Covid-19: Governo Federal define atividade da imprensa como essencial

O presidente Jair Bolsonaro definiu como essenciais as atividades e serviços da imprensa como medida de enfrentamento à pandemia de covid-19. O decreto foi publicado ontem (22) em edição extra do Diário Oficial da União .

De acordo com o texto, deverão ser resguardados o exercício pleno e o funcionamento de todos os meios de comunicação e divulgação disponíveis, “incluídos a radiodifusão de sons e de imagens, a internet, os jornais e as revistas, entre outros”. A medida visa garantir a difusão de informações à população e também cumpre o princípio constitucional da publicidade em relação aos atos praticados pelo governo.

Pelo decreto, está proibida a restrição à circulação de trabalhadores da imprensa que possa afetar o funcionamento das atividades. Mas, na execução dos serviços, deverão ser adotadas todas as cautelas para redução da transmissão do novo coronavírus.

Na sexta-feira (20), o governo havia editado decreto com uma lista de 35 atividades essenciais durante a crise provocada pelo covid-19, mas não incluiu a imprensa. Entre os serviços já listados  estão a assistência à saúde (incluídos os serviços médicos e hospitalares), o transporte intermunicipal, interestadual e internacional de passageiros e os serviços de táxi ou de aplicativo, serviço de call center, captação e tratamento de esgoto e lixo, serviços funerários, compensação bancária e serviços não presenciais de instituições financeiras, fiscalização ambiental e fabricação e venda de produtos de saúde, higiene, alimentos e bebidas.

ANJ

Nesta segunda-feira (23), dezenas de jornais brasileiros unificam suas capas como forma de apoio ao combate à pandemia de covid-19. A ação é uma campanha da Associação Nacional de Jornais (ANJ) contra a desinformação, que pode agravar as consequências do novo coronavírus.

A mensagem do anúncio destaca a importância da informação e da responsabilidade de todos no enfrentamento da pandemia. “Ao se unirem em um esforço em comum, os jornais também conclamam para a valorização da informação jornalística e criam uma hashtag unificada – #imprensacontraovirus – que indica os esforços dos meios de comunicação na luta coletiva contra o vírus”, informou a ANJ.

De acordo com a entidade, estudos indicam que, diante de desafios, como a pandemia do novo coronavírus, as pessoas têm mais preocupação com informações falsas espalhadas nas redes sociais e tendem a depositar mais confiança no jornalismo profissional. “Pesquisa da Edelman divulgada na semana passada, por exemplo, revelou que a maior parte (64%) das populações de dez países, inclusive a do Brasil, vê na imprensa a fonte de informação mais confiável neste momento”, diz a ANJ.

Bolsonaro diz que mandou revogar artigo da MP que permite suspensão de contrato de trabalho

BERNARDO CARAM – BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou que revogou o artigo da medida provisória que permitia a suspensão dos contratos de trabalho por quatro meses.

A decisão foi anunciada por ele em rede social. A MP foi publicada na noite deste domingo (22).

“Determinei a revogação do art. 18 da MP 927 que permitia a suspensão do contrato de trabalho por até quatro meses sem salário”, disse em suas redes sociais.

A MP (Medida Provisória) já está valendo e autoriza suspensão do contrato de trabalho por até quatro meses.

No período, o empregado deixa de trabalhar, assim como o empregador não pagará salário. A empresa é obrigada a oferecer curso de qualificação online ao trabalhador e a manter benefícios, como plano de saúde.

Segundo o texto, o empregador poderá conceder uma ajuda compensatória mensal, “sem natureza salarial”, “com valor definido livremente entre empregado e empregador, via negociação individual”.

A medida foi criticada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que chamou a proposta de “capenga”.

“Tenho certeza de que temos que construir rapidamente com a equipe econômica outra medida provisória”, disse.

Em entrevista concedida última semana, técnicos do Ministério da Economia não haviam informado que seria autorizada a suspensão de contratos.

Na ocasião, foi anunciada outra ação que acabou não oficializada na MP deste domingo. Pela medida, haverá uma permissão de que o empregador, em acordo com o trabalhador, promova um corte de até 50% de salário e jornada.

O governo ainda daria uma compensação de salário para parte dos trabalhadores que tivessem salários cortados durante o período de crise.

Esse auxílio, destinado a quem recebe até dois salários mínimos, seria uma antecipação de 25% do valor que essas pessoas que teriam direito mensalmente se perdessem o emprego e solicitassem o seguro-desemprego.

O secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, disse que, ainda nesta semana, será publicada a outra MP que permite essa redução de jornada e salário do trabalhador.

Antes da ordem de revogação pelo presidente, Bianco chegou a justificar a medida, afirmando que o foco era a proteção do emprego.

“Será em acordo entre empregadores e empregados. E terá, sim, uma parcela paga pelo empregador para a manutenção da subsistência e vida do empregado”, afirmou Bianco numa rede social na manhã desta segunda.

Região de São Carlos tem quatro mortes com suspeita de Coronavírus

Quatro pacientes com suspeita de Coronavírus na região de São Carlos morreram nos últimos dois dias. Até o momento não foi confirmado que nenhum destes casos é de Covid-19, porém todos os óbitos estão sendo investigados.

Só neste Domingo (22) foram três mortes com suspeita da doença na região. Os casos foram registrados em São Carlos, Porto Ferreira e Araraquara.

No caso do paciente de São Carlos se tratava de um homem de 57 anos que estava hospitalizado desde quarta-feira (18) com problemas respiratórios. Os exames do homem foram encaminhados para o Instituto Adolfo Lutz, mas ainda não tiveram os resultados divulgados.

Em Araraquara, a morte de um homem de 72 anos está sendo investigada. Um paciente atendido pelo SAMU e encaminhado para um hospital neste Domingo (22) apresentou um caso de rápida evolução para insuficiência respiratória e veio a óbito no mesmo dia. Como apresentava sintomas que podem indicar Covid-19, foram coletados exames e o caso será analisado.

Já em Porto Ferreira, o óbito de uma mulher de 64 anos com problemas pulmonares é que levanta a suspeita. Segundo a Prefeitura de Porto Ferreira, a Vigilância Epidemiológica colheu amostras e vai encaminhá-las para exames para verificar se a mulher foi vítima do novo coronavírus.

Nesta segunda (23), um novo caso de morte com suspeita de Covid-19 foi registrado na região de São Carlos, no município de Ibaté. Uma idosa, de 85 anos, morreu após apresentar complicações respiratórias graves. Os órgãos de saúde colheram exames e encaminharam para o Adolfo Lutz , alé de orientarem a necessidade de quarentena para familiares até o resultado do exame.

Em meio a crise, Bolsonaro diz que governo poderá suspender dívidas de estados com a União

JULIA CHAIB – BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda (23) que o governo pode liberar estados do pagamento de dívidas com a União em meio à crise gerada pelo avanço do novo coronavírus.

Bolsonaro ponderou, porém, que seria preciso consultar o ministro Paulo Guedes (Economia) sobre o impacto fiscal da medida.

Uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), neste domingo (22), determinou a suspensão pelo prazo de seis meses do pagamento das dívidas de São Paulo com a União.

Bolsonaro foi questionado sobre a determinação do STF em entrevista na frente do Palácio da Alvorada.

“Isso já vinha sendo discutido, está no pacto federativo essa proposta, está certo? Pode [suspender o pagamento das dívidas], mas tem que ouvir o Paulo Guedes”, disse.

“Ele [Paulo Guedes] que vai dizer na ponta da língua quanto custa, não sei quantos bilhões, talvez R$ 18 bilhões, se não me engano, custaria essa medida para estender para os demais estados. E, pelo que me consta, São Paulo é o estado que mais deve”, continuou.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes determina que o governo paulista invista o dinheiro que deveria ser pago para abater o débito em ações de combate ao coronavírus.

A determinação se aplica a uma parcela de R$ 1,2 bilhão que deveria ser paga nesta segunda-feira (23).

A decisão foi tomada em caráter de urgência, segundo o ministro, e vale até que seja analisada pelo plenário do tribunal.

A determinação pode provocar um efeito dominó, levando outros estados a também procurarem o Supremo para solicitar a suspensão desses pagamentos.

Com pandemia, Congresso já fala em ano perdido para reformas

DANIEL CARVALHO E FÁBIO PUPO – BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) 

Com os trabalhos da equipe econômica voltados ao enfrentamento da crise do coronavírus e o cancelamento de várias reuniões presenciais no Congresso, parlamentares já falam em um ano perdido para as reformas tributária e administrativa.

