A experiência das mãos do pintor Rui Gomes já dura três décadas, mas há oito meses ganhou um reforço e tanto no trabalho do dia a dia: a companhia da filha Lorena Augusta Gomes, que se tornou seu braço direito. “Eu sempre saía para trabalhar de manhã e ela ficava em casa depois da aula e reclamava que não fazia nada. Nos primeiros dias percebi que estava meio receosa, mas depois do primeiro pagamento tudo mudou”, diz Rui.

Aos 16 anos, a jovem atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio e viu no pai a primeira grande oportunidade de correr atrás das conquistas. Essa parceria surgiu depois de um descuido dela: “Na verdade, eu perdi meu celular e fui pedir outro para o meu pai. Aí ele me disse que não iria me dar, porque já tinha comprado vários e que desta vez eu teria que trabalhar. Ele me disse que tinha o serviço dele e que, se eu aceitasse, eu poderia começar no dia seguinte e que iria me pagar pela ajuda. Eu fui e com três semanas eu consegui comprar meu celular. Isso me motivou muito e eu não parei mais”, conta Lorena.

Mas para quem pensa que nesse vínculo afetivo tem moleza se engana. Rui soube desde o início diferenciar o papel de pai do de patrão e, nessa jornada de descobertas e união, ambos ganharam: “Para mim é um orgulho, porque é difícil conseguir mão de obra e ter minha filha comigo é muito bom”.

“A melhor coisa é trabalhar com o pai. Posso dizer que a nossa relação mudou muito em razão disso, nos tornamos mais próximos. Ele me ensinou muita coisa já, desde o mais básico até o mais difícil. Na verdade, eu já sei até pintar uma casa sozinha. Eu tenho muito orgulho dele, da profissão dele e do que tem feito por mim”, disse Lorena.

O sonho da jovem é ser professora um dia, mas enquanto essas mãos não lecionam seguem aprendendo com a supervisão de seu primeiro professor na vida, seu pai, para ela um grande homem e herói: “Nesse Dia dos Pais quero agradecer a ele por tudo o que fez e faz por mim”, finalizou Lorena.

Paizão e Paixão nas quadras

Aos 39 anos, Eric Romualdo (o Tatu) é pai de dois meninos: Gabriel (12 anos) e Miguel (5 anos). Ídolo que marcou época em Rio Claro, escreveu seu nome no basquete com carreira sólida e títulos como Campeonato Paulista, Brasileiro e Liga Ouro. A aposentadoria do esporte que mais amou veio, porém um pedido do primogênito Gabriel fez com que Tatu mudasse a posição de armador para torcedor.

“Gabriel pegou minha fase nas quadras, mas eu sempre o deixei livre em relação ao futuro profissional. Como pai e atleta, sempre incentivei a prática esportiva em várias modalidades. Claro que, na hora de pegar uma bola e jogar com ele, a primeira era de basquete, mas tudo muito em aberto. Até que me pediu para participar de campeonatos e hoje integra a categoria sub-12 do time do Clube de Campo”, conta Tatu.

Esse início de caminhada do filho fez com que Tatu conhecesse outras sensações que ele até mesmo descreve, com um sorriso no rosto, como difíceis de lidar: “Como jogador eu já tive em minhas atuações a responsabilidade da bola do jogo, o ponto da partida. Momentos inesquecíveis e vibrações indescritíveis, porém nada se compara ao assistir a um jogo do Gabriel como torcedor, como pai. Confesso que é mais fácil estar dentro de quadra”, afirma.

Já Gabriel descreve o pai como alguém em quem ele se espelha e admira. Ter em casa alguém com tanta experiência é no mínimo um privilégio: “Eu sempre gostei de basquete e no ano passado eu falei que queria jogar campeonato e não só treinar. Meu pai me apoiou e a palavra que ele mais fala pra mim é ‘mentalidade’. Em quadra eu tenho um técnico, mas fora eu tenho um pai, um amigo e sem dúvida um grande professor. Ele me ensina grandes coisas todos os dias, entre elas que é preciso ter calma e que nunca devemos apressar um jogo. Tenho muito orgulho dele e espero também que ele se orgulhe de mim nesta caminhada”, disse Gabriel, que fez questão de participar da reportagem com a camisa de basquete com o nome do pai “Tatu”.

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