VÍDEO: Após manter cinco pessoas reféns, suspeito de assaltar casa é morto pela PM em Araras

Em Araras, assaltantes invadiram uma casa na manhã desta quinta-feira (10), na Vila Bressan, e fizeram cinco pessoas reféns. Após uma hora e meia de negociação, a família foi liberada. No vídeo, divulgado nas redes sociais, moradores registraram os momentos de tensão.


Um dos suspeitos de assaltar a casa foi morto pela Polícia Militar ao tentar fugir pelo telhado. Segundo a Polícia Civil, ele havia apontado a arma para o helicóptero Águia. Outros três suspeitos foram presos.


Ao Jornal Cidade, a PM informou que um casal e uma outra pessoa estavam na casa quando ela foi invadida por quatro rapazes armados. Ao escutar os gritos, uma vizinha chamou a polícia.


O corpo do homem foi levado ao IML (Instituto Médico Legal). Até as 12h50 de hoje a identidade não havia sido divulgada.

Concessão de benefícios do INSS fica mais rápida a partir desta quinta (10)

Agência Brasil

A partir desta quinta-feira (10) começam a valer os novos prazos para concessão de benefícios do INSS. As novas datas foram fruto de acordo da instituição e de outros órgãos do governo federal com o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU).blankblank

De acordo com o presidente do INSS, Leonardo Rolim, o acordo firmado vai ao encontro das ações que a instituição já vem dotando desde 2020 para reduzir o tempo de espera do segurado. “Contratamos servidores temporários; ampliamos as equipes de análise em 22%; ampliamos o número de benefícios concedidos de forma automatizada; realizamos mutirões para os benefícios mais solicitados, como auxílio-maternidade e pensão por morte, entre outras ações”, afirma.

Caso os prazos não sejam cumpridos, haverá o pagamento de juros de mora ao segurado, e o pedido será encaminhado para a Central Unificada para o Cumprimento Emergencial que terá um prazo de dez dias para a conclusão da análise.

Confira a seguir os novos prazos:
Benefício assistencial à pessoa com deficiência90 dias
Benefício assistencial ao idoso90 dias
Aposentadorias, salvo por invalidez90 dias
Aposentadoria por invalidez comum e acidentária45 dias
Salário maternidade30 dias
Pensão por morte60 dias
Auxílio reclusão60 dias

Unesp Rio Claro é finalista em desafio de inovação com proposta de câmpus sustentável

(Fabio Mazzitelli – Jornal Unesp)

Uma proposta que engloba uma série de melhorias ambientais para o câmpus de Rio Claro da Unesp foi escolhida como uma das seis finalistas de um desafio internacional de inovação criado para valorizar projetos alinhados à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).

Desenvolvido por estudantes de pós-graduação sob a coordenação do professor Milton Cezar Ribeiro, do Departamento de Biodiversidade do Instituto de Biociências da Unesp em Rio Claro, o Projeto Araucária dialoga com cinco dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU por meio de três subprojetos planejados pelo grupo unespiano para serem executados no câmpus ao longo da década.

Os subprojetos indicam melhorias na mobilidade dentro do câmpus, com a ampliação e a arborização da ciclovia já existente (ODS Saúde e Bem-Estar e ODS Ação contra a Mudança Climática); atividades de extensão universitária para recuperação de áreas degradadas com técnicas de agrofloresta (ODS Agricultura Sustentável e ODS Vida Terrestre) e a recuperação da vegetação ciliar do Córrego Bandeirantes, curso d’água que vai desaguar no Ribeirão Claro, um dos principais da cidade paulista (ODS Vida na Água).

“Cada câmpus da Unesp tem a sua realidade. Traçamos este projeto para desdobrar algumas ações que já vinham sendo realizadas, como o aumento da cobertura florestal do câmpus, o que melhora as condições para a biodiversidade como um todo. Ampliar e arborizar a ciclovia, além de melhorar a mobilidade, impacta na qualidade térmica dentro do câmpus”, exemplifica o professor Milton Cezar Ribeiro, responsável pelo Laboratório de Ecologia Espacial e Conservação e coordenador do grupo Gira-Sol de extensão universitária.

Na final da segunda edição do Challenge Campus 2030, programada para a próxima sexta-feira (11 de junho), o projeto de Rio Claro vai concorrer com iniciativas de planejamento ambiental para melhorias no espaço físico de câmpus universitários localizados em outros cinco países: Bélgica, Congo, Líbano, Marrocos e Turquia. Inscreveram-se no desafio internacional quase 700 projetos –cerca de 2.000 participantes, no total. A equipe da Unesp é formada por cinco pessoas. “Contamos com o apoio da direção do câmpus. A execução do projeto prevê o envolvimento de alunos de graduação, entidades parceiras, prefeitura e da sociedade em geral”, afirma o professor Milton Cezar Ribeiro.