Se 2020 já teria um calendário apertado por causa das eleições municipais que monopolizam congressistas no segundo semestre, a disseminação da Covid-19 pelo mundo e seus efeitos na economia paralisaram muitos dos que tentavam fazer andar as duas reformas na primeira metade do ano.

Apesar de o governo nunca ter enviado ao Congresso suas propostas para as reformas tributária e administrativa (que muda regras para futuros servidores federais), elas eram tidas como prioridade na agenda do ministro Paulo Guedes (Economia).

Após ele ter enviado uma lista de 48 medidas para serem tocadas pelo Congresso como resposta à pandemia, a lista foi encolhida.

Hoje, trata como prioridade três medidas, que enfrentam algum grau de resistência no Legislativo -a PEC (proposta de emenda à Constituição) do Pacto Federativo, a privatização da Eletrobras e o Plano Mansueto, de socorro aos estados.

Uma das três propostas, a da privatização da Eletrobras, foi até retirada do Orçamento por causa das dificuldades para ser aprovada.

Enquanto isso, os outros temas têm ficado em segundo plano.

“Não creio que, neste ano, teremos condições de oferecer a reforma tributária. Vamos perder mais um ano. A reforma administrativa não é conhecida, mas já é rejeitada”, diz Alvaro Dias (PR), líder do Podemos no Senado, a terceira maior bancada da Casa.

Embora sem a proposta do governo, a comissão de reforma tributária começou a trabalhar e, se não tivesse sido cancelada por causa da pandemia, receberia Guedes.

Os congressistas tinham a esperança de que ele apareceria com as diretrizes do governo para o texto em discussão.

“Se não dá para fazer reunião, nada impede que ele [Guedes] mande a proposta. Estou aguardando. Estamos trabalhando a quatro mãos. Mas estão faltando duas”, disse o senador Roberto Rocha (PSDB-MA), que preside o colegiado e insiste em que, apesar da desaceleração no ritmo dos trabalhos, ainda tem esperança no cumprimento do calendário da reforma.

O secretário especial da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto, disse que iria mandar a proposta do Executivo sobre o tema na terça (17), mas postergou por causa da paralisação dos trabalhos.

Agora, a equipe econômica está em regime de força-tarefa para analisar os estragos do coronavírus e medidas para amenizar o problema.

Na equipe econômica, a visão é que o ano não chega a estar perdido, e a chance de tramitação das matérias pode voltar a subir em algum momento. Mas é reconhecido que o cenário neste momento está “bem mais complicado”.

A Bolsa brasileira terminou a semana com queda acumulada de 18,9%, o pior desempenho para o período desde a segunda semana de outubro de 2008, ano da última crise financeira, quando o índice caiu 20%.

A crise levou o governo a cortar a projeção oficial para o crescimento do PIB em 2020 de 2,10% para 0,02%.

Até quem tenta nutrir alguma esperança no andamento ao menos da reforma tributária reconhece que ela só poderá ser retomada após a superação da crise.

Na sexta-feira (20), o ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) afirmou que a curva de transmissão do novo coronavírus no Brasil só deve apresentar “queda profunda” em setembro.

“Podemos retomar a discussão ainda no primeiro semestre, mesmo que remotamente. Se não der para votar, ao menos cumprir os prazos. Reduz o ritmo? Lógico. Mas não dá para descartar”, afirma o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB), para quem a outra reforma, a administrativa, “vai ficando cada vez mais para um segundo momento”.

O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), lembra que medidas estão sendo tomadas para que o Congresso não pare de funcionar por causa do coronavírus.

Na sexta, foi realizada a primeira votação a distância da história do Legislativo.

A partir desta semana, Câmara e Senado começam a usar sistemas de deliberação remota. Isso permite que deputados e senadores votem de suas casas, sem necessidade de viajar a Brasília.

“Estamos fazendo um esforço absoluto sobre o tema [reformas], inclusive implementando um sistema de votação a distância. Mas, sem dúvida, as coisas estão mais complicadas. Acredito que tudo é sempre viável, mas não sabemos como vai ser nem sequer o dia de amanhã”, diz Braga.

Antigo aliado do governo e agora independente, o líder do PSL, senador Major Olímpio (SP), diz já não acreditar que uma reforma administrativa chegue ao Congresso neste ano.

