Jucielen Cerqueira Romeu, Leonardo Macedo e Rafael Mamprin Losano. Foto: Vagner Ansanelo/Arquivo Pessoal

Reportagem: Laura Tesseti – Fotos: Vagner Ansanelo/Arquivo Pessoal

Começam, no dia 26 de julho, os Jogos Olímpicos de Paris 2024. E, claro, como de costume, tem rio-clarense marcando presença em mais um evento histórico e levando o nome da Cidade Azul para o mundo!

Jucielen Cerqueira Romeu (57 kg) é figurinha carimbada quando o assunto são mulheres defendendo as cores verde e amarelo nos ringues. A atleta da Academia MM Boxe de Rio Claro já representou o Brasil em quatro campeonatos mundiais, ficando no TOP 5 em três deles. Esteve também em dois Pan-americanos: em 2019 foi vice-campeã e, em 2023, conquistou o primeiro lugar do pódio. Marcou presença nas Olimpíadas de Tóquio e em 2022 foi campeã sul-americana. E já está de malas prontas, rumo à Cidade Luz.

Jucielen Cerqueira Romeu (57 kg), atleta da Academia MM Boxe de Rio Claro

Em conversa com a JC Magazine, a rio-clarense falou sobre o trabalho feito para a conquista da vaga, a expectativa e a sua relação com Rio Claro.

“Sobre a classificação, foi o que eu esperava, estava treinando muito para isso e sabia que tinha totais condições, fiquei e estou muito feliz em poder participar de mais uma edição dos Jogos Olímpicos. É uma competição muito difícil, todas as atletas são muito bem treinadas, muito focadas, e eu estou confiante em mim, estou treinando muito e me dedicando em todos os aspectos para chegar lá na minha melhor forma possível”, disse.

Com uma rotina intensa, a atleta explica que atualmente vive em São Paulo e treina duas vezes ao dia, durante a manhã e à tarde, e aos finais de semana por um período. Após os treinamentos, o descanso é necessário, aliado a todo o cuidado com a alimentação.

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Jucielen durante treinamento com Leonardo Macedo na academia MM Boxe, em Rio Claro

“Tem sido um ciclo muito intenso, e este último ano foi bem puxado, muito treino, viagens para a base de treinamento em conjunto com outros países, algumas competições e muito, muito treino, quase nenhuma folga para não perdermos o ritmo. Evito sair muito ou fazer coisas que me distanciem do meu objetivo maior”, explica.

A VIDA NO BOXE

Nascida e criada na cidade de Rio Claro, onde a maioria de sua família vive, Jucielen viu o boxe entrar em sua vida por acaso, através de um projeto social no Jardim Guanabara 2. Estudou nas escolas estaduais Prof. João Baptista Negrão Filho e Joaquim Ribeiro, e fala um pouco sobre o que o esporte lhe proporcionou.

“Tive uma infância muito boa no bairro onde morava, houve a experiência de morar fora de casa ainda muito jovem. Por conta do boxe, morei por um tempo em um alojamento num clube de Rio Claro e, desde a adolescência, fui disciplinada, pois eu tinha um propósito para minha vida no boxe. E, quando eu fui convocada para a Seleção Brasileira, foi quando eu vi realmente que estava tudo dando certo. Nessa época, fui morar em São Paulo para integrar a equipe olímpica”, conta.

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A curiosidade em relação ao esporte foi aguçada na menina que, hoje, aos 28 anos, leva o nome do país e de Rio Claro a cada golpe.

“O boxe entrou na minha vida por acaso, eu soube que iria iniciar aulas de boxe em um projeto no bairro onde eu morava, e então fui lá para ver como era. Logo de cara eu já gostei, e então comecei a treinar apenas por diversão. Marcos Macedo, treinador principal na época, viu potencial em mim e então começou a falar sobre onde eu poderia chegar se continuasse treinando e me dedicando. E foi exatamente o que fiz, comecei a treinar para competir, fui melhorando, me destacando cada vez mais, até ser convocada para a Seleção pela primeira vez, em 2016”.

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No ano de 2017, Juci acabou não sendo convocada, mas em 2018 entrou novamente, mantendo-se até os dias de hoje.

O esporte virou profissão quando a atleta passou a ser remunerada pela Prefeitura Municipal de Rio Claro, ainda jovem. A virada de chave veio aí.

“Vi que já não era mais algo que eu fazia só por gostar, eu tinha que me manter bem treinada e ter resultados nos campeonatos. Após ser convocada para a Seleção, percebi mais ainda que o boxe virou a minha profissão”, finaliza.

NO COMANDO

E engana-se quem pensa que Jucielen será a única representante rio-clarense na Seleção Brasileira de Boxe em Paris 2024.

Outro nome bastante conhecido e conceituado na cidade e região também já está de malas prontas. Leonardo Macedo, como o próprio nome já sugere, é filho de Marcos Macedo e um dos grandes responsáveis por dar visibilidade ao esporte em Rio Claro e treinar grandes talentos descobertos no projeto social desenvolvido pela Academia MM Boxe, fundada pela Família Macedo.

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Leonardo Macedo e Jucielen

Leonardo é treinador de boxe, graduado em Educação Física, e integra a equipe de técnicos da Seleção Brasileira de Boxe desde 2017. Mesmo distante por conta do trabalho realizado atualmente, sempre marcou presença na MM Boxe, também como técnico.

Filho de Marcos e Analice, irmão de Breno e Letícia, esposo de Mariana e pai de Maria, Leonardo nasceu na Capital, mas em 1999 veio com os pais e irmãos para a Cidade Azul, onde fez morada, construiu família e entregou esperança para centenas de jovens que já passaram e passam pela academia localizada em um dos pontos mais charmosos de Rio Claro.

“Eu costumo dizer que não fui eu que escolhi o boxe, mas sim ele que me escolheu. Sou nascido em São Paulo, minha mãe é rio-clarense, assim como toda sua família, e conheceu meu pai na Capital. Sempre o acompanhei no trabalho, desde muito pequeno colocava as luvas e marcava presença nos ginásios, treinos, campeonatos, sempre atento aos detalhes, técnicas”, relata. Marcos Macedo, na época, trabalhava no Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, um núcleo na cidade de São Paulo com várias modalidades esportivas e com tantas vivências. O boxe passou a fazer parte da vida de Leonardo de uma forma natural.

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Jogos Sul-americanos Assunção 2022 – Boxe – Na foto a atleta Jucielen Romeu e o técnico Leonardo Macedo. Foto: Gaspar Nóbrega/COB

Morar em Rio Claro foi escolha dos pais, que buscavam qualidade de vida, mas a vinda de todos para cá contribuiu, e muito, anos mais tarde, para o crescimento do boxe no município.

“Meus pais buscavam uma vida melhor e, para nós, com certeza foi a melhor escolha. Poder viver no interior, conhecer seus vizinhos, ter amigos