ao DRS aumentar seu estoque da medicação ideal para o tratamento desta doença, se tivermos novos casos. Neste momento, a Fundação está acompanhando o caso do paciente internado e é solidária com os familiares”.

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