Ministério da Saúde divulga diretrizes para tratamento medicamentoso de pacientes

O Ministério da Saúde divulgou nesta quarta-feira (20) as orientações para ampliar o acesso de pacientes com COVID-19 ao tratamento medicamentoso precoce, ou seja, no primeiros dias de sintomas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O documento traz a classificação dos sinais e sintomas da doença, que pode variar de leve a grave; e a orientação para prescrição a pacientes adultos de dois medicamentos associados à azitromicina: a cloroquina e o sulfato de hidroxicloroquina. A escolha do melhor tratamento para a doença pode variar de acordo com os sinais e sintomas e a fase em que o paciente se encontra. Esses dois medicamentos já eram indicados para casos graves, hospitalizados.

O acesso desses medicamentos só é possível por meio de prescrição médica. Ou seja, é de competência do médico, em concordância declarada por escrito pelo paciente, o uso do tratamento medicamentoso. O ministério elaborou ainda um Termo de Ciência e Consentimento para uso de Hidroxicloroquina/Cloroquina. Para ampliar a recomendação para o uso precoce da doença, o Ministério da Saúde levou em consideração a existência de diversos estudos sobre o uso da cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19.

De acordo com a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, as orientações disponibilizadas pelo Ministério da Saúde garantem o princípio da equidade defendido pelo SUS como uma realidade a todos os brasileiros, independentemente de classe social. “Estamos respeitando o direito que os profissionais médicos têm de prescrever a seus pacientes o que já é prescrito nos serviços privados do país”, afirmou.

O objetivo da formulação das diretrizes, pelo Ministério da Saúde, é orientar e uniformizar a informação para os profissionais de saúde que atendem na rede pública de saúde. O documento também alerta para o risco da autoprescrição por parte da população. O consumo da cloroquina e do sulfato de hidroxicloroquina, sem avaliação e prescrição médica, pode resultar em prejuízos à saúde e redução da oferta para pessoas com indicação precisa para o seu uso. Para os profissionais de saúde, o Ministério alerta para a necessidade de, antes do uso dos medicamentos, realizar avaliação dos pacientes por meio de anamnese, exame físico e exames complementares.

Recentemente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) propôs que os médicos considerassem a prescrição da cloroquina e da hidroxicloroquina, em condições excepcionais, a partir do consentimento do paciente para tratamento da COVID-19. 

Medicamentos dessa classe terapêutica já são disponibilizados no SUS para tratamentos de outras doenças, como a malária, lúpus e artrite reumatóide. O Ministério da Saúde esclarece que, até o momento, não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo coronavírus.

ORIENTAÇÕES

Para os casos leves, o médico poderá prescrever a cloroquina ou hidroxicloroquina, combinados com a azitromicina, para pacientes que apresentarem os sintomas: perda do paladar e olfato, febre, coriza, diarreia, dor abdominal, tosse, fadiga, dores musculares e cefaleia. O tratamento medicamento só será utilizado caso esses sintomas ocorram nos cinco primeiros dias do início desses sinais.

Se enquadram em pacientes com sinais e sintomas moderados àqueles que tiverem tosse e febre persistente diária, ou tosse persistente associada à piora progressiva de outro sintoma relacionado à COVID-19. Também é considerado moderado o paciente que tiver pelo menos um desse sintomas já mencionados, além da presença de fator de risco, como diabetes, hipertensão. Neste caso, o médico deve considerar a internação hospitalar, além de afastar outras causas de gravidade; avaliar presença de infecção bacteriana; considerar o uso de imunoglobolina humana, anticoagulação e corticoterapia. Neste caso, o tratamento medicamento também só será utilizado caso esses sintomas ocorram nos cinco primeiros dias do início desses sinais.

Já a classificação de pacientes com sinais de gravidade são: dispneia e/ou desconforto respiratório, ou pressão persistente no tórax, ou saturação de O² menor que 95% em ar ambiente, ou coloração azulada de lábios ou rosto. Para o atendimento destes pacientes também será preciso considerar a internação hospitalar, além de afastar outras causas de gravidade; avaliar presença de infecção bacteriana; considerar o uso de imunoglobolina humana, anticoagulação e coticoterapia. No âmbito do atendimento medicamentoso, também só é válido para pacientes que apresentem esses sintomas nos cinco primeiros dias do início desses sinais.