Pesquisador e docente do curso de graduação em Ecologia, um dos poucos do gênero oferecidos no Brasil, Milton Cezar Ribeiro começou a reflorestar uma área do câmpus universitário há dez anos, em ações de extensão. Situado em uma área de transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado, o câmpus de Rio Claro é vizinho à Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade (Feena), administrada pela Fundação Florestal, e seu espaço físico costuma ser bastante utilizado pela população local –não só pela comunidade unespiana.

Brasil fica fora da lista de países que receberão 500 milhões de vacinas doadas por EUA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os EUA confirmaram oficialmente nesta quinta-feira (10) que comprarão 500 milhões de doses de vacinas da Pfizer contra o coronavírus para doação e divulgaram a lista dos países que irão receber os imunizantes. São 92 nações de baixa renda e da União Africana, e entre elas não está o Brasil.

Segundo a Casa Branca, é a maior compra e doação de vacinas efetuadas por um único país na pandemia até agora.
A lista dos 92 países de destino das doações foi definida de acordo com o Compromisso de Mercado Antecipado (AMC, na sigla em inglês) da aliança global por vacinação Gavi e incluem vários nações da África, como Angola, Marrocos, Cabo Verde, Nigéria e Quênia, da Ásia, como Afeganistão, Bangladesh, Índia e Paquistão, e da América Latina e do Caribe, como Haiti, Bolívia, Honduras e Nicarágua.

As doações serão pelo sistema Covax, consórcio criado para a distribuição mais igualitária de vacinas no mundo, e a previsão é que 200 milhões de doses sejam enviadas até o fim deste ano, começando no mês de agosto. As 300 milhões de doses restantes serão entregues no primeiro semestre de 2022, afirma o governo americano.

Os EUA devem comprar as doses a preço de custo, de acordo com o New York Times. O coordenador da resposta da Casa Branca ao coronavírus, Jeffrey Zients, disse em comunicado nesta quarta (9) que Biden usaria o ritmo da vacinação no próprio país para “reunir as democracias do mundo para resolver esta crise globalmente, com os EUA liderando o caminho para criar um arsenal de vacinas que serão fundamentais em nossa luta global contra a Covid-19”.

A negociação foi feita durante as últimas quatro semanas por Zients, de acordo com a Reuters.
Uma outra negociação para comprar um número similar de doses da fabricante Moderna também estaria em andamento, segundo uma pessoa próxima ao caso relatou à emissora americana CNBC. A farmacêutica não respondeu ao pedido de comentários feito pela Reuters.

A iniciativa faz parte dos esforços da gestão democrata para responder às cobranças por ajuda robusta ao programa de imunização de países sem acesso à quantidade necessária de doses para suas populações. Apesar de volumosa, a compra está longe dos 11 bilhões de doses que a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima serem necessários para vacinar o mundo.

Os EUA já tinham prometido compartilhar mais de 20 milhões de doses de vacina até o fim de junho. O número se somou aos primeiros 60 milhões de doses do imunizante da AstraZeneca que a Casa Branca já havia se comprometido a distribuir, totalizando 80 milhões de vacinas a serem enviadas pelos americanos ao exterior.

Na semana passada, o governo detalhou parte do plano e disse que vai enviar, inicialmente, 6 milhões de doses para o Brasil e para outros países da América Latina. O compartilhamento será feito via Covax, e ainda não há detalhes oficiais sobre o número de imunizantes que o Brasil vai receber.

Como as vacinas doadas exigem duas doses, o total que chegará neste primeiro momento à América Latina e ao Caribe será suficiente para imunizar 3 milhões de pessoas –a região tem mais de 438 milhões de habitantes.
Apesar da situação grave da pandemia no Brasil, o país não entrou na lista dos que vão receber imunizantes por distribuição direta bilateral, caso da Índia e do México.

Assim como ocorreu com o acesso a respiradores e máscaras ao longo da pandemia, há uma desigualdade na distribuição das vacinas. Os países que tinham mais recursos e poder na geopolítica global chegaram primeiro e reservaram para si a maior parte dos imunizantes disponíveis. As primeiras compras foram feitas pelos EUA e pelo Reino Unido em maio de 2020, quando as vacinas ainda estavam em desenvolvimento.

