Folhapress

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), 43, foi reeleito neste domingo (2) em primeiro turno, segundo a apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Castro obteve 58,33% dos votos válidos. Ele superou o deputado Marcelo Freixo (PSB), seu principal adversário e segundo lugar na disputa, com 27,62%, e o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT), com 8,03%.

Aliado de Jair Bolsonaro (PL), Castro fez uma campanha na qual defendeu o presidente, mas não aderiu a bandeiras bolsonaristas. Na reta final, acenou para o ex-presidente Lula (PT), até então favorito na disputa nacional, declarando não ver ameaças em seu eventual retorno à Presidência da República.

A estratégia tinha como objetivo se apresentar como única opção dos bolsonaristas no estado e, ao mesmo tempo, se aproximar do eleitorado mais pobre que tinha intenção de votar no petista. O plano deu certo e, na reta final, Castro se distanciou de Freixo até garantir a vitória neste domingo.

A campanha de Castro foi calcada na apresentação de projetos já inaugurados ou em curso com dinheiro obtido com a concessão do serviço de saneamento básico do estado. A licitação injetou R$ 22 bilhões nos cofres do estado e permitiu a inauguração de pontes, praças e o início de outras obras que auxiliaram na divulgação de seu nome no interior.

Advogado formado pela UniverCidade, Castro é também cantor gospel ligado ao movimento de Renovação Carismática da Igreja Católica. Ele iniciou sua trajetória política como assessor parlamentar do ex-deputado Márcio Pacheco, tendo sido eleito vereador no Rio de Janeiro em 2016.

Castro foi eleito vice-governador em 2018 na chapa de Wilson Witzel, o ex-juiz que surfou na onda bolsonarista daquele ano. Assumiu o Palácio Guanabara em agosto de 2020 após Witzel ser afastado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) sob acusação de corrupção na saúde -o impeachment seria confirmado em abril do ano seguinte.

O governador reeleito também foi investigado no esquema que afastou seu antecessor, tendo sofrido busca e apreensão. Ele não foi denunciado no caso, mas passou a ser alvo de outras investigações. Dois delatores afirmam que Castro recebia propina quando vereador e vice-governador.

Ao longo da campanha, Castro também sofreu reveses. Uma das delações que o acusam de ter recebido propina foi divulgada durante o período eleitoral.

Ele também viu o vice de sua chapa, Washington Reis (MDB), ser alvo de busca e apreensão numa investigação sobre corrupção na saúde. Logo em seguida, o aliado teve o registro de candidatura negado em razão de condenação por crime ambiental no STF (Supremo Tribunal Federal) e foi substituído pelo deputado Thiago Pampolha (União), também eleito vice-governador neste domingo.

O governador reeleito também foi surpreendido com a prisão de seu ex-chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski, sob acusação de envolvimento com o jogo do bicho -ele foi solto na sexta-feira (30).

Além disso, foi sucessivamente questionado pela investigação do Ministério Público, ainda em curso, sobre funcionários fantasmas do Ceperj (Centro Estadual de Pesquisa e Estatística do Rio de Janeiro).

Nada disso, porém, foi suficiente para abalar a ascensão na intenção de votos de Castro no estado em que cinco ex-governadores já foram presos.

Os adversários chegaram a usar a suposta perspectiva de prisão iminente de Castro para tentar abalar sua candidatura. O governador reeleito, contudo, sempre respondia que não era réu em nenhum processo e que fora vítima de uma “indústria de delações” que atingiu o país.

Freixo foi o que mais desferiu ataques a Castro, mas não conseguiu avançar de forma significativa sobre o eleitorado de Lula no estado, de acordo com as pesquisas de intenção de voto. O deputado trocou o PSOL pelo PSB a fim de ampliar o arco de alianças, que incluiu o PSDB e economistas liberais. As mudanças, porém, não foram suficientes para frear o sucesso de Castro.

Pela primeira vez desde 2007, o candidato do PSB ficará sem mandato após sofrer ameaças em razão da CPI das Milícias, que comandou em 2008.

Neves também não conseguiu subir nas pesquisas, mesmo após conseguir uma aliança com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD).

Também participaram da disputa Paulo Ganime (Novo), Cyro Garcia (PSTU), Eduardo Serra (PCB), Juliete (UP) e Luiz Eugênio (PCO).

Witzel registrou candidatura pelo PMB, mas foi barrado pelo TSE em razão da punição de afastamento por cinco anos da função pública imposta pelo Tribunal Especial Misto que julgou seu processo de impeachment. Os votos dados a ele foram considerados nulos.

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