AQUISIÇÃO NO PAÍS

O Ministério da Saúde está intensificando a produção da cloroquina nos laboratórios brasileiros e fazendo contatos internacionais para trazer ao Brasil o princípio ativo da hidroxicloroquina, hoje em falta em todo o mundo. A cloroquina já era ofertada no SUS para pessoas com malária. Além disso, a pasta está trabalhando para que o estoque de azitromicina também possa ser garantido nos estados e nos municípios.

Neste ano, o Ministério da Saúde adquiriu 3 milhões de comprimidos de cloroquina 150 mg, produzidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Além disso, o Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército (LQFEX) produziu 1 milhão de comprimidos e colocou à disposição da pasta. O Ministério da Saúde negocia com esses laboratórios novas aquisições do medicamento.

Até o momento, foram distribuídos 2,9 milhões de comprimidos de cloroquina em três envios distintos para os estados, com base no número de casos confirmados apresentados nos Boletins Epidemiológicos do Ministério da Saúde.

A hidroxicloroquina é adquirida pelos estados para a sobrevida e controle de pacientes portadores de Lúpus Eritematoso Sistêmico e Artrite Reumatoide. Atualmente no Brasil, existem quatro empresas com registros válidos junto à Agência de Vigilância Sanitário (Anvisa) desse medicamento: Apsen Farmacêutica, Sanofi Aventis, Medley Sanofi no Brasil, e EMS Indústria Farmacêutica. Essas empresas são responsáveis por abastecer o mercado público e privado no país.

Mundo ultrapassa 5 milhões de casos confirmados de Covid-19

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O número de casos confirmados de Covid-19 ao redor do mundo chegou a 5 milhões na madrugada desta quinta-feira (21), e o número de mortes provocadas pelo vírus já passa de 328 mil. Os números constam de levantamento da Universidade Johns Hopkins.

O vírus foi registrado pela primeira vez na cidade de Wuhan, na China, e o contágio foi comunicado à OMS (Organização Mundial da Saúde) em 31 de dezembro de 2019.

A dura quarentena aplicada pelo governo chinês a partir de janeiro não foi suficiente para impedir que o novo coronavírus deixasse a China e se espalhasse pelo mundo. A Covid-19, nome da doença provocada pelo novo coronavírus, já foi registrada em 188 países.

Desde que o mundo alcançou a marca de 1 milhão de casos de Covid-19, no início de abril, a doença segue em expansão em ritmo estabilizado. Em média, o mundo registra 1 milhão de novos casos confirmados a cada 12,3 dias.

A marca de 4 milhões de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus no mundo foi atingida em 9 de maio. Entre as marca de 4 milhões e 5 milhões de casos, passaram-se 12 dias, confirmando a tendência de estabilização do ritmo de avanço do vírus.

Se esse ritmo for mantido, o mundo poderá chegar a 6 milhões de casos do novo coronavírus no início de junho.

O Brasil é, atualmente, o terceiro principal epicentro da Covid-19. Com cerca de 291 mil casos confirmados, o país só fica atrás dos Estados Unidos (1,5 milhão) e da Rússia (308 mil).

Doze dias atrás, o Brasil registrava metade do número atual de casos (145 mil) e era apenas o oitavo país com mais contágios.

Antecipação do feriado de 9 de Julho será definida nesta quinta (21)

Projeto de Lei n° 351/2020, que busca antecipar o feriado civil de 9 de julho para a próxima segunda-feira (25/5), foi debatido por parlamentares em reunião conjunta das comissões de Constituição, Justiça e Redação, Finanças, Orçamento e Planejamento e Educação e Cultura realizada nesta quarta-feira (20/5) e segue para votação em Plenário Virtual nesta quinta (21/5) a partir das 14h30.

Na reunião presidida pelo deputado Mauro Bragato (PSDB), o parecer do relator, deputado Carlão Pignatari (PSDB), que manteve a base do texto enviado pelo governo, foi aprovado com 23 votos.

Apesar de favorável a antecipação do feriado, a bancada do PT apresentou uma emenda substitutiva por acreditar que a medida de autoria do governador é insuficiente para o período. O voto em separado defendeu medidas como um isolamento mais rigoroso e a restrição do tráfego de veículos pelas rodovias a partir do marco zero da capital até o quilômetro 150, com exceção de automóveis como viaturas, caminhões e serviços de atividades essenciais.