Os Estados Unidos, por exemplo, têm quantidade suficiente para vacinar três vezes sua população, e o Canadá comprou dez doses por habitante. Enquanto isso, países como Serra Leoa, Mali e Camarões não imunizaram nem 1% de seus moradores.

O cenário é o que o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, definiu, em maio, como “apartheid das vacinas”. Adhanom, que também classificou a situação como um “fracasso moral catastrófico”, fez um apelo para que os países doem parte de seus excedentes ao Covax. O anúncio dos EUA veio algumas semanas após a declaração do diretor-geral.

Hoje, mais de 2,2 bilhões de doses já foram aplicadas no mundo, segundo dados da Universidade Johns Hopkins (EUA). Até esta terça (8), 808,9 milhões dessas doses haviam sido aplicadas pela China, líder no número total, seguida por EUA, que já administrou 303,9 milhões, Índia, com 233,7 milhões, e Brasil, com 74,5 milhões, de acordo com o Our World in Data.

Em relação à população, dados do New York Times mostram no topo de doses aplicadas por 100 habitantes os Emirados Árabes Unidos (137), Israel (117) e Bahrein (113) –enquanto os EUA apresentam índice de 92, e o Brasil, 35.

JC Business: programa aborda a saúde mental e produtividade na pandemia

Como anda a sua saúde mental nesta pandemia? Você pode sentir uma tristeza, um desânimo, uma irritabilidade ou uma depressão. Sem contar no aumento do consumo de alimentos e de bebidas alcoólicas, brigas entre familiares, dores e mais dores que não tínhamos antes. Isso tudo afeta a produtividade no trabalho.

O JC Business desta quinta-feira (10) vai falar sobre a pandemia e o home-office e de que forma a saúde mental e a produtividade podem ser afetadas por diversos fatores. O programa, transmitido ao vivo, a partir das 19 horas, pelo Facebook e YouTube do Jornal Cidade, e mediado pela Gerente-Geral do Grupo JC de Comunicação, Maria Angela Tavares de Lima, irá receber dois profissionais para lá de especiais e renomados.

Ana Lúcia Cabrini é consultora na área de ergonomia e gestão industrial, é formada em Engenharia de Produção e Pós-Graduada em Engenharia de Segurança do Trabalho, e em Administração. Tem mais de 20 anos de experiência na gestão das áreas de produção industrial com carreira desenvolvida em indústrias dos segmentos automotivo e componentes eletroeletrônico. Presta consultoria em otimização de Processos Industriais, Gestão de Pessoas e Ergonomia, abordando os diversos aspectos desta Ciência, que busca promover a saúde física e mental do trabalhador através da análise dos fatores de risco, planos de ação e mentoria da equipe.

E Felipe Renato Nadai, Pós-graduado em psiquiatria e psicanálise, Coordenador do Núcleo de Atenção à Saúde Mental da Unimed Rio Claro, do Centro Multidisciplinar e da Clínica pais-bebês. Professor do Curso de Medicina do Centro Universitário Claretiano.

Para participar do programa, basta enviar comentários e perguntas através das redes sociais do JC. Uma equipe estará selecionando os questionamentos e passando aos profissionais para serem respondidos conforme possível.

EUA doarão 500 milhões de vacinas e pedem que outros façam o mesmo

Agência Brasil

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Joe Biden, planeja comprar da Pfizer 500 milhões de doses da vacina contra o novo coronavírus e doá-las para mais de 90 países. Ao mesmo tempo, ele pede que as democracias do mundo façam sua parte para ajudar a acabar com a pandemia, disse a Casa Branca.blankblank

O anúncio da doação de vacinas – a maior já feita por qualquer país – chega depois de Biden se encontrar com presidentes das outras economias avançadas do G7 na Inglaterra.

“O objetivo da doação é salvar vidas e encerrar a pandemia, além de fornecer o fundamento de ações adicionais a serem anunciadas nos próximos dias”, informou a Casa Branca.

A farmacêutica norte-americana Pfizer e sua parceria alemã BioNTech proporcionarão 200 milhões de doses em 2021 e 300 milhões na primeira metade de 2022, que os EUA então distribuirão a 92 países de renda baixa e à União Africana.

As vacinas, que serão produzidas nas instalações norte-americanas da Pfizer, serão disponibilizadas a um preço sem margem de lucro.

“Nossa parceria com o governo dos EUA ajudará a levar centenas de milhões de doses de nossa vacina aos países mais pobres do mundo o mais rapidamente possível”, disse o executivo-chefe da Pfizer, Albert Bourla.

