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Folhapress/ Leonardo Vieceli

Após subir 2,56% em julho, o índice de inflação da cesta básica teve queda de 1,88% em agosto no Brasil, aponta estudo de professores do curso de economia da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).

A baixa é a maior registrada em um ano pela pesquisa. A série histórica teve início em setembro de 2021.

Apesar da trégua, a cesta básica ainda acumulou alta de 25,9% em 12 meses até agosto -o avanço era de 30,01% até julho.

Isso significa uma alta de preços muito acima da inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Até agosto, o indicador subiu 8,73%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O estudo da cesta básica tem como base os dados de inflação de 13 alimentos que compõem o IPCA. Nove recuaram em agosto.

As quedas foram registradas por tomate (-11,25%), batata-inglesa (-10,07%), óleo de soja (-5,56%), feijão-carioca (-5,39%), leite longa vida (-1,78%), açúcar cristal (-1,72%), contrafilé bovino (-1,29%), café (-0,50%) e arroz (-0,42%).

Os outros quatro produtos da cesta seguiram em alta no mês passado. A farinha de mandioca (1,43%) teve a maior elevação, seguida por banana prata (1,42%), pão francês (1,12%) e margarina (1,08%).

Uma combinação de fatores gerou alívio para a cesta em agosto, de acordo com Jackson Bittencourt, coordenador do curso de economia da PUCPR.

Parte dos alimentos engatou uma sequência de fortes altas no primeiro semestre, e era esperado que o movimento perdesse ímpeto, aponta o professor.

Segundo ele, melhores condições climáticas também começam a beneficiar a produção e a oferta das mercadorias, enquanto a baixa dos combustíveis atenua custos de transporte.

“Estamos saindo da entressafra, que impactou produtos como o leite, e o clima melhorou. Também vemos os combustíveis com redução de preços. É um processo de desinflação.”

Esse movimento, porém, não significa que a comida esteja barata, indica Bittencourt. Sinal disso é que, em 12 meses até agosto, o leite acumulou disparada de 60,81%, a maior da cesta básica.

Café (46,34%), banana prata (31,07%), batata-inglesa (25,12%), margarina (24,19%) e feijão-carioca (22,67%) vieram na sequência. As únicas quedas no acumulado foram registradas pelo tomate (-8,18%) e pelo arroz (-6,36%).

De acordo com Bittencourt, a inflação da cesta básica tende a ter novos sinais de trégua até o fim do ano na esteira das melhores condições climáticas para a produção e da baixa dos combustíveis.

Porém, segundo ele, a ampliação do Auxílio Brasil às vésperas das eleições pode aquecer a demanda por alimentos e gerar um efeito contrário, tornando mais lento o processo de desinflação.

“É um olhar que precisa ser feito. Com uma pressão de demanda, os preços podem demorar mais para diminuir”, diz o economista.

Carne bovina e leite são os principais produtos que o público do Auxílio Brasil deixou de comprar e pretendia voltar a consumir a partir do aumento dos repasses para R$ 600, indicou em agosto uma pesquisa da Asserj (Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro).

No mês passado, o preço da cesta básica diminuiu em 16 das 17 capitais contempladas por levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

As reduções mais expressivas ocorreram em Recife (-3%), Fortaleza (-2,26%), Belo Horizonte (-2,13%) e Brasília (-2,08%). A única alta, de 0,27%, foi verificada em Belém.

Auxílio Brasíl só compra cesta básica em 5 capitais Mesmo com a trégua, apenas 5 das 17 capitais analisadas pelo Dieese tinham cesta básica abaixo de R$ 600, valor do Auxílio Brasil.

As cinco ficam no Nordeste: Recife (R$ 598,14), Natal (R$ 580,74), Salvador (R$ 576,93), João Pessoa (R$ 568,21) e Aracaju (R$ 539,57).

São Paulo teve a cesta básica mais cara em agosto: R$ 749,78. Na sequência, vieram duas capitais do Sul: Porto Alegre (R$ 748,06) e Florianópolis (R$ 746,21). O Rio de Janeiro (R$ 717,82) foi a outra metrópole com valor acima de R$ 700.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em média, 58,54% do rendimento para adquirir os alimentos em agosto, diz o Dieese.

O percentual ficou abaixo do verificado em julho (59,27%). Um ano antes, em agosto de 2021, a proporção estava em 55,93%.

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