A deputada Valeria Bolsonaro (PSL) apresentou voto em separado contrário ao PL e demonstrou preocupação com o impacto do isolamento na economia. “O vírus é um ser vivo, ele não morre, está aí, e só vai parar de contaminar as pessoas quando entrar em contato com quem está imune” finalizou. Carlão Pignatari criticou preocupações políticas neste momento e afirmou: “Todos nós estamos preocupados com a economia, o que está acabando com economia do país não é o isolamento social, é o vírus, e não foi só no Brasil, acabou com a economia no mundo todo”.

O deputado Bruno Ganem (PODE) também apresentou voto em separado e um receio comum entre os demais parlamentares, que é o fato das pessoas saírem da capital e aumentarem os focos de contaminação pelo Estado. “Eu estou aqui defendendo o isolamento e é justamente por causa dele que eu entendo que essa decisão é equivocada”. Para ele, a decisão não se limita a uma questão de turismo, “a pessoa que tem apartamento na praia, para sair da rotina, da quarentena, ela vai. Ela aproveita essas datas maiores para visitar um parente no interior”, complementou.

Também participaram da reunião as deputadas e os deputados Alex de MadureiraCarlos CezarCarlos GiannaziDaniel JoséDaniel SoaresDelegado OlimDirceu DalbenDra. Damaris MouraEmidio de SouzaEstevam GalvãoGil DinizGilmaci SantosHeni Ozi CukierJanaina PaschoalLeci BrandãoMarcio da FarmáciaMarina HelouMarta CostaPaulo FioriloProfessora BebelProfessor KennyRicardo MellãoTenente NascimentoThiago AuricchioVinícius Camarinha e Wellington Moura.

Ex-presidiário é encontrado morto na Washington Luís

O corpo de um egresso do sistema prisional foi encontrado na madrugada desta quinta (21), no Km 174 da Washington Luís (SP-310), próximo ao Jardim do Trevo, em Rio Claro. A vítima fatal é Luis Melo da Silva, de 49 anos, morador de Sumaré, que havia sido liberado da cadeia nesta quarta (20).

Os policiais que estiveram no local em que o corpo foi encontrado não registraram sinais de violência, portanto tudo aponta para que o homem tenha tido um mal súbito.

As informações são do repórter Gilson Santullo.

Venda pela metade não inibe reabertura de shoppings

ISABELA BOLZANI E PAULA SPERB – SÃO PAULO, SP, E PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS)