As novas doações se somam às cerca de 80 milhões de doses que Washington já prometeu doar até o fim de junho e aos US$ 2 bilhões contingenciados para o programa Covax, liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e a Aliança Global para Vacinas e Imunização (Gavi), acrescentou o governo norte-americano..

A Gavi e a OMS saudaram a iniciativa, mas grupos de ativismo antipobreza pediram que se faça mais para aumentar a produção mundial de vacinas.

“Certamente esses 500 milhões de doses de vacina são bem-vindas, já que ajudarão mais de 250 milhões de pessoas, mas isso ainda é uma gota no oceano comparado à necessidade em todo o mundo”, disse Niko Lusiani, que comanda a unidade de vacinas da Oxfam América.

“Precisamos de uma transformação rumo à fabricação de vacina mais distribuída, para que produtores qualificados de todo o mundo possam produzir bilhões a mais de doses de baixo custo em seus próprios termos, sem restrições de propriedade intelectual”, acrescentou Lusiani em comunicado.

Biden apoia a dispensa de direitos de propriedade intelectual de algumas vacinas, mas não existe consenso internacional sobre como proceder.

* Reportagem adicional de Caroline Copley

Conta de água fica 14,8% mais cara no município

A conta de água do munícipe de Rio Claro ficará mais cara. Isto porque a Prefeitura publicou ontem (9) no Diário Oficial do Município a resolução da Agência Reguladora dos Serviços de Saneamento (Ares-PCJ) que reajusta as tarifas de água e esgoto em 14,80%.

O relatório técnico que autoriza o Daae (Departamento Autônomo de Água e Esgoto) de Rio Claro a reajustar as tarifas foi apresentado ao Conselho de Regulação e Controle Social dos Serviços de Saneamento do município. Segundo a autarquia, o novo reajuste entrará em vigor a partir do dia 9 de julho, mas será cobrado nas faturas emitidas a partir do mês de agosto.

O superintendente do Daae, Osmar da Silva Junior, alega que o último reajuste aconteceu há 24 meses e isso “acarretou um gigantesco desequilíbrio econômico-financeiro no Daae”, diz. Segundo comunica a administração, na tarifa residencial o valor do consumo mínimo (até 10m³) de água passa de R$ 41,28 para R$ 47,30, o que representa aumento de R$ 6,10 na fatura de água e esgoto.

“Os estudos dos cálculos para apuração do índice de reajuste das tarifas são feitos anualmente pela Ares-PCJ por meio de metodologia matemática chamada ‘fórmula paramétrica’ com base nos balanços repassados pelo Daae como: folha de pagamento; encargos; custos dos insumos e produtos químicos para tratamento da água; energia elétrica e combustível”, explica a Prefeitura.

Ainda segundo o Daae, também entra na análise a inflação acumulada nos últimos 12 meses, que são: IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo e o INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor; além dos investimentos realizados e previstos para manutenção e ampliação do sistema de distribuição de água, visando garantir a sustentabilidade econômico-financeira do serviço público, conforme determina a Lei Federal 11.445/07. Também, o índice de inadimplência no pagamento das contas. Atualmente são aproximadamente R$ 85 milhões na Dívida Ativa.

VÍDEO: presidente da Argentina diz que brasileiros vieram da selva

SYLVIA COLOMBO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – Em encontro na manhã desta quarta (9) com o premiê da Espanha, em Buenos Aires, o presidente argentino, Alberto Fernández, disse que “os mexicanos vieram dos indígenas, os brasileiros, da selva, e nós, chegamos em barcos”. “Eram barcos que vinham da Europa”, afirmou, apontando para Pedro Sánchez. Depois, referendou: “O meu [sobrenome] Fernández é uma prova disso”.


O líder argentino acreditava fazer menção a uma frase incorretamente atribuída ao escritor mexicano Octavio Paz (1914-1998), Nobel de literatura em 1990, em que ele teria discorrido sobre a raiz asteca dos mexicanos e a origem inca dos peruanos. Fernández, porém, confundiu-se, e a frase é na verdade parte de uma canção do compositor Litto Nebbia.


Após a repercussão da declaração, o presidente argentino publicou uma mensagem no Twitter na qual diz que “nossa diversidade é um orgulho”. “Mais de uma vez foi dito que ‘os argentinos descendemos dos barcos’. Na primeira metade do século 20 recebemos mais de 5 milhões de imigrantes que conviveram com os nossos povos originários. Nossa diversidade é um orgulho.” Na sequência, acrescentou que “não quis ofender ninguém” e pediu desculpas “a quem tenha se sentido ofendido ou invisibilizado”.

