O ex-governador Geraldo Alckmin (sem partido) e o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) – Bruno Santos/Folhapress e Zanone Fraissat/Folhapress

IGOR GIELOW – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, quase não há exceção à regra política segundo a qual quem é mais conhecido enfrenta naturalmente mais rejeição.

O ex-governador Geraldo Alckmin (sem partido), que ocupou o edifício no bairro paulistano do Morumbi por quatro vezes, lidera o ranking dos pré-candidatos mais rejeitados para assumir o estado em 2023.

Não votariam nele 35% dos paulistas, segundo pesquisa do Datafolha que ouviu 2.034 pessoas em 70 cidades. Com a margem de erro de dois pontos, ele empata tecnicamente com Fernando Haddad (PT).

O ex-prefeito paulistano marca 34% de rejeição. Além de ter ocupado a cadeira mais poderosa da capital por quatro anos, até ser destronado no primeiro turno de 2016 pelo então novato João Doria (PSDB), ele disputou a Presidência no lugar de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), impedido legalmente de concorrer em 2018.

Abaixo deles vem outra figura conhecida de pleitos recentes, Guilherme Boulos (PSOL), com 28%. Ele disputou a eleição vencida por Jair Bolsonaro (PL) há três anos e foi ao segundo turno na capital paulista em 2020, perdendo para Bruno Covas (PSDB), que morreu em maio passado de câncer.

O ponto fora da curva nesta pesquisa é o ex-governador Márcio França (PSB), com 16% de rejeição. Ele ocupou o Bandeirantes quando Alckmin tentou ser presidente (naufragando abaixo dos 5% em 2018). Disputou e perdeu sua sucessão para o mesmo Doria, e no ano passado não passou ao segundo turno na capital.

É possível argumentar que, antes de 2018, ele era virtualmente desconhecido fora de sua área de atuação no litoral.

Mas, após a vitrine nesses três anos, sua rejeição segue bastante baixa -era de 20% no levantamento passado, de setembro, a maior diferença aferida, já que seus rivais todos apenas oscilaram dentro da margem.

Os demais colocados se beneficiam da pouca exposição até aqui, ocupando um bloco praticamente único.

São eles Arthur do Val, o Mamãe Falei (Patriota, 22%), o vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB, 18%), o ex-ministro Abraham Weintraub (sem partido, 18%), Vinicius Poit (Novo, 16%) e o ministro Tarcísio Gomes de Freitas (sem partido, 16%).

Para Garcia, a notícia é especialmente boa, pois ele larga de uma posição favorável porque será o governador do estado quando Doria deixar o cargo para disputar a sucessão de Bolsonaro, em abril.

Assim, há tempo para seus estrategistas elaborarem sua imagem. Discreto, o vice é um político de bastidores, mas tem domínio da máquina estadual -ele supervisiona todas as obras e programas estaduais, um pacote de 8.000 ações em curso em 2022.

Nesta pesquisa do Datafolha, Alckmin lidera em um cenário com Haddad e França. O ex-prefeito assume a ponta quando o ex-tucano sai do jogo, e o ex-governador do PSB toma a frente quando ambos os rivais deixam a corrida.

Isso tudo é possível a depender das tratativas para tirar o ex-tucano da disputa, colocando-o como vice de Lula na briga pelo Planalto em 2022. Aí o xadrez envolverá Haddad e França, ambos querendo que o outro largue a cabeça de chapa para ser candidato ao Senado.

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