Mesmo com a queda de até 50% no fluxo médio de pessoas e uma retração de 55% das vendas, representantes dos 88 shoppings, que já estão operando pelo país, são categóricos: preferem ganhar menos a manter as portas fechadas.
Na serra gaúcha, por exemplo, onde os shoppings estão prestes a completar um mês de reabertura, a avaliação é que, mesmo com a queda de circulação, abrir as portas é vantajoso.
Segundo o vice-presidente de operações da Iguatemi Empresa de Shopping Centers, Charles Krell, ainda que o volume de vendas e de pessoas ainda esteja abaixo dos níveis pré-pandemia, o resultado tem sido satisfatório, principalmente porque as taxas de conversão (vendas efetivas) se aproximam de 100%.
O Iguatemi tem duas estruturas de outlet funcionando: uma em Tijucas (SC) e outra em Novo Hamburgo (RS).
“Os lojistas estão satisfeitos por estarem abertos e com as vendas em retomada. Todos têm plena consciência de que essa é uma volta pausada, ninguém tinha ilusão de que seria uma arrancada de vendas. E saber disso tem sido a chave para a recuperação.”
Dados da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) apontam que a maior concentração de reabertura dos shoppings é na região Sul, cujos três estrados respondem por 56 do total de estruturas operantes no país –o equivalente a 63,6%.
Especificamente no Rio Grande do Sul, os shoppings já podem abrir desde 16 de abril. Cabe às prefeituras decidir se eles devem seguir fechados. Inicialmente, porém, o decreto estadual não permitia a reabertura dos shoppings na região metropolitana de Porto Alegre, mas já houve a liberação da capital também.
Desde 14 de maio, uma portaria determina as normas de funcionamento dos shoppings por meio de um sistema de bandeiras coloridas para organizar as atividades econômicas em 20 regiões durante a pandemia da Covid-19. A operação é liberada, com algumas restrições, para bandeiras amarela e laranja.
No caso da bandeira vermelha, as vendas só podem ocorrer por tele-entrega o drive-trhu. Na preta, os shoppings não podem funcionar. Não há nenhuma região sob essas bandeiras mais restritivas.
Ainda segundo a Abrasce, a região Centro-Oeste é a segunda com a maior concentração de shoppings abertos, 16. Em seguida vem o Sudeste, com 15, e o Nordeste, com apenas um em operação.
Segundo o presidente da associação, Glauco Humai, grande parte da redução das vendas e da circulação observada é pela redução das atividades de lazer –como cinemas e estruturas infantis– e pela maior conscientização por parte do consumidor, que faz uma compra mais assertiva e programada.
“Esse também é um comportamento que vimos mudar. O consumidor que antes gastava, na média, 76 minutos em uma visita agora fica apenas pouco mais de 25 minutos no shopping. Isso mostra que as compras são previstas, ele vai, compra o que quer e vai embora”, diz Humai.
Para o vice-presidente institucional da Multiplan, Vander Giordano, a redução do tempo de permanência dos consumidores nas estruturas físicas também significa a possibilidade de manutenção da operação do shopping sem eventos que poderiam gerar aglomeração.
“O ParkShoppingCanoas [no RS] é o primeiro da nossa rede a reabrir e adotou uma série de medidas rigorosas para preservar a saúde e segurança de todos. É uma retomada gradual, e temos uma perspectiva otimista sobre o futuro”, afirma Giordano. O shopping tem operado com metade da capacidade de vagas nos estacionamentos e uso obrigatório de máscaras, entre outros.
Em Caxias do Sul, na serra gaúcha, o Shopping Prataviera –o mais antigo da cidade– reabriu ainda em 22 de abril, com queda de 40% no volume de frequentadores diários. Ainda não é possível calcular a queda nas vendas. Ainda assim, a avaliação é que é melhor manter o shopping aberto.
“O lojista precisa movimentar. Tem gente fazendo promoções e usando as mercadorias que ficaram paradas para fazer ofertas”, diz João Prataviera Neto, gerente-geral do shopping.
No Iguatemi de Caxias do Sul (da administradora BR Malls), que reabriu em 20 de abril, o movimento caiu 50% em relação a 2019, afirma Thiago Quina, superintendente. “Tanto o Prataviera quanto o Iguatemi Caxias obedecem ao limite máximo de 50% da capacidade, horário reduzido e protocolos de higiene para clientes e lojistas.
Apesar da expectativa para a reabertura, os executivos também afirmam que a tendência é que os shoppings mantenham as estruturas de drive-thru e delivery ao menos nos primeiros momentos para atender clientes que ainda não se sintam confortáveis em compras presenciais ou aqueles que estejam no grupo de risco.

Fake news sobre Covid-19 no YouTube são vistas quase 3 vezes mais que dados reais

ATRÍCIA CAMPOS MELLO – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

“Uma aula para toda a vida. Como conseguir a sonhada imunidade.”