A oposição também reagiu por meio de redes sociais. O deputado Facundo Suárez Lastra, da União Cívica Radical, afirmou que “sempre há um nível mais baixo para que o presidente desça na escada do ridículo e da vergonha”. “Ofende países irmãos e aparece como um ignorante. Nem professor nem acadêmico.”


Também da UCR, partido que fazia parte da base de apoio do ex-presidente Mauricio Macri, Karina Banfi pediu que Fernández se desculpasse por sua ignorância e discriminação com os povos originários, com os países da região e com todos os argentinos e argentinas”.


Figuras públicas argentinas com frequência cometem o que a imprensa local costuma chamar de “gafe”. A frase racista, no entanto, revela um traço cultural profundo que minimiza ou mesmo nega a raiz mestiça da população, pensamento presente desde o século 19 entre intelectuais e governantes importantes. Obviamente não se trata de uma postura de toda a sociedade, mas muito marcada na elite.


O ex-presidente Domingo Faustino Sarmiento (1811-1888), autor de “Conflicto y Armonías de las Razas en América” (conflito e harmonia das raças na América), por exemplo, falava da necessidade de “embranquecer a Argentina” para o desenvolvimento do país. Em seu mandato, estimulou a imigração de europeus com essa finalidade.


A teoria de Sarmiento influenciou seu sucessor na Presidência, Julio Argentino Roca (1843-1914), responsável por iniciar a Campanha do Deserto, em que, sob a justificativa de “levar civilização aos rincões do país”, o Exército argentino assassinou comunidades inteiras de índios ranqueles e araucanos, entre outros. Não há consenso quanto ao número de mortes provocadas pela campanha, mas historiadores renomados falam em genocídio ou em “impulso genocida”.


Essas etnias, porém, não foram totalmente exterminadas, tanto que a população do interior da Argentina guarda traços desses povos, e há pequenos grupos que mantêm os idiomas originários.


O maior fluxo de imigrantes europeus na Argentina ocorreu entre 1850 e 1950, quando cerca de 7 milhões entraram no país. Já os africanos vieram em maior escala entre os séculos 16 e 19, como escravos.
Embora a população de negros tenha diminuído no país, ela permanece grande. Em 1778, africanos e afro-descendentes eram 37% dos habitantes do país, de acordo com documentos oficiais espanhóis.

Em Buenos Aires, nas primeiras décadas após a independência (1810), eles representavam 30% da população. Hoje, segundo o censo mais recente, 9% são afro-argentinos em todo o território. A Argentina tinha, de acordo com o Banco Mundial, 44,94 milhões de habitantes em 2019.

Declarações do tipo também já foram feitas por membros de diferentes partidos e classes sociais do país. O escritor argentino Jorge Luis Borges, por exemplo, dizia que “os argentinos são europeus nascidos no exterior”. No futebol, algumas demonstrações racistas marcam o passado da relação entre Brasil e Argentina. Na primeira metade do século passado, torcedores argentinos imitavam macacos nas arquibancadas, o que chegou a provocar a saída dos jogadores brasileiros do gramado.


Em 1996, quando soube-se que a seleção argentina enfrentaria Brasil ou Nigéria na Olimpíada de Atlanta, o diário esportivo Olé estampou a manchete “Que venham os macacos”. Depois, a publicação se retratou.
No campo político, o ex-presidente Macri afirmou, na abertura de seu discurso no Fórum Econômico de Davos, em 2018, como forma de cumprimentar a plateia, que “somos todos descendentes da Europa”.

Em 9 de julho de 2016, data em que a independência argentina é celebrada, Macri disse que os “independentistas argentinos devem ter sentido uma grande angústia por terem de se separar da Espanha”. A declaração foi dada na presença do hoje rei emérito Juan Carlos, chamado na ocasião de “querido rei” pelo ex-presidente argentino.


Já o peronista Carlos Menem, também ex-presidente, negou em um discurso na Universidade de Maastricht, na Holanda, em 1993, que o país tivesse negros. No mesmo evento, ao ser questionado sobre a escravidão na Argentina, disse que, em 1813, ano da abolição, os poucos negros já haviam morrido, e que, então, aquilo era “um problema brasileiro”.


Agora foi a vez de Fernández, que se apresenta como um nome de centro-esquerda e tem vínculos com organizações que defendem as minorias e os indígenas.

Jornal Cidade RC
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