“Desde novembro que ouço [o governo dizer] ‘eu encaminho’. Se tivesse amarrado a reforma no casco de uma tartaruga manca vinda do [Palácio do] Planalto até o Congresso, já teria chegado”, afirma Olímpio.

O pessimismo é semelhante em relação à reforma tributária.

Ele diz não ver mais possibilidade de que ela avance neste ano. “Lamentavelmente, vai ser um ano perdido em relação a isso.”

MP de Bolsonaro suspende contrato de trabalho por 4 meses

WILLIAM CASTANHO E ALEXA SALOMÃO – BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) publicou na noite deste domingo (22) no Diário Oficial uma MP (medida provisória) que autoriza suspensão do contrato de trabalho por até quatro meses.

No período, o empregado deixa de trabalhar, assim como o empregador não pagará salário. A empresa é obrigada a oferecer curso de qualificação online ao trabalhador e a manter benefícios, como plano de saúde.

Pelo texto, a negociação individual ficará acima de acordos coletivos e da lei trabalhista. Estão preservados os direitos previstos na Constituição. A MP diz que o curso ou o programa de qualificação profissional online será promovido pelo empregador, diretamente ou por meio de entidades responsáveis pela qualificação.

Uma MP tem força de lei pelo período de 60 dias, prorrogáveis pelo mesmo prazo, até que seja apreciada pelo Congresso. Se não for votada, perde a validade.

A medida valerá durante o estado de calamidade pública em razão do coronavírus, com prazo definido até o fim deste ano.

Segundo o texto, o empregador poderá conceder uma ajuda compensatória mensal, “sem natureza salarial”, “com valor definido livremente entre empregado e empregador, via negociação individual”.

Para o contrato ser suspenso bastará acordo individual com o empregado ou também com um grupo de empregados. A suspensão terá de ser registrada em carteira de trabalho.

“Não haverá pagamento de bolsa qualificação por meio de FAT [Fundo de Amparo ao Trabalhador], como ocorre hoje”, diz a advogada Cassia Pizzotti, sócia do escritório Demarest.

“Durante o período da suspensão contratual para qualificação profissional, não será devida a bolsa-qualificação. A ajuda compensatória pelo empregador continua opcional. A manutenção obrigatória dos benefícios voluntariamente concedidos pelo empregador foi mantida”, explica.

A MP, diferentemente do anunciado pela equipe do ministro Paulo Guedes (Economia), não prevê a redução da jornada de trabalho em 50% com respectiva redução do salário pela metade.

No entanto, o texto estabelece que, durante o estado de calamidade, “o empregado e o empregador poderão celebrar acordo individual escrito, a fim de garantir a permanência do vínculo empregatício, que terá preponderância sobre os demais instrumentos normativos, legais e negociais, respeitados os limites estabelecidos na Constituição”.

Dessa forma, pelo artigo 503 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), a jornada e o salário poderão ser reduzidos em até 25% em razão de “força maior”.

A CLT diz que “é lícita, em caso de força maior ou prejuízos devidamente comprovados, a redução geral dos salários dos empregados da empresa, proporcionalmente aos salários de cada um, não podendo, entretanto, ser superior a 25% (vinte e cinco por cento), respeitado, em qualquer caso, o salário mínimo da região”.

“No que se refere à redução salarial, o artigo 2º da MP é inconstitucional, porque a Constituição veda redução sem acordo coletivo e uma MP não se sobrepõe à Constituição”, diz Pizzotti.

“Além disso, como a MP não trouxe a aventada redução de até 50% do salário, entendo que continua prevalecendo o limite do artigo 503 da CLT (até 25%).”

O texto, assinado por Bolsonaro, ainda estabelece regras para teletrabalho, antecipação de férias individuais, concessão de férias coletivas, aproveitamento e a antecipação de feriados, banco de horas, suspensão de exigências administrativas em segurança e saúde no trabalho, direcionamento do trabalhador para qualificação, e adia o recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

A MP diz que, no caso do teletrabalho, o empregador poderá “a seu critério, alterar o regime de trabalho presencial para o teletrabalho, o trabalho remoto ou outro tipo de trabalho a distância e determinar o retorno ao regime de trabalho presencial”.

Isso se dará “independentemente da existência de acordos individuais ou coletivos, dispensado o registro prévio da alteração no contrato individual de trabalho”, afirma o texto.

