Foto – CBF

Folhapress/ Alex Sabino

Park Moon-sung é o mais famoso narrador de futebol na televisão sul-coreana. É a voz das transmissões da Copa do Mundo no país. O Galvão Bueno da Coreia do Sul.

Em algum momento do primeiro tempo da partida desta segunda-feira (5), entre a seleção asiática e a do Brasil, ele deve ter dito à sua audiência que “virou passeio”. Em coreano, claro.

Com 45 minutos de gala e a volta de Neymar, o Brasil atropelou a Coreia do Sul, goleou-a por 4 a 1 e obteve, com facilidade, a vaga nas quartas de final da Copa do Mundo do Qatar. Na próxima sexta-feira (9), enfrenta a Croácia, no estádio Cidade da Educação, para ir à semifinal e ter um potencial confronto com a Argentina.

Na véspera do confronto pelas oitavas de final, o zagueiro Thiago Silva havia lembrado o amistoso realizado entre as duas equipes em junho deste ano, com vitória do Brasil por 5 a 1.

“Agora é Copa do Mundo”, disse, ao prever que seria bem difícil.

Não foi. Foi mais fácil do que há seis meses, na verdade. Os sul-americanos dominaram desde o primeiro minuto e poderiam ter superado a maior goleada de sua história em Mundiais: 7 a 1 sobre a Suécia em 1950. A ironia é ser também o placar de sua derrota mais elástica e traumática, diante da Alemanha, na semifinal de 2014.

O jogo do “virou passeio” de Galvão Bueno.

“Lá vem eles de novo!”, possivelmente gritou Park Moon-sung no seu microfone, com os comentários, ao seu lado, de Ahn Jung Hwan, herói da campanha da semifinal de 2002.

Depois que Vinícius Junior abriu o placar aos sete minutos, em jogada de Raphinha, tornou-se claro que o Brasil dançaria em campo.

Ou sambaria. Fez isso em todas as comemorações de gols, para aproveitar a batucada tocada no último volume pelo sistema de som do Estádio 974, que teve sua despedida de gala. Foi a última partida da história da arena feita com contêineres, que será desmontada após o torneio. Todos os dez jogadores de linha se reúnem em círculo e começam a pular e dançar.

A atuação impressionante do Brasil ofuscou até mesmo a esperada volta de Neymar, ausente diante de Suíç e Camarões por lesão. Ele fez o seu gol, o segundo, de pênalti, ao deixar o goleiro Kim Seung-Gyu de joelhos. Houve o lance em que cercado por dois sul-coreanos e atrapalhado pelo árbitro francês Clement Turpín, deu um drible que deixou todos para trás. Inclusive o juiz.

Para quem ficou com medo do que poderia acontecer com a seleção após a derrota com os reservas diante de Camarões, na última rodada da fase de grupos, a goleada desta segunda-feira foi uma catarse.

Um misto de objetividade, frieza e fantasia do futebol brasileiro, representada em sua síntese pelo terceiro gol, aos 28, quando Richarlison iniciou o lance com embaixadinhas e concluiu para a rede após troca de passes entre Casemiro, Marquinhos e Thiago Silva.

Os atletas do banco de reservas chamaram o camisa 9 para celebrar com Tite, que imitou um pombo, apelido do atacante.

“E lá vem eles de novo! Olha que absurdo!”, foi a frase que poderia ter disparado o narrador sul-coreano, atônito como Galvão Bueno há oito anos no Mineirão.

Ficou pior porque Lucas Paquetá faria o quarto aos 36.

O Brasil criou oportunidades após o intervalo, mas desacelerou porque sabia que a vitória estava garantida. Raphinha, o nome do ataque titular mais necessitado de um gol para ganhar confiança, teve grande chance, mas a desperdiçou.

Quando saiu para o jogo, mesmo de uma maneira mais desinteressada, a seleção ameaçou. Em parte, também pela insistência da Coreia do Sul em atacar. E quando ia à frente, o time verde e amarelo chegava com facilidade, o que deixaria o narrador asiático contrariado:
“Chegam, repito, como se fosse um treino”.

Nem tanto, porque Paik Seung-Ho acertou um belo chute de fora da área aos 32 para diminuir a vantagem brasileira e castigá-la pela diminuição do ritmo avassalador da etapa inicial.

Preocupado com lesões e condições físicas dos seus jogadores, Tite já havia começado a fazer mudanças para preservar os titulares. Recuperado de lesão no tornozelo, Danilo deu lugar a Bremer. Daniel Alves foi para a vaga de Militão. Neymar continuou em campo até os 35, como que para provar estar 100% recuperado de problema também no tornozelo.

A partida estava tão definida que, com 10 minutos para o final do tempo regulamentar, o treinador trocou de goleiros. Weverton, o único dos 26 convocados que não havia ainda entrado em campo no Mundial, ocupou o lugar de Alisson.

Apesar de a Coreia insistir em atacar, o confronto já havia há tempos ganhado jeito de amistoso. Em seus melhores 45 minutos de Copa do Mundo desde o segundo tempo da vitória também por 4 a 1 sobre o Japão, em 2006, na Alemanha, o Brasil passeou em Doha.

Como Park Moon-sung deve ter constatado na transmissão para a TV coreana, era “uma grande seleção contra um time de meninos.”
*
BRASIL
Alisson (Weverton); Militão (Daniel Alves), Marquinhos, Thiago Silva e Danilo (Bremer); Casemiro e Lucas Paquetá; Raphinha, Neymar (Rodrygo) e Vinícius Júnior (Gabriel Martinelli); Richarlison. T.: Tite.

COREIA DO SUL
Kim Seunggyu; Kim Moonhwan, Kim Minjae, Kim Younggwon e Kim Jinsu (Hong Chul); Hwang Inbeom (Paik Seungho), Jung (Son Junho) e Lee (Lee Kangin); Hwang Heecha, Son e Cho (Hwang Uijo). T.: Paulo Bento.

Local: Estádio 974, em Doha
Horário: 16h (de Brasília) desta segunda-feira (5)
Árbitro: Clement Turpin (FRA)
Assistentes: Nicolas Dano e Cyril Gringore (ambos da França)
VAR: Jerome Brisard (FRA)
Cartões amarelos: Jung Wooyoung (COR)
Gols: Vinícius Júnior (BRA), aos 7′, e Neymar (BRA), aos 13′, Richarlison (BRA), aos 29′, Lucas Paquetá (BRA), aos 36’/1ºT. Paik Seungho, aos 31’/2°T

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