Usando essa frase, o presidente Jair Bolsonaro compartilhou no sábado (16), em suas redes sociais, um vídeo do médico Belmiro D’Arce, de Presidente Prudente (SP).
“Pior do que a contaminação pelo coronavírus é a fragilidade do corpo, é a falta de imunidade, e é isso que precisa ser combatido”, diz o médico no vídeo disponível no YouTube. “Tome banho de sol, onde entra o sol, sai a doença. Fuja do envenenamento mental de notícias que criam tensão e evite o açúcar, leite de vaca, industrializados. Eles criam no corpo ambiente propício para multiplicação dos vírus.”
O “Belmiro D’Arce” foi um dos canais de desinformação e fake news no YouTube analisados no estudo “Ciência Contaminada – Analisando o contágio de desinformação sobre coronavírus via YouTube”, de pesquisadores do Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário (Cepedisa) da USP, do Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo (LAUT) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD), sediado na Universidade Federal da Bahia.
O estudo ao qual a reportagem teve acesso identificou as principais redes que se disseminam informações falsas sobre o coronavírus no YouTube a partir da análise de 11.546 vídeos na primeira fase do levantamento, entre 1 de fevereiro e 17 de março, e 12.775 na segunda, entre 18 de março e 1 de maio.
Na primeira fase do estudo, as redes com grande circulação de desinformação sobre a doença tiveram quase três vezes mais visualizações do que as redes com informações verdadeiras sobre a Covid-19 –73.429.098 visualizações contra 27.712.722 visualizações.
O maior canal em que foram identificadas informações falsas é o Desperte – Thiago Lima, com 1,02 milhão de inscritos.
O canal é 4,3 vezes maior que o do Ministério da Saúde (233 mil inscritos) e tem “temáticas conspiratórias religiosas, misticistas e de cunho geopolítico”. Há desde acusações de que a Rede Globo agiria para implantar chips de controle na população até ataques à China.
“Associam o pangolim, suspeito transmissor do novo coronavírus, ao filme ‘Sonic’, um filme que veio ao ar em 2019 tendo como protagonista um porco-espinho. Evoca-se essa similaridade estética entre o animal e o protagonista do filme como prova cabal de uma trama política que ocorreria nos bastidores da geopolítica mundial”, diz o estudo.
Com audiência brasileira de cerca de 120 milhões usuários, o YouTube detém 15% de participação dos vídeos assistidos no Brasil, atrás apenas da TV Globo (18%), segundo o levantamento Video Viewers/Provokers de 2018. O consumo de vídeos online no Brasil cresceu de 8,1 para 19 horas semanais entre 2014 e 2018, enquanto o consumo de vídeos na TV apresentou um crescimento dez vezes inferior, de 21,9 para 24,8 horas semanais. Esses vídeos também alimentam boa parte das trocas de mensagens pelo WhatsApp.
Os pesquisadores identificaram quatro redes principais com conteúdo relativo à epidemia de coronavírus.
Uma delas é a rede de canais de teorias da conspiração, como o Desperte. Ataques ao “socialismo” e ao “comunismo” e termos como “Partido Comunista Chinês” e “arma biológica” são recorrentes. Outro canal da rede de teorias da conspiração, o “Questione-se”, que tem 658 mil seguidores, aposta na narrativa política, dizendo que os governadores estão ao lado da China, “dando um golpe no Brasil” e que têm um “esquema de caos desenhado”.
Há também canais que formam a rede de discurso religioso. Em alguns, rejeita-se a ciência e a pandemia é tratada através de ótica religiosa. Mas outros, como o do pastor Silas Malafaia, usam dados científicos de forma seletiva ou enviesada para corroborar suas teses.
Também pródiga em desinformação é a rede de pretensas informações médicas. Segundo a pesquisadora Nina Santos, do INCT.DD, cerca de 30% dos vídeos com mais de 100 mil visualizações nessa rede são de médicos que associam seus conteúdos digitais à venda de produtos.
Os vídeos listam dicas de como aumentar a imunidade com o consumo de determinados alimentos e vitaminas e raramente mencionam fontes oficiais ou recomendações das autoridades sanitárias.
“A estética e apresentação do conteúdo dão a entender que o consumo de produtos ‘saudáveis’, indicados por eles mesmos, são suficientes para combater a epidemia do coronavírus, o que induz o receptor à confusão. As ações de lavar as mãos, manter a distância social ou evitar de tocar na boca, nariz e olhos, oficialmente indicadas pela Organização Mundial de Saúde, raramente aparecem nos vídeos”, diz o estudo.
O médico Jea Myung Yoo, por exemplo, declara com todas as letras: “Coronavírus, esse novo que apareceu, não é problema nenhum. Sua imunidade é que realmente determina se você vai ser infectado ou não”. Segundo ele, “se as suas células do sistema de defesa estão funcionando bem, você pode ficar deambulando nos shoppings, em qualquer lugar, você pode abraçar aquele que está com esse vírus, não importa, gente, não tem problema nenhum”. Seu vídeo já foi visto mais de 765 mil.
Autoridades frequentemente colaboram para amplificar a desinformação, segundo o estudo. O canal do médico Belmiro D’Arce tem cerca 2,4 mil inscritos e a média dos últimos 20 vídeos é de cerca de 374 views. Já o vídeo de Belmiro divulgado por Bolsonaro já soma 113 mil visualizações.
A quarta rede reúne os canais jornalísticos e de informação e agrega a maior parte das notícias legítimas. Entre os vídeos com mais de 100 mil visualizações, apenas 4,8% continham algum tipo de desinformação.
Segundo Caio Vieira Machado, pesquisador do LAUT e Cepedisa, esse é o primeiro de uma série de estudos sobre desinformação como forma de “debilitar o sistema de peritos, atacando universidades, mídia, entidades públicas, ciência”. Aí se encaixam campanhas antivacinação, revisionismo histórico e questionamentos às mudanças climáticas.
“No caso da Covid, sem hipérbole, a desinformação pode afetar o futuro econômico do país e pôr em risco milhares de vidas”, diz Machado.
“Não existe vacina nem tratamento específico para a Covid-19. Todo enfrentamento da epidemia agora depende de medidas comportamentais, que estão ligadas diretamente a informação”, diz Daniel Dourado, do Cepedisa. “A única coisa que comprovadamente pode conter a epidemia é informação correta chegando às pessoas.”

Coronavírus expõe falta de vínculo entre diaristas e patrões, diz faxineira influence

THIAGO AMÂNCIO – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Veronica Oliveira, 38, viu sua vida mudar algumas vezes nos últimos anos. Primeiro, perdeu o emprego e com ele a casa e a vontade de viver. Precisando de dinheiro para comer, começou a fazer faxinas.
Seus anúncios engraçadinhos viralizaram na internet e hoje ela acumula quase 100 mil seguidores no Facebook, onde toca a página Faxina Boa, e outras dezenas de milhares em outras redes sociais.
No começo deste ano, semanas antes da pandemia do novo coronavírus estourar no Brasil, Veronica resolveu abandonar as faxinas e se concentrar na carreira de digital influencer, título do qual ela mesma acha graça. Em entrevista à reportagem, a agora ex-diarista conta que quer usar a fama e os seguidores que acumulou para ajudar a dar dignidade à profissão -principalmente em tempos de coronavírus.
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Pergunta – Você tem um grupo no Facebook com 7.000 faxineiras no Brasil e no mundo. Pelo que tem conversado com as pessoas, de modo geral, qual a situação dessas profissionais hoje com a pandemia?
Veronica Oliveira – Uma coisa que achei muito interessante é que, não importa há quanto tempo você trabalha com a mesma pessoa, embora ache que tem um vínculo, acaba percebendo que não. Teve uma menina que está há 22 anos na mesma casa e foi dispensada sem nenhum auxílio. Ela comentou: “O que me doeu foi não terem nem me perguntado se eu estou bem”.
E percebo também que quem está tentando ajudar e pagando a diária mesmo sem a faxineira trabalhar não são os mais ricos, mas uma galera classe média que tem alguma consciência social. A maioria das pessoas mais ricas apenas dispensou sem se preocupar em como a pessoa vai comer dali em diante.
Muitas faxineiras pediram auxílio emergencial, mas ficaram muito tempo em análise, demoraram a receber.

Muita gente tem descoberto a faxina pela primeira vez com a pandemia e visto que esse é um trabalho pesado, que demanda tempo e esforço. Você acha que a profissão pode ser mais valorizada?
VO – Eu gostaria muito que fosse. Mas, do fundo do coração, não acredito que isso vá acontecer. Mas dá um quentinho no coração ver as pessoas aprendendo na marra o quanto nosso trabalho é difícil e o quanto a gente merece reconhecimento por fazer algo que exige tanto do nosso físico.

O brasileiro costuma dizer que tem mania de limpeza, que é uma coisa cultural. Mas, pela sua experiência na casa das pessoas, o brasileiro realmente sabe manter as coisas limpas ou gosta mesmo é de pagar alguém para isso?
VO – Não só não sabe como não sabe nem comprar as coisas, não sabe absolutamente nada. Nada, zero, é impressionante, a pessoa não sabe do que precisa. Eu morro de medo de quem pergunta o que precisa comprar, porque eu penso: “O que essa pessoa limpou em casa até hoje? O que eu vou encontrar quando eu chegar lá?”. Só sabe realmente pagar para alguém fazer.

Então, se for para dar uma recomendação geral a essas pessoas, o que é básico para uma pessoa manter a casa mais ou menos arrumada?
VO – Recolher o lixo pelo menos dia sim, dia não; manter o banheiro limpo, porque é uma coisa que se limpa diariamente; não acumular louça e arrumar a cama, pelo amor de Deus, não custa nada. A cama arrumada já dá a sensação de casa arrumada, melhora seu dia e muda a sua cabeça. É muito doido o quanto isso impacta na sua vida, na produtividade, na forma de você encarar o dia, o fato de a casa estar ou não arrumada.

Como você começou a fazer faxina?
VO – Sempre trabalhei como operadora de telemarketing, ganhava bem e estava tranquila. Até a empresa falir. Só consegui outro emprego numa empresa que pagava um salário mínimo, e aí mudou completamente minha forma de viver com meus filhos. A gente se mudou para um quartinho de pensão e eu falei para eles que era temporário.
Ganhava um salário mínimo e me enchia de dívida loucamente para manter o mínimo. Com os descontos, aluguel e contas, eu tinha uma renda entre R$ 80 e R$ 100 por mês para três pessoas. Era muito óbvio que não ia ser temporário aquilo. E aí fui adoecendo.
Depois de um ano que a gente estava morando lá, em 2016, eu tentei suicídio e fui internada num hospital psiquiátrico. Um médico disse: “Você não é doida, você é pobre. E pobre dá para mudar”. E isso ficou na cabeça, porque eu pensei que ele não estava errado.
Quando eu saí do hospital, eu não fazia a menor ideia do que fazer da vida. Fui dormir na casa de uma amiga, que estava uma zona e eu comecei a arrumar. Aí eu fui limpando e esfregando até o teto. Quando eu terminei, ela falou: “Você se ofende se eu te pagar?” Eu tava muito sem grana, falei que não. Eu fiquei pensando: “Se todo dia eu ganhasse isso, minha vida mudava completamente”. Aí comecei a faxinar a casa das amigas, até que chegou a hora de anunciar.
Aí eu fiz uma campanha engraçada, me inspirei nos filmes e séries, “Better Call Saul”, “Orange Is The New Black”, “Star Wars”, “De Volta Para o Futuro”, que viralizou. Foi essencial para atrair um público parecido comigo. Atendia pessoas jovens, que moravam no centro, em apartamentos pequenos. Foi perfeito, porque eu me blindei de passar por situações complicadas, é um público fácil de atender. E também é uma galera que realmente não faz ideia do que fazer na casa.
Uma pessoa disse: “Nossa, eu nunca tinha pensado em limpar o espelho”. Eu falei: “Eu sei, eu vejo nas suas selfies”. Era muito engraçado. Eu criei vínculo e hoje eu ainda frequento a casa de quase todo mundo. E comecei a atender youtubers, blogueiros. Aí deu certo. Quando descobriram que eu morava onde eu morava, juntaram uma grana para eu alugar um apartamento, e eu tô nesse apartamento até hoje.
As coisas mudaram completamente na minha vida a partir do momento daquele post [do anúncio da faxina]. Depois de um ano, eu fui chamada para a primeira palestra, na sede do Twitter, para profissionais de propaganda. Quase morri do coração, achei que ia ter um treco, comecei a chorar, achei que não ia conseguir. Fui lá e fiz. Hoje já palestrei em diversos eventos no país todo.
Meu conteúdo conseguiu trazer para as pessoas um pouco de esperança de que as coisas podem mudar. Eu não fazia ideia que ia chegar onde cheguei. Só é esquisito o povo acompanhando a minha vida o tempo todo, mas tudo bem.