Em relação a antecipação de férias individuais, a MP diz que o empregador informará ao empregado com antecedência de, no mínimo, 48 horas, por escrito ou por meio eletrônico, com a indicação do período a ser gozado.
“Poderão ser concedidas por ato do empregador, ainda que o período aquisitivo a elas relativo não tenha transcorrido”, afirma.

De acordo com a medida, os trabalhadores que pertençam ao grupo de risco do coronavírus serão priorizados para o gozo de férias. A MP diz também que os empregadores poderão antecipar “o gozo de feriados não religiosos federais, estaduais, distritais e municipais”.

A notificação deve ser de, no mínimo, 48 horas, “mediante indicação expressa dos feriados aproveitados”.O governo também mexeu nas regras de saúde no trabalho. Durante o estado de calamidade, fica suspensa a obrigatoriedade de realização dos exames médicos ocupacionais, clínicos e complementares, exceto dos exames demissionais.

A MP determina a suspensão da exigência de recolhimento do FGTS pelos empregadores, referente a março, abril e maio de 2020, com vencimento em abril, maio e junho de 2020, respectivamente.

Isso pode ser feito independentemente do número de empregados, do regime de tributação, da natureza jurídica, do ramo de atividade econômica e da adesão prévia.

Ao tratar do uso de banco de horas, o governo decidiu autorizar “a interrupção das atividades pelo empregador e a constituição de regime especial de compensação de jornada”, em favor do empregador ou do empregado. A compensação deve ocorrer no prazo de até 18 meses, contado da data de encerramento do estado de calamidade pública.

Papa convoca oração universal e dará perdão extraordinário

Com templos fechados no mundo todo, o papa Francisco convocou para quarta-feira (25) uma oração universal do pai-nosso, para a qual pediu apoio de todas as igrejas cristãs e confissões religiosas. Além disso, na sexta-feira, fará uma declaração universal em que destacará o perdão espiritual para as pessoas que combatem o coronavírus, para as que morreram em decorrência da doença e para as que rezam por todos.

“Na sexta, darei a Bênção Urbi et Orbi (à cidade de Roma e ao mundo, normalmente usada na Páscoa e no Natal), à qual será acompanhada a possibilidade de receber a indulgência plenária. Queremos responder à pandemia com a universalidade da oração, da compaixão, da ternura.

Permaneçamos unidos. Façamos com que as pessoas mais sozinhas e em maiores provações sintam a nossa proximidade”, afirmou Francisco neste domingo.

Um Decreto da Penitenciaria Apostólica do Vaticano concedeu na sexta-feira a possibilidade da chamada indulgência plenária aos doentes de coronavírus, aos que cuidam deles e a todos os fiéis do mundo que rezam por eles. Na Igreja Católica, essas indulgências se referem às penas temporais a serem pagas em caso de desobediência a Deus. Há variadas formas de receber a indulgência, que vão de uma récita de pai-nosso, credo e uma oração a Maria até a leitura de meia hora da ‘Bíblia’, por exemplo.

O Vaticano também abriu a possibilidade de absolvição coletiva neste momento de grave necessidade. No catolicismo, o perdão é dado por meio de uma confissão individual com o padre. Com as dificuldades trazidas pelo coronavírus que levam ao isolamento social, o fechamento de templos e impossibilidade de cerimônias coletivas – só no Brasil metade das dioceses fechou templos, incluindo anteontem a Arquidiocese de São Paulo -, caberá a cada bispo estabelecer essa necessidade.

“Cabe a ele determinar, no território de sua circunscrição eclesiástica e em relação ao nível de contágio pandêmico, os casos de grave necessidade em que é permitido dar absolvição coletiva: por exemplo, na entrada das repartições hospitalares, onde se encontram internados os fiéis contagiados em perigo de morte, utilizando, na medida do possível e com as devidas precauções, os meios de amplificação da voz a fim de que a absolvição possa ser ouvida”, explica o texto oficial.

A Penitenciaria também pede para avaliar “a necessidade e a oportunidade de criar, onde for necessário, e de acordo com as autoridades de saúde, grupos de ‘capelães hospitalares extraordinários’, também de forma voluntária e conforme as regras de proteção contra o contágio, para garantir a necessária assistência espiritual aos doentes e agonizantes”.

