Bebê morre na barriga e família acusa médico

208

Carine Corrêa

O que era para ser um sonho se tornou um pesadelo. Bruna Fernanda Augusto Costa registrou boletim de ocorrência na Polícia Militar após perder o bebê. A pequena Alice morreu dentro de sua barriga.

Bruna alega negligência do médico plantonista que fez seu atendimento na maternidade Bettin, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ela estava com uma gestação de oito meses. O drama teve início no último domingo (17). Com dores, a jovem Bruna – de 22 anos – foi até a Santa Casa com sua mãe, Lourdes de Oliveira Augusto, para buscar orientação médica. Sem condições financeiras para custear um convênio, seu atendimento estava sendo acompanhado pelos profissionais da saúde pública.

Naquele dia, o médico plantonista fez o pedido de um exame de urina. Bruna deveria buscar o resultado do exame no dia seguinte, segunda-feira (18), e assim o fez. Às 9 horas de segunda-feira a jovem gestante voltou ao hospital. Desta vez, foi atendida por um médico que não a examinou e nem ao menos a atendeu em seu consultório, segundo os relatos da mãe.

>>> Família acusa médico de negligência

“Levei minha filha para o Pavilhão Bettin, a maternidade do SUS, porque ela não estava bem. O médico não a examinou e pediu para que ela voltasse para casa e tomasse Buscopan. Às 19 horas do mesmo dia passou mal novamente. Retornamos à Santa Casa e minha filha foi submetida a um exame, pelo qual confirmaram que a criança já estava morta em sua barriga”, disse Lourdes ainda muito fragilizada com a situação.

No boletim de ocorrência, Bruna relata como foi o atendimento ‘improvisado’. “Ele não me examinou, me atendeu na recepção onde ficam as enfermeiras, nem me levou ao consultório, me deu uma receita de Buscopan e Lisador e me liberou para voltar para casa”, descreve no registro policial.

Quando souberam da morte do bebê, por volta das 19h30, Bruna e sua mãe decidiram então acionar a Polícia Militar. “O curioso é que o prontuário médico sumiu. Não dá para confiar nos médicos. É um grande descaso. Apenas depois de duas horas os policiais conseguiram o nome do médico”, acrescenta a mãe da gestante.

Até o final da noite dessa terça (19), Bruna permanecia internada na maternidade, em virtude da cirurgia cesariana para retirada da criança, já sem vida. A cirurgia ocorreu na manhã de terça-feira e a pequena Alice foi sepultada no mesmo dia, no período da tarde. A assessoria de imprensa da Santa Casa de Rio Claro esclareceu que as causas desse episódio deveriam ser levantadas junto à Fundação Municipal de Saúde, responsável pelo médico que fez o atendimento através do SUS.

Por sua vez, a Fundação Municipal de Saúde informou que não havia recebido qualquer denúncia ou reclamação por parte da família sobre essa situação, mas acompanha o caso e esclarece que todos os procedimentos médicos foram realizados na gestante, inclusive tratamento de alto risco. “Os últimos exames realizados não acusaram qualquer risco para mãe e criança”, acrescentou em nota.

3 COMENTÁRIOS

  1. Como se não bastasse o péssimo serviço público que é disponibilizado a população, ainda tem-se o agravante permeado por médicos com má formação nas diversas faculdades/universidades espalhadas por esse país.

  2. O desrespeito à vida nesse país começa antes do nascimento. Esse médico deveria ter seu nome exposto e seu CRM caçado (NO MÍNIMO).

Qual sua opinião? Deixe um comentário: