Dezenas de feirantes compareceram na sessão dessa segunda-feira (31) na Câmara Municipal de Rio Claro
Proposta que mudava gestão das feiras livres foi retirada da pauta após grande mobilização de trabalhadores no Legislativo
A Câmara de Rio Claro recuou de projeto sobre feiras livres após intensa pressão de dezenas de feirantes na última segunda-feira (31). A proposta, que alteraria a gestão das feiras na cidade, seria formalmente apresentada, mas foi retirada da pauta antes mesmo de ser lida.
A proposta, apresentada pelos vereadores Hernani Leonhardt (MDB) e Serginho Carnevale (PSD), visava criar novas normativas para as feiras livres em Rio Claro. O texto formalizaria uma comissão intersetorial e, entre as alterações, transferiria a organização das feiras da Secretaria de Agricultura para a pasta do Turismo.
Essa possível mudança gerou grande insatisfação entre os feirantes de Rio Claro, que compareceram em peso à Câmara Municipal. Eles buscavam pressionar os parlamentares contra essa alteração no comando das feiras, expressando sua preocupação com o futuro das atividades.
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O debate sobre as feiras livres
Nos bastidores, a situação também gerou um ‘fogo-amigo’ dentro do PSD, conforme relatou o líder do governo Serginho. O nome da vice-prefeita Maria do Carmo Guilherme (MDB), que também participa da organização das feiras, foi envolvido nas discussões.
Em sua fala na tribuna, o vereador Hernani Leonhardt destacou que os feirantes impulsionam a economia local. Ele explicou que o projeto tinha a intenção de aprimorar as condições para os trabalhadores. “Vamos deixar o comando com a Agricultura”, garantiu.
No entanto, Hernani expressou uma preocupação com a continuidade das feiras em futuras gestões. “Quem garante que o próximo prefeito vai querer continuar com as feiras? Teve um mandato que retirou o Carnaval. Isso me deixou preocupado”, afirmou. Ele propôs audiências com as comissões de feiras para criar um projeto que garanta a permanência dessas atividades independentemente do governo.
Serginho Carnevale, coautor da proposta, defendeu-se das críticas, afirmando que houve uma ‘confusão’ e ‘narrativas erradas’. “Em momento algum fui contra as feiras livres”, disse ele. O vereador explicou que a intenção do projeto era proteger os feirantes.
Segundo Serginho, a atual estrutura é frágil, contando com apenas um funcionário para gerenciar as feiras. “Se ele resolve deixar o emprego, tem alguma lei que sustenta as feiras? Não. A ideia deste projeto era justamente disciplinar e marcar na lei, proteger os feirantes”, complementou o parlamentar.
Apoio e desafios enfrentados pelos feirantes
Outros vereadores também expressaram solidariedade aos feirantes de Rio Claro, criticando a precária situação que enfrentam. Uma reportagem anterior do JC revelou que os profissionais precisam alugar geradores para operar nas praças, devido à interrupção no fornecimento de eletricidade, um problema que ainda não foi solucionado.
Além de Hernani Leonhardt e Serginho Carnevale, diversos outros vereadores manifestaram apoio aos feirantes durante a sessão. Entre eles estavam Tiemi Nevoeiro (PL), Julinho Lopes (PP), Rafael Andreeta (Republicanos), Emilio Cerri (Podemos), Paulo Guedes (PP), Adriano La Torre (PP), Fernando do Nordeste (PSD), Ananias (MDB), Sivaldo Faísca (PL), Néia Garcia (PL), Elias Custódio (PSD), Rodrigo Guedes (União Brasil), Eric Tatu (PSD) e Claudino Galego (PP). Seus discursos foram acompanhados por aplausos e algumas vaias do público presente.