O papa voltou a reiterar a necessidade de seguir as ordens das autoridades. “A nossa proximidade aos médicos, aos profissionais da saúde, enfermeiros e enfermeiras, voluntários… A nossa proximidade às autoridades que devem tomar medidas duras, mas para o nosso bem. Nossa proximidade aos policiais, aos soldados, que nas ruas procuram manter sempre a ordem, que se realizem as coisas que o governo pede para o bem de todos nós. Proximidade a todos.”

Na última quarta-feira, o papa Francisco solicitou apoio a uma oração universal, incluindo todas as religiões. “Convido todos os chefes das igrejas e os líderes de todas as Comunidades cristãs, junto a todos os cristãos das várias confissões, a invocar o Altíssimo, Deus Todo-Poderoso, recitando simultaneamente a oração que Jesus Nosso Senhor nos ensinou. Portanto, convido todos a recitar o pai-nosso ao meio-dia da próxima quarta-feira”, disse ele, voltando a abençoar ontem uma Praça de São Pedro vazia, sem fiéis, por causa do avanço da covid-19. (Com agências internacionais).

FAKE-NEWS: Áudio atribuído a Mandetta sobre ‘semana crítica de transmissão’ é falso

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, desmentiu neste domingo (22) um áudio atribuído a ele que vem sendo difundido por aplicativos instantâneos de mensagem e reclamou da disseminação de fake news.


“Eu não gravo absolutamente nada de áudio, eu nem sei como funciona”, afirmou o ministro, visivelmente irritado. Ele afirmou que suas falas para a população são feitas por meios oficiais. “Tudo que eu falar vai ser feito claramente, aqui na frente, é uma maneira de a gente se posicionar.”
Uma mensagem de áudio atribuída ao ministro afirma que a próxima semana seria a “mais crítica para a transmissão”.
“Olha, vendo aqui a previsão de que final de abril vai ser o topo da epidemia, a previsão é que essa semana até domingo que vem é a semana mais crítica para a transmissão, então essa semana é fundamental o isolamento social. Ninguém sai à rua, mesmo que tenha que ir a supermercado, tenta evitar mercado, farmácia. Se a gente conseguir fazer o isolamento social importante talvez a gente consiga virar a curva, tá bom? Espalhe isso para todo mundo que vocês tiverem. Esta semana a gente tem que virar o jogo”, diz a voz no áudio.
Mandetta diz que o ministério não faz avaliação de transmissão, mas sim de casos, e disse que autores de notícias falsas gostam de “se travestir de alguma autoridade” para espalhar desinformação.
O ministro demonstrou muita irritação com a divulgação do áudio falso e disse que só decidiu ir à entrevista coletiva do domingo para desmentir o áudio. “Fica aí mais uma fake news para a coleção das fake news, das mais idiotas que acontecerão durante esse período de caminhada que nós teremos pela frente.”
“Isso me irrita tanto”, afirmou o ministro, que pulou uma pergunta da imprensa sobre informações circulando na internet dizendo “não aguento mais redes sociais“.

por ANGELA BOLDRINI – BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) –

Coronavírus: Ministério da Saúde indica 1.546 casos e 25 mortes no Brasil

O Ministério da Saúde, do Governo Federal, anunciou ao final da tarde deste domingo (22) que o Brasil registra até o momento 1.546 casos positivos de Coronavírus e 25 mortes.

Na última sexta-feira (20), o Ministério da Saúde reconheceu a transmissão comunitária do coronavírus (Covid-19) em todo o país. É fato que nem todas as regiões apresentam o mesmo nível de transmissão. Nem por isso, a população dessa região deixará de participar do esforço coletivo que passa a ser adotado pelos brasileiros. Assim, a medida é uma estratégia para que todo o Brasil se una contra o vírus.

O Secretário-Executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, assegura que se a população se unir na adoção das medidas de prevenção e distanciamento social, será possível diminuir a velocidade de transmissão da doença no país.

“Vamos mostrar que cada um de nós pode fazer a sua parte. A velocidade do número de internações e óbitos está nas nossas mãos. Quando você adota as medidas recomendadas protege não apenas a si, mas também a seus familiares com mais idade, e o seu próximo. Esta é uma fase e esperamos atravessá-la em pouco tempo, com a ajuda de todos”, destacou.

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Jornal Cidade RC
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