Você já passou por situações de preconceito?
VO – Acontecem várias coisas. O estigma da profissão é tão interessante que até numa loja de cosméticos já aconteceu de a vendedora sugerir que eu não tivesse a possibilidade de comprar aquele produto. Fiquei com vontade de comprar dois da colega dela, só para não dar comissão para ela. Às vezes, são coisas simples, às vezes coisas bizarras, como um cara desistir de sair comigo quando eu falo que sou faxineira.
Era muito comum me falarem “pode me dar um toque a cobrar que eu te ligo de volta”. A pessoa imediatamente tinha certeza que eu não tinha condição de pôr crédito no celular. E eu pensando: “Amada, se você soubesse” Eu nunca respondi, mas isso me irritava tanto. E quando chega na casa e a pessoa vê que eu tenho um telefone legal, já olha daquele jeito…
Recentemente, teve uma pessoa que fez um post no Instagram, que falava assim: “Descobri um perfil impressionante. É uma menina que faz faxina, se você olhar a timeline dela, os stories dela, gente, ela é uma pessoa que daria para conversar comigo, para andar comigo. Ela sabe várias coisas, frequenta lugares ótimos”.
Quando eu comecei a fazer trabalho com marca, imagina, eu ganhava um salário mínimo, e quando descobri quanto um influencer ganha, quanto uma marca paga, eu fiquei muito chocada. Eu fiz um trabalho de vídeo para um banco com um cachê que era uma coisa que eu nunca tinha visto na vida.
E como toda pessoa pobre, que nunca viu muito dinheiro de uma vez, primeiro paguei todas as minhas dívidas. O que sobrou, claro que eu não guardei. Gente, eu sinto muito, eu só me ferrei na vida. Aí fui passear um pouco. Passei 20 dias na Itália. Foi impressionante. Vinte dias comendo coisas que nunca mais serão comidas. Eu cheguei a chorar comendo ,pensando: “Não é possível que isso existe. Depois quando eu comer de novo no Brasil, eu vou ficar triste”. A moça fez a massa do macarrão, o molho, o queijo, não tem como você comer de novo [risos].

E quais são seus planos para o futuro profissionalmente? Você pretende seguir carreira de influencer?
VO – Isso é muito bom, carreira de influencer [risos]. Pior que tenho feito cursos na área de propaganda e marketing, produção de conteúdo, justamente para fazer esse negócio dar certo. Hoje eu trabalho com marcas grandes, então eu não posso nem reclamar dessa brincadeira de influencer. É uma coisa que, sim, me interessa muito, a criação de conteúdo.
Eu tenho vontade de fazer algo voltado para o social para ajudar essas pessoas, para profissionalizar o trabalho doméstico brasileiro, que é tudo muito largado, cada um faz de um jeito, cobra de um jeito. Quando eu recebo mensagem de alguém de Mato Grosso dizendo que entra às 8h e sai às 19h para ganhar R$ 40, não dá para aceitar esse tipo de coisa. E isso acontece até em São Paulo
Eu queria muito que a profissão fosse regulamentada de um jeito que as pessoas não sofressem tanto. A minha vontade é realmente fazer algo por essas pessoas.

RAIO-X
Veronica Oliveira, 38
Foi operadora de telemarketing antes de virar faxineira, em 2016. Após anúncios do serviço fazerem sucesso na internet, ela criou uma página no Facebook, o Faxina Boa, que hoje tem quase 100 mil seguidores, onde dá dicas e conta como é a rotina de uma diarista. Em fevereiro deste ano, deixou as faxinas para se dedicar à carreira de digital influencer.

Rio Claro chega a 55 casos de coronavírus; recuperados totalizam 13 pessoas

A Secretaria Municipal de Saúde de Rio Claro divulgou no final da tarde desta quarta-feira (20) boletim com os números da pandemia de coronavírus no município.

O boletim aponta dois novos casos, sendo um em teste rápido. Com isto, Rio Claro chega a 55 casos confirmados de Covid-19. A cidade registra oito óbitos e 21 pacientes internados, sendo 13 em UTI.

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Governo Bolsonaro anuncia adiamento do Enem

PAULO SALDAÑA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas educacionais) anunciou o adiamento do Enem 2020. As datas serão adiadas de 30 a 60 dias em relação ao previsto nos editais. Assim a prova deve ocorrer em dezembro ou janeiro.
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Confira nota do instituto:
“Atento às demandas da sociedade e manifestações do Poder Legislativo em função do impacto da pandemia do Coronavírus no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o Ministério da Educação (MEC) decidiram pelo adiamento da aplicação dos exames nas versões impressa e Digital. As datas serão adiadas de 30 a 60 dias em relação ao previsto nos editais. Para tanto, o Inep promoverá uma enquete junto aos inscritos para o Enem 2020, a ser realizada em junho, por meio da Página do Participante. As inscrições para o Enem 2020 seguem abertas até 23h59 desta sexta-feira, 22 de maio.”

Jornal Cidade RC
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