Com alta em internação de jovens por Covid, sobe procura por pulmão artificial usado por Paulo Gustavo

KATNA BARAN
CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – Era 8 de janeiro quando o professor Robert Gessner Junior, 31, acordou no hospital. Para ele, havia se passado apenas um dia desde que fora intubado para tratar a Covid-19, em 21 de dezembro. Mas, o cuidado excessivo dos médicos o alertou para o que só descobriria mais tarde: a doença se agravou a tal ponto que seu pulmão fora “desligado” por 11 dias.


Assim como o ator Paulo Gustavo, 42, Robert utilizou a ECMO (Membrana de Oxigenação Extracorpórea), espécie de pulmão artificial que oxigena o sangue fora do corpo, substituindo temporariamente o órgão comprometido de maneira severa.


“A primeira coisa que pensei quando acordei foi: passei Natal e Ano Novo longe de todos”, contou o professor que perdeu 32 quilos durante o tratamento. Obeso, pré-diabético e hipertenso, ele ainda guarda sequelas da doença, como dificuldades para caminhar, falta de movimento na mão esquerda e uma síndrome que provoca fraqueza muscular.


“Não reclamo de absolutamente nada, tenho esperanças de que consiga logo me recuperar para trabalhar”, disse Robert, que atribui a cura à ajuda extra da ECMO.


As diferentes cepas do novo coronavírus, algumas mais infecciosas e severas em pacientes jovens e sem comorbidades, têm levado ao aumento da procura pelo aparelho, que ainda continua praticamente inacessível à maioria dos doentes.


O equipamento não é usado no tratamento da Covid-19, mas serve como suporte para que os pulmões “descansem” enquanto o organismo combate a infecção. “É como uma hemodiálise, mas nos pulmões”, explicou o médico Jarbas da Silva Motta Junior, coordenador das UTIs do Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba, onde Robert foi tratado.
Segundo Gustavo Calado, diretor da Elso (Organização para Suporte Vital Extracorpóreo), instituição que regulamenta o uso e as diretrizes para a ECMO no mundo, antes da pandemia, eram de 150 a 200 implantes por ano no Brasil, grande parte por problemas cardíacos. Agora, a demanda já passa de 800, sendo que 85% dos procedimentos estão relacionados à Covid-19.


Ele conta que a tecnologia existe há mais de 40 anos, mas só se difundiu no auxílio ao tratamento de problemas respiratórios a partir da pandemia de H1N1, entre 2009 e 2010. Também foi utilizada em vítimas do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em 2013.


Calado ressalta, no entanto, que o doente deve atender a uma série de pré-requisitos para utilizar a máquina. O primeiro é esgotar todas as alternativas para recuperar os pulmões, como uso de ventilação mecânica e da manobra de prona, em que a pessoa é colocada de bruços.


“Em idosos com comorbidades, por exemplo, não há indicação, pois só aumenta o sofrimento”, explicou.
Outro fator que restringe o acesso é o número de centros aptos a operar o equipamento. No Brasil, são apenas 28 credenciados.


Antes da pandemia, o Marcelino Champagnat, uma das unidades de referência, instalava no máximo dois aparelhos por ano. Já entre 2020 e 2021, foram 11.


A demanda também cresceu entre as fabricantes. Em março, a Braile Biomédica se tornou a única empresa do hemisfério Sul a obter a certificação da Anvisa para fornecer ECMOs de tempo prolongado a hospitais do país.
“Existe uma demanda maior do que a oferta de produtos até porque os demais fabricantes são multinacionais que acabam focando no mercado interno, como Japão e Estados Unidos”, contou o CEO da empresa, Rafael Braile. Desde março, a fabricante já instalou 23 equipamentos.


As especificidades da ECMO levaram a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias) a barrar a cobertura da tecnologia no SUS, em 2015. O comitê se baseou em um estudo que leva em conta o valor de implantação do recurso e o retorno efetivo ao paciente.


Apesar disso, o equipamento pode ser acessado por pacientes internados nos poucos centros de referência credenciados para atender o setor público, como no Incor de São Paulo.


Braile lembra que o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, defendeu o uso da ECMO pelo SUS enquanto presidia a Sociedade Brasileira de Cardiologia. Atualmente, há novas discussões para ressubmissão dos estudos de economia e saúde junto à Conitec.

Já os planos de saúde têm decisões discrepantes sobre a cobertura do uso da ECMO.


Segundo a Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde), a ECMO “é ainda muito restrita e não consta no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar [ANS]”. Já a ANS afirmou que, quando realizada pela via torácica e com objetivo de prestar assistência mecânica circulatória prolongada, deve haver, sim, pagamento pelos planos.


Diferentemente de Robert, que conseguiu liberação do seguro para usar a máquina, o fisiculturista e empresário curitibano Kaique Barbanti, 28, teve que arcar com os custos do tratamento, que, só com o equipamento, giraram em torno de R$ 150 mil.


Kaique ficou 62 dias internado, sendo 23 deles ligado à ECMO (a média é de sete a dez dias). Ele já estava curado da Covid-19, mas teve que deixar o pulmão “descansando” para curar uma trombose causada pela doença.
“Se a ECMO não me salvou, me deu sobrevida para o corpo reagir e me proporcionou uma recuperação acima da média”, afirmou Barbanti.


Motta, um dos responsáveis pelo atendimento aos dois pacientes, exaltou a função da máquina. “Há possibilidade muito grande de não terem sobrevivido [sem a ECMO] e, se tivessem, teriam bem mais sequelas pulmonares.”
Como explica o médico, além de facilitar o tratamento de casos graves da Covid-19, a ECMO permite melhor resposta a intervenções invasivas às vezes necessárias.

É o que ocorreu com Paulo Gustavo, que passou por procedimentos para corrigir problemas de coagulação e na passagem de ar entre os brônquios e a membrana que reveste os pulmões. Em último boletim médico divulgado pela assessoria do ator, na quinta-feira (15), o estado de saúde dele ainda foi considerado crítico.


A Folha consultou cinco das maiores operadoras de planos de saúde do Brasil, mas todas se recusaram a oferecer dados de pedidos de liberação do uso da tecnologia em pacientes. A ANS informou não possuir essas informações e o Ministério da Saúde não retornou o contato.

Rio Claro teve 14 novos casos de Covid em 24 horas

O município de Rio Claro totaliza 12.231 casos positivos de Covid-19 com os 14 casos registrados nas últimas 24 horas.


O boletim divulgado nesta quarta-feira (21) pela Secretaria Municipal de Saúde aponta que o município permanece com 360 mortes em decorrência da Covid.


Rio Claro tem 103 pessoas hospitalizadas, sendo 52 em unidades de terapia intensiva. O índice de ocupação de leitos é de 66%.


A Secretaria Municipal de Saúde alerta a população para que mantenha os cuidados preventivos, com uso de máscara, distanciamento social e higienização frequente das mãos. 

Setor supermercadista distribuirá cartões de compras de alimentos para famílias vulneráveis

O setor supermercadista lançou, nesta quarta-feira (21), a campanha ‘Doação Super Essencial’, que arrecadará recursos que serão destinados a distribuição de cartões no valor de R$ 100 para a população vulnerável fazer compras em todos os supermercados do país. A iniciativa da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) envolverá suas 27 afiliadas e terá uma ação inicial organizada pela Associação Paulista de Supermercados (APAS).

A operação tem o apoio da ONG Ação Cidadania e do Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (WFP) das Nações Unidas. A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) também tem papel importante na campanha, atraindo a participação do setor nas doações.

Para João Galassi, presidente da ABRAS, a ação solidária é fundamental no momento em que uma parcela considerável da população brasileira não tem acesso pleno e permanente a alimentos e itens de primeira necessidade por conta da crise financeira agravada pela pandemia do coronavírus. “Todos os setores da sociedade precisam estar unidos para socorrer as famílias que foram atingidas pela pandemia. A adesão de empresas de todo o país à campanha é uma forma prática de ajudar efetivamente a aplacar a fome que assola milhões de lares brasileiros”, afirma Galassi. Segundo ele, a iniciativa inédita, que une empresas de todo o Brasil e pessoas físicas, reforça o legado de compaixão e solidariedade no combate à fome, causa sempre defendida pelo setor supermercadista.

A distribuição dos cartões se dará de duas formas. Pode ser feita pela própria empresa que fez a doação e quer ajudar alguma comunidade específica, seguindo os critérios de elegibilidade dos programas sociais de estados e municípios. Ou, caso a empresa não queira se responsabilizar pela distribuição, os cartões são entregues pela APAS e ABRAS para programas sociais de governos de estado e prefeituras, que encaminharão a doação aos mais vulneráveis das comunidades carentes mapeadas por seus programas sociais.

