Folhapress

O varejo brasileiro deve contratar 109,4 mil trabalhadores temporários em razão das vendas de Natal em 2022, projetou nesta quarta-feira (26) a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

Se o número for confirmado, será o maior patamar em nove anos, ou desde 2013. À época, o número de contratações temporárias havia chegado a 115,5 mil.

A estimativa de 2022 está ancorada em uma previsão de alta de 2,1% para as vendas natalinas, após dois anos de queda (-2,7% em 2020 e -2,1% em 2021).

Segundo o economista Fabio Bentes, da CNC, a volta da circulação dos consumidores nas lojas tende a estimular os negócios depois das restrições na pandemia.

Sinais de reação do mercado de trabalho e a recente trégua da inflação também devem ajudar, embora os juros estejam elevados no país, indica Bentes.

“Isso tende a favorecer o aumento das vendas em determinados segmentos. Neste ano, hipermercados e supermercados e vestuário, mais do que nunca, vão puxar o crescimento das vendas do varejo após dois anos de queda”, afirma.

“Claro, isso não vai fazer com que as vendas explodam, até porque as condições de consumo neste momento ainda não são das mais favoráveis”, pondera.

Em 2021, o varejo contratou 97 mil trabalhadores temporários para o Natal, de acordo com a CNC. Naquela ocasião, a variante ômicron do coronavírus representou um dos entraves para a expansão das vendas.

Se a projeção de 2022 for confirmada (109,4 mil), o número de vagas temporárias terá crescimento de quase 13% frente ao ano passado.

“Dois meses antes dos Natais de 2020 e 2021, a circulação de consumidores no varejo ainda estava, respectivamente, 22,1% e 4,8% abaixo do nível pré-pandemia”, afirma a CNC.

“Atualmente, o fluxo de consumidores nas lojas se encontra 3,1% acima do período imediatamente anterior ao início da crise sanitária”, emenda.

As previsões da entidade são baseadas em aspectos sazonais de admissões e desligamentos no comércio varejista, registrados no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do governo federal.

Segundo a CNC, os maiores volumes de contratações devem se concentrar nos ramos de hipermercados e supermercados (45,53 mil) e vestuário (25,88 mil).

O primeiro segmento é o maior empregador do varejo e costuma se destacar pelo número absoluto de vagas ofertadas. Enquanto isso, as lojas de vestuário, acessórios e calçados são, historicamente, as mais impactadas pelo período natalino.

A CNC projeta taxa de efetivação dos trabalhadores temporários de 11% após o Natal de 2022. O percentual é inferior ao do ano passado, quando o varejo efetivou 15% dos contratados.

“Após o Natal de 2021, o varejo ainda estava repondo as vagas que haviam sido fechadas nas duas primeiras ondas da pandemia, de modo que boa parte dos contratados após a principal data do varejo relacionava-se à recomposição dos quadros do setor”, diz a entidade.

“Além disso, ao contrário de 2021, a perspectiva de crescimento econômico para o ano seguinte é menor ao final de 2022 do que era um ano atrás”, completa.

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