Deputado Estadual, Arthur do Val concorre à prefeitura de São Paulo – Foto: Divulgação/Assembleia Legislativa de São Paulo

CAROLINA LINHARES – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Com o segundo maior Índice de Popularidade Digital entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, segundo a ferramenta da consultoria Quaest, o deputado estadual Arthur do Val (Patriota) variou de 2% para 3% na intenção de votos medida pelo Datafolha entre 24 de setembro e 8 de outubro.

Com apenas 16 segundos no horário eleitoral, o fundo eleitoral dispensado e debates cancelados, o candidato do MBL (Movimento Brasil Livre) apostou na volta às origens, o seu canal no Youtube Mamãe Falei, para atrair converter seguidores em eleitores.

Competindo com Guilherme Boulos (PSOL), líder em popularidade nas redes, a campanha de Arthur pretende formar um exército de ativistas espalhados em grupos de WhatsApp para atrair o eleitor antipetista de classe média em São Paulo –que costumava votar no PSDB e, em 2018, elegeu Jair Bolsonaro.

Estrategistas de Arthur veem o “bolsonarista fanático” vinculado às candidaturas de Celso Russomanno (Republicanos), que tem o apoio formal do presidente, e Levy Fidelix (PRTB), mas quer disputar o eleitorado de direita com o prefeito Bruno Covas (PSDB), Andrea Matarazzo (PSD), Joice Hasselmann (PSL) e Filipe Sabará (Novo).

Para se diferenciar, Arthur, que apoiou Bolsonaro em 2018, mas rompeu com o presidente, rejeita a nacionalização e se concentra em discutir propostas e viralizar temas como plano diretor e cracolândia.

“A gente não está falando de Bolsonaro. Não é pauta para essa eleição. A gente está falando da cidade. Se o sujeito gosta do Bolsonaro ou não gosta, o que importa pra gente é que ele goste das propostas do Arthur”, afirma Renato Battista, presidente municipal do Patriota e membro do MBL.

Na semana passada, Arthur pediu a inclusão do apelido youtuber Mamãe Falei em seu nome de urna –o candidato tem 2,68 milhões de seguidores no canal.

Foi como Arthur Mamãe Falei que ele se tornou o segundo deputado estadual mais votado em 2018 –teve 470 mil votos, atrás de Janaina Paschoal (PSL), com mais de 2 milhões.

Membros da campanha esperam que o novo nome o faça disparar na próxima pesquisa. Sondagens internas indicaram que o eleitor não estava associando Arthur do Val, desconhecido de 75% dos entrevistados pelo Datafolha, a Mamãe Falei.

A não utilização do apelido era parte de uma estratégia, agora enterrada, de separar o candidato a prefeito, alguém que deve ter um perfil conciliador e governar para todos, do deputado estadual que arruma briga no plenário, chamando sindicalista de “vagabundo” e trocando empurrões com colegas do PT.

Embora ataques a adversários sejam dosados na campanha, Arthur não abandonou a polêmica como força motriz de sua audiência. Foi ele que colocou a cracolândia no centro do debate eleitoral ao se referir ao padre Julio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua, como “cafetão da miséria”.

Aliados de Arthur rejeitam a ideia de houve uma mudança na comunicação. “A postura combativa e incisiva é dele e isso jamais mudaria. O que ele disse que faria diferente na eleição é não só criticar, mas apontar soluções, e isso ele tem feito”, diz Battista.

No debate da Band, em 1º de outubro, Arthur voltou a lançar mão de frases de efeito. “O negócio é o seguinte: já estou de saco cheio de ver São Paulo apanhando desse jeito. Enquanto a gente debate aqui, tem gente no centro de São Paulo fazendo cocô no chão.”

A campanha identificou, após o debate, crescimento do interesse no candidato. O cancelamento dos debates pelas demais emissoras fechou a oportunidade que Arthur teria para tornar-se mais conhecido.

Com a hashtag “o povo quer debate”, Arthur protestou contra os cancelamentos e chamou os demais candidatos para um debate independente.

A postura combativa traz resultado entre o eleitorado jovem, mas não funciona entre os mais velhos. Arthur tem 10% entre quem tem de 16 a 24 anos, sendo que 33% o conhecem. Entre quem tem acima de 60 anos, sua votação é zero e o nível de conhecimento é de 18%.

Enquanto pede que seus eleitores convençam os pais a votar em Mamãe Falei, Arthur ouve, em comentários nas redes sociais, dicas para ser mais polido em sua comunicação.

Na semana passada, enfrentou críticas por ter dito que Pirituba, um bairro de São Paulo, era uma cidade da região metropolitana. O candidato disse ter confundido as palavras “Pirituba” e “Santana de Parnaíba”, um município.

Em suas publicações, Arthur também é cobrado por bolsonaristas por tê-los chamado de “gado”.

Na campanha, Arthur tem evitado criticar Bolsonaro e o governador João Doria (PSDB), afirmando que é preciso ter boa relação com ambos no caso de se tornar prefeito de São Paulo.

Mas hoje, com Bolsonaro em baixa –64% dos paulistanos o rejeitam, mostra o Datafolha–, criticar o presidente já não rende significativas perdas de seguidores como acontecia no ano passado.

Já as críticas a Doria têm escapado eventualmente. Arthur é contra o projeto de reforma do tucano que tramita na Assembleia e se juntou a bolsonaristas e petistas na oposição.

Na estratégia de mirar o antipetista de classe média, a campanha de Arthur tem acenos aos lavajatistas, com a escolha de Adelaide de Oliveira, do Vem Pra Rua, como vice.

Tem também atrativos para os liberais, com a escolha de Hélio Beltrão, diretor do Instituto Mises, como guru do plano de governo –que tem propostas como o programa jovem capitalista, de educação financeira.

O Patriota, partido que faz parte da base de Bolsonaro em Brasília, entregou seu diretório municipal ao MBL, que abriu mão do fundo partidário, a verba pública utilizada pelas legendas para campanha.

Arthur apelou à vaquinha online (angariou R$ 326 mil, segundo o site de arrecadação) e aos apoiadores que viralizam vídeos e propostas resumidas pelo WhatsApp. São 20 mil espalhados em grupos conforme a região da cidade.

Nos grupos, houve até eleições para escolher representantes “pra ajudar na intermediação entre os grupos e os atos pró-Arthur”, segundo um dos eleitos. “Pessoal, compartilhem esses posts ao máximo nos seus contatos de whats, insta, face”¦ As propostas tão todas mastigadinhas aí”, orienta.

A sua assinatura é fundamental para continuarmos a oferecer informação de qualidade e credibilidade. Apoie o jornalismo do Jornal Cidade. Clique aqui.

Mais em Notícias:

As raízes italianas de Rio Claro

Rio Claro dá adeus ao policial militar Roberto Badaró