O cartão não é recarregável, mas pode ser usado várias vezes em supermercados diferentes, até que todo o valor de 100 reais seja gasto. A produção dos cartões e o envio serão feitos pelas bandeiras Alelo, Ticket e Sodexo, conforme acordado com a Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT). As operadoras prestarão assistência aos usuários no esclarecimento de dúvidas  sobre o saldo e extrato através de telefone impresso no verso dos cartões.

Todo o processo terá auditoria independente e o nome da empresa doadora será impresso no lote de cartões doados, sinalizando a autoria da doação. “Empresas doadoras estarão fortalecendo suas marcas já que neste momento de pandemia os consumidores estão ainda mais atentos aos valores solidários das empresas. Além disso é mais prático participar de uma campanha já estruturada. Isso facilita a vida de quem quer ajudar mas não sabe como”, completa Ronaldo dos Santos, presidente da APAS.

Santos lembra ainda que essa corrente do bem é fundamental para garantir o abastecimento seguro e permanente das famílias mais necessitadas, assegurando que a essencialidade que pauta o setor supermercadista realmente atenda a toda população.

Além de estimular a solidariedade em tempos de pandemia com foco no combate à fome, a doação através de cartões de compras traz uma grande vantagem. Cada família pode escolher como vai gastar os 100 reais, adquirindo nos supermercados os alimentos e itens de primeira necessidade de sua preferência. Essa liberdade de escolha para quem vive em situação de vulnerabilidade representa dignidade e resgate de cidadania.

Interessados em doar devem acessar o site

www.doacaosuperessencial.com.br ou ligar (11) 3838-4525

Em Rio Claro, manifestantes pedem ‘impeachment’ do STF

Um grupo de manifestantes de Rio Claro se reuniu, na manhã desta quarta-feira (21), para pedir o “impeachment” do STF (Supremo Tribunal Federal).

A ação aconteceu em  frente à sede do Tiro de Guerra, na Avenida 23. De acordo com os organizadores, não houve ligação com partido ou movimento político, “apenas cidadãos exercendo o direito à manifestação”.

Cientistas que pesquisam Covid-19 ficam de fora dos grupos prioritários para a vacina

CLÁUDIA COLLUCCI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Pesquisadores que trabalham na linha de frente da investigação da Covid-19, muito deles lidando com amostras de pacientes contaminados pelo vírus Sars-CoV-2 e cobaias infectadas, não foram incluídos nos grupos prioritários para a vacinação.


Há um movimento em curso pedindo às autoridades de saúde que incluam esses grupos nos planos de imunização. Muitos desses cientistas atuam no desenvolvimento de vacinas, medicamentos e testes diagnósticos, além linhas de pesquisa para entender a dinâmica da doença e suas sequelas.


Os pesquisadores que conseguiram ser vacinados até agora o foram por meio de acordos locais, entre as universidades e os municípios.


Mas, na falta de uma política clara que os coloque como prioritários, a maioria segue sem imunização. Um abaixo-assinado reúne assinaturas de quase mil pesquisadores pelo país que enfrentam essa situação.


“O ministro, os secretários da Saúde, o governador, todo mundo diz que segue a ciência. Mas parece que quem faz a ciência foi cancelado, não existe. Os cientistas são invisíveis”, diz o pesquisador Fernando de Queiroz Cunha, professor do departamento de farmacologia da USP Ribeirão Preto.

Ali, ao menos 80 pesquisadores estão há mais de um ano trabalhando com o vírus e não foram vacinados.
“Uma parte deles trabalha em ambiente NB-3, cujo risco de contaminação é semelhante ou até superior ao de uma UTI Covid, porque trabalha com com amostras e camundongos infectados”, diz Cunha.


Ele justifica o risco superior ao fato de que, quando um paciente infectado está na UTI, ele está sedado, não faz “estripulias”.


“O camundongo pode brigar, te morder, pode acontecer uma contaminação grande. A gente usa duplas luvas, o ar que respiramos na sala NB-3 é filtrado, mas, ainda assim, tem risco de contaminar. Essas pessoas trabalham de segunda a domingo, não tem horário”, explica.


Cunha diz que os cientistas já recorreram a todas as instâncias da USP, da Prefeitura de Ribeirão Preto e do governo paulista, mas o impasse continua.


Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto diz que segue a orientação do PNI (Programa Nacional de Imunizações), que a distribuição e quantidade de doses são efetuadas pelo governo paulista e que os municípios não têm autonomia para mudar as prioridades do estado.


Já a Secretaria de Estado da Saúde informa, também em nota, que aqueles que atuam em laboratórios e os acadêmicos em saúde estão incluídos nas subcategorias de trabalhadores da saúde.


“As doses para todos os públicos-alvo são enviadas aos municípios para aplicação nas pessoas que o integram, sendo prerrogativa da prefeitura deflagrar as estratégias necessárias para imunizar tais públicos.”


No laboratório de miocrobiota e imunomodulação coordenado pela professora Angélica Vieira, do departamento de bioquímica e imunologia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), ninguém ainda foi vacinado, apesar de os alunos irem até a casa de pacientes infectados para coletar amostras de sangue e de fezes.


O foco da pesquisa é tentar compreender as sequelas de quem teve Covid-19, a partir da resposta inflamatória pulmonar, e buscar opções terapêuticas para preveni-las.


“Eles não só vão até as casas dos pacientes como depois manipulam essas amostras no laboratório. Mesmo com o exame PCR negativado, existe a hipótese de o vírus ainda estar presente nas fezes, o que aumentaria muito o risco de infecção.”


Recentemente, pela falta de segurança, a pesquisa foi freada. “Não quero prejudicar meus alunos. Muitos dependem do transporte público para se deslocar até a universidade, um risco vai se somando ao outro. A gente precisa encontrar uma forma de proteger esses jovens cientistas”, diz que ela, que também ainda não foi imunizada.


Para Marcelo Mori, que coordena a força-tarefa da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), de uma forma geral, os pesquisadores que trabalham na linha de frente com estudos sobre a Covid-19 acabaram sendo negligenciados na política de vacinação.


“A contribuição dos cientistas brasileiros para entendimento da Covid-19, tratamentos, novas variantes, tem sido muito grande, com muitas publicações internacionais relevantes. Para isso tudo acontecer, requer gente trabalhando, não só os professores, mas principalmente os alunos de pós-graduação.”


Ele lembra que em uma política normal de laboratórios de risco biológico elevado, as pessoas que ali trabalham precisam ser protegidas, inclusive vacinadas. “É uma condição necessária para que essas pessoas continuem trabalhando.”


No caso da Unicamp, houve um entendimento com a instituição e os cientistas foram vacinados. “Mas como não existe uma política pública de vacinação para esse grupo, ele tem que brigar. Algumas instituições conseguem, outras não.”
O virologista Rafael Elias Marques, pesquisador do CNPEN (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), conta que, desde o início da pandemia, ele e os alunos frequentam um laboratório NB-3 e estiveram expostos aos estoques de vírus e às amostras contaminadas.

“Eu e alguns alunos que lidamos com amostras de pacientes infectadas, tivemos a felicidade de ter recebido a primeira dose [da vacina] porque estamos ligados à força-tarefa da Unicamp.”

Porém, Marques diz que colegas de outras regiões do país continuam sem acesso à vacina. “Cientistas que estão processando amostras, fazendo diagnósticos, trabalhando com modelos animais e in vitro, com pacientes, essas pessoas devem ser vacinadas com prioridade.”


Ele afirma que no ano passado houve um surto de Covid no laboratório onde atua e foi preciso fechá-lo e colocar 60 pessoas que atuam em pesquisas de testes diagnósticos em quarentena.


“É um risco que existia e que continua a existir. Nós, cientistas, estamos sofrendo pressão de vários setores da sociedade. Ou a nossa palavra não é ouvida ou não temos os recursos adequados para fazer o trabalho que precisa se feito.”


Para a química Vanderlam Bolzani, presidente da Aciesp (Academia de Ciências do Estado de São Paulo), é um contrassenso das autoridades esse esquecimento daqueles que fazem a ciência brasileira a andar. Ela diz que a Aciesp encaminhou ofício à Secretaria de Estado da Saúde pedindo que os cientistas sejam colocados nas listas de prioridades de vacinação.


Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde diz que não foi localizada solicitação da Aciesp, mas que, de todo modo, tanto o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19 definido pelo Ministério da Saúde quanto os documentos técnicos do Plano Estadual de Imunização de São Paulo deixam claras as subcategorias de trabalhadores de saúde, e os cientistas estariam incluídos nelas.

Brasileiro que fez fama como youtuber dirige novo filme espacial da Netflix

LEONARDO SANCHEZ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Se você estivesse em um navio prestes a afundar e encontrasse um bote salva-vidas que acomodasse apenas três pessoas, mesmo número de companheiros de viagem que estão com você, quem seria sacrificado?


Foi a partir dessa pergunta drástica e impiedosa que Joe Penna e Ryan Morrison desenvolveram o roteiro de “Passageiro Acidental”, filme que estreia agora na Netflix. Na trama, um trio de astronautas embarca numa missão rumo a Marte, com o objetivo de viabilizar a colonização do planeta vermelho.

Poucas horas após a decolagem, no entanto, eles encontram um quarto viajante a bordo, um engenheiro que se feriu durante a vistoria da nave e acabou preso nas ferragens. A princípio, parece que ele não vai sobreviver aos ferimentos, mas logo se recupera e assume algumas funções na expedição.


Sem possibilidade de retorno à Terra, a nave apresenta um problema técnico que compromete os suprimentos de oxigênio -e, agora, só há ar para três tripulantes respirarem até o fim da missão marciana.


Com um elenco enxuto formado apenas por Toni Collete, Anna Kendrick, Daniel Dae Kim e Shamier Anderson, “Passageiro Acidental” é um filme que dispensa a pompa das ficções científicas espaciais. Há, sim, ambientes ultratecnológicos e belas visões da Terra, mas a ação está praticamente toda dentro daquela cápsula, onde os personagens discutem maneiras de se salvarem.


“Nós queríamos que essa história pudesse ser transportada para qualquer lugar. Uma casa, um bunker, um único cômodo, um armário ou, no caso, um armário voador”, diz Penna, que além de corroteirista também dirige o filme.


Além da premissa provocativa, “Passageiro Acidental” tem em seu diretor novato um outro fator de atração, específico para o público brasileiro. Penna é paulistano e atualmente dá seus primeiros passos como cineasta nos Estados Unidos, apesar de nunca ter sentado na cadeira de direção em seu país natal.


Isso porque ele mora em terras americanas desde a adolescência. Foi lá, mais precisamente em Los Angeles, que ele começou a ganhar fama, há cerca de dez anos, mas não por causa do cinema. Penna foi o brasileiro recordista em inscritos no YouTube no início dos anos 2010, muito antes da carreira de youtuber virar modinha.


Sob o pseudônimo MysteryGuitarMan -personagem que estava sempre de óculos escuros-, ele conquistou centenas de milhões de visualizações com seus vídeos, a maioria sobre música, feitos com colagens, sobreposição de sons e stop-motion. Em “One Man, 90 Instruments”, de 2015, por exemplo, Penna usou instrumentos como uma cuíca e um gongo para recriar o hit “Pump It”, do Black Eyed Peas.


Foi na plataforma que o diretor publicou seus primeiros curtas-metragens, até que, em 2015, fez sua estreia nos longas, com “Arctic”. Protagonizada por Mads Mikkelsen, a trama também recorria aos instintos de sobrevivência de seus personagens e foi exibida no Festival de Cannes. A passagem pelo evento francês, conta Penna, foi importante para que ele agora assumisse um longa de ambição e orçamento bem maiores.


“Ser cineasta nunca foi um objetivo meu”, diz o brasileiro, que largou a faculdade de medicina para se dedicar ao YouTube. “A narrativa cinematográfica foi uma coisa com a qual me deparei pela primeira vez quando trabalhei em alguns clipes de música, mas se tornou uma nova opção para mim à força, por causa de mudanças nas políticas da plataforma. Foi uma transição estressante, mas estou contente que acabou sendo para melhor.”


A experiência internauta ajudou Penna nos bastidores de “Passageiro Acidental”. Quando se é um youtuber, diz ele, você precisa trabalhar com pouco, improvisar e cuidar de todas as etapas da produção de um vídeo. No set de filmagem, ele usou essa experiência para cortar cargos e aproveitar melhor seu orçamento, além de ter decidido montar o longa ao mesmo tempo em que o gravava, para poder fazer alterações na história.

Há alguns anos sem novos vídeos, o canal MysteryGuitarMan ainda tem cerca de 2,7 milhões de inscritos. No que depender de Penna, no entanto, a página deve ficar assim mesmo, já que o brasileiro pretende continuar se dedicando ao cinema.

Ele atualmente trabalha na adaptação de um livro de memórias sobre o qual não pode dar detalhes, mas diz que mal pode esperar para gravar algo em sua terra natal. “Já me mandaram alguns roteiros hollywoodianos ambientados no Brasil, mas eu não senti que eles capturavam a essência do país do qual me lembro. Eu ainda estou esperando pela oportunidade certa.”

MEC deixa alunos de fora do Fundeb e prefeituras apontam novo erro

PAULO SALDAÑA

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo Jair Bolsonaro (sem partido) deixou de contabilizar milhares de estudantes na divisão dos recursos do Fundeb deste ano, o que reduziu repasses para municípios.


Desde que foi publicada a portaria interministerial nº 1, de 31 de março, secretarias de Educação têm estranhado os cálculos: eles não batem com o que consta no Censo Escolar. Ficaram de fora, na hora de dividir o bolo, alunos de ensino fundamental em tempo integral, cujas matrículas ainda têm maior peso nas ponderações para a divisão.


O caso é tratado como erro por integrantes do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), vinculado ao Ministério da Educação. A Folha tem mostrado uma série de falhas do órgão ligado à pasta comandada pelo ministro Milton Ribeiro.


Secretários de Educação e entidades que representam prefeituras têm questionado o governo. Até agora não receberam respostas.


A CNM (Confederação Nacional de Municípios) calcula que 695.090 matrículas de tempo integral deixaram de ser computadas nos cálculos do governo Bolsonaro.

O Fundeb é o principal mecanismo de financiamento da educação básica. O fundo reúne uma cesta de impostos, acrescido de complementação da União, e é dividido com base no número e tipo de matrículas.


A portaria de março foi assinada por Ribeiro e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. O ato faz parte da previsão legal para a operacionalização dos recursos, a cargo do FNDE, e impacta recursos já transferidos a partir deste mês.
Segundo relatos feitos à Folha, as lideranças do FNDE ainda não sabem o que ocorreu de errado e o que devem fazer. Questionado, FNDE e MEC não responderam.


A falha resultou, segundo estudo da CNM, em 1.282 municípios com previsão de recursos abaixo do que lhes são devidos pelo Fundeb. A entidade, que representa as prefeituras do país, não calculou os valores.


A diferença pode chegar a R$ 785 milhões, segundo estimativa feita pela reportagem com base em dados do Ceará. Foram as prefeituras cearenses as primeiras a identificarem o erro.


Segundo a CNM, mais de 190 mil alunos cearenses de tempo integral foram ignorados. Isso impacta 114 municípios do estado.


A secretária de Educação de Crateús (CE), Luiza Teixeira, encaminhou ao FNDE no dia 5 de abril um ofício expondo a situação e exigindo “imediata atenção e a pronta correção desse lapso”. Teixeira é presidente no estado da Undime (que reúne dirigentes municipais de Educação).


Nas contas da Undime-CE, a subestimação do Fundeb a municípios cearenses chega a R$ 215,4 milhões. A projeção da entidade relacionada às matrículas ignoradas coincide com os cálculos da CNM.


“A gente percebeu que foram desconsideradas matrículas que estavam em um anexo da portaria”, disse a secretária à Folha. “Municípios como o meu perdem cerca de R$ 4 milhões no ano, quase uma folha bruta de salário. Fica bem difícil porque a gente sabe da situação financeira do país para financiar a educação.”


Teixeira diz ter certeza de que se trata de um erro. Segundo ela, o município de Crateús já recebeu, por exemplo, outros recursos federais, como de alimentação escolar, com base nos dados corretos do Censo Escolar de 2020 (que constam em portaria de novembro passado). No caso do Fundeb, a base de matrículas adotada foi diferente.
O Maranhão é o segundo estado com maior impacto, segundo a CNM: 115 mil matrículas teriam sido desconsideradas.


“Fazer educação integral no Maranhão não é fácil, e agiram contrário ao Censo Escolar”, diz Marcony Pinheiro, da Undime Maranhão e secretário de Educação da cidade de Poção das Pedras. Pinheiro afirma que também questionou o governo.


A CNM recebeu reivindicações de prefeituras e associações municipais e estaduais. A consultora de educação da CNM, Mariza Abreu, diz que a entidade já acionou o governo e espera respostas.


“Está difícil entender por que esses equívocos estão acontecendo. Esse processo de filtrar as matrículas do Censo aconteceu nos últimos 14 anos [desde a criação do Fundeb] e nunca tinha se verificado essa variação tão significativa”, diz. “E tem outro problema: se alguém recebe a menos, alguém recebe a mais.”


Essa portaria atinge todos os estados e municípios do país, diferente da falha na distribuição do Fundeb ocorrida em janeiro. Revelado pela Folha, o erro atingia apenas a primeira parcela da complementação da União.


Na ocasião, de R$ 1,18 bilhão previsto, R$ 766 milhões foram repassados equivocadamente. Três estados e respectivos municípios receberam dinheiro a mais e seis, a menos. Em 2019, outro erro da ordem de R$ 1 bilhão havia ocorrido com outras transferências constitucionais.

O FNDE ainda deixou fora do ar neste ano o sistema para cadastro dos conselhos de acompanhamento do Fundeb. A ausência desse procedimento pode causar prejuízos a prefeituras e governos. O órgão colocou no ar o sistema no dia 9, mas prefeituras ainda encontram dificuldade para o cadastro.


O FNDE é controlado por indicações do centrão. Todas essas falhas ocorrem na mesma área: trata-se da Coordenação-Geral de Operacionalização do Fundeb e de Acompanhamento e Distribuição de Arrecadação do Salário-Educação. Ela é ligada à Diretoria de Gestão de Fundos e Benefícios do FNDE.


A Coordenação que trata do Fundeb e do salário-educação está sem titular desde novembro passado. O posto é gerido por um coordenador substituto.

O novo formato do fundo amplia os recursos federais e entrou em vigor neste ano –o fundo opera um montante de R$ 179 bilhões no ano. Com as novas regras, os processos de transferência ficarão mais complexos.


A mesma portaria interministerial tem causado estranhamento porque a previsão de parcelas do Fundeb ao longo do ano vai diminuindo a partir do segundo semestre -o que nunca ocorreu.

Segundo o Ministério da Economia, “o cronograma proposto tem como objetivo minimizar os impactos da atualização das estimativas, diminuindo o risco de reduções significativas” da complementação da União por Unidade Federativa.
“O cronograma proposto deve amenizar as dificuldades na gestão fiscal e orçamentária dos entes da federação que recebem os recursos da complementação”, diz nota. A pasta ressalta que as estimativas serão atualizadas a cada quatro meses.

Guarda Civil impede realização de baile funk em meio à pandemia em RC

A realização de um baile funk nas imediações do Jardim das Flores e do Jardim Progresso em Rio Claro na noite da última terça-feira (20) foi impedida pela Guarda Civil Municipal.

Os ingressos da festa clandestina chamada de ‘Bailão da 59’ estavam sendo vendidos pelas redes sociais. Os agentes realizaram um estacionamento preventivo e ocuparam o território onde aconteceria o evento. 

O organizador da festa não chegou a ser autuado pela Prefeitura, pois não compareceu no local. Um Relatório de Ocorrência foi registrado.

Vacinação de hoje (21) contra Covid é liberada para mais pessoas

Com pouca procura no Centro Cultural e na Faculdade Anhanguera na manhã deste feriado (21 abril), a Secretaria Municipal de Saúde liberou a vacinação para mais pessoas. A vacinação vai até às 15 horas.

Hoje (21), também podem ser vacinadas contra covid as pessoas que tomariam vacina amanhã (nascidos entre janeiro e 22 de abril de 1956) e quem tomou a primeira dose de Coronavac/Butantan até 30 de abril ou Oxford/AstraZeneca até 05 de fevereiro.


A vacinação neste feriado continua sendo feito também para quem nasceu entre os meses de setembro e dezembro de 1955.

VÍDEO: Moradores do Jardim Nova Rio Claro temem pela segurança e até mesmo acidentes nas vias

Quem reside nas imediações da Rua 24 entre as avenidas 5 e 7 no Jardim Nova Rio Claro está preocupado com a total falta de iluminação nos postes.

“Já recorremos diversas vezes à prefeitura, abrimos chamados, temos protocolos, mas parece que estamos esquecidos. À noite está muito perigoso. Além da questão da segurança, o risco de acidentes é enorme”, relata o morador Rui Gomes, que gravou um vídeo e enviou à redação do JC para mostrar o problema.

O que diz a prefeitura

O JC entrou em contato com a administração municipal que enviou a seguinte resposta: “O prazo para a realização de reparos na iluminação pública a partir da solicitação dos munícipes é de até três dias úteis, ou seja, 72 horas, excetuando finais de semana e feriados. Dependendo do tipo de problema encontrado, os reparos podem ser feitos em menor espaço de tempo. As solicitações on-line podem ser feitas 24 horas pelo endereço www.rioclaro.sp.gov.br. O link está no lado direito da parte inferior da página. Já pelo telefone 3526-7105 os pedidos podem ser feitos de segunda a sexta-feira das 8 às 17 horas. É importante que a pessoa informe o número de identificação do poste na hora de fazer a solicitação de reparos. Todos os postes de iluminação pública de Rio Claro têm esse número, o que facilita à equipe de manutenção encontrar a unidade com problemas e tomar as medidas necessárias com mais rapidez. Também ajuda informar o número predial mais próximo da lâmpada com defeito”.

ATUALIZAÇÃO: O PROBLEMA DA ILUMINAÇÃO NO BAIRRO FOI RESOLVIDO NA QUARTA-FEIRA (21) PELA EMPRESA RESPONSÁVEL PELOS SERVIÇOS NA CIDADE DE RIO CLARO.

“É a vida de uma criança”, cita pai após ‘não’ da União

Júlia Vitória já é uma conhecida das páginas do Jornal Cidade que desde o nascimento acompanha o caso dessa bebê rio-clarense que foi diagnosticada com uma rara síndrome (Síndrome de Berdon) e por conta disso precisa de uma cirurgia multivisceral (de todo o aparelho digestivo). Esse procedimento tem um custo milionário e só é realizado no exterior.

De acordo com os pais, a equipe médica que a acompanha e os resultados de todos os exames, esse seria o momento ideal para ela viajar.

“Tudo o que foi solicitado nós fizemos. Quando toda a equipe médica recuperou o quadro clínico da Júlia, foi suspenso em primeira instância e jogaram para ser analisado o processo tudo de novo. É lamentável. Corremos contra o tempo e as autoridades não andam junto com a gente. As datas são alteradas e é a vida de uma criança que está em jogo”, cita o pai.

Desde o nascimento no dia 25 de maio de 2020, ela nunca havia conhecido o quartinho preparado com tanto carinho pelos pais Bianca Maciel de Oliveira e Edenilson Carlos de Oliveira.

Foram 157 dias internada na Santa Casa de Rio Claro e mais 167 dias no Hospital Menino Jesus em São Paulo. Guerreira, Júlia passou por momentos de altos e baixos e lutou bravamente pela vida até conseguir a tão sonhada alta para ir para casa e seguir o tratamento até conseguir a viagem e a cirurgia.

Comércio de rua terá atendimento normal, mas em horário diferente, nesta quarta de feriado

O feriado do Dia de Tiradentes, nesta quarta-feira (21), em Rio Claro, terá atendimento normal no comércio de rua na cidade. A única diferença, no entanto, é por conta do horário, que será das 10h às 15h. De acordo com a Acirc (Associação Comercial e Industrial de Rio Claro), a abertura será uma oportunidade para que os lojistas possam recuperar as vendas perdidas nas últimas semanas em que os estabelecimentos estiveram fechados. O Shopping funciona do meio-dia às 19 horas.

Daae

Nesta quarta-feira (21), o Daae terá atendimento telefônico 24 horas para assuntos relacionados à distribuição de água, solicitação de serviços, reclamações e agendamento de atendimento presencial pelo telefone 0800-505-5200, que recebe chamadas de telefone fixo e celular. O atendimento presencial retorna na quinta-feira (22), às 9 horas.

Saúde

O atendimento médico emergencial na rede pública municipal de saúde de Rio Claro será feito em plantões 24 horas. Quem precisar de cuidados nessa área deve procurar a unidade de pronto atendimento do Bairro do Estádio, na Avenida 29, entre as ruas 12 e 13, telefone 3522-1818. Já o pronto atendimento do Cervezão, na Rua M-9, 66, telefone 3533-7272, atende exclusivamente pessoas com sintomas de Covid-19. O Samu atende 24h pelo telefone 192.

Jornal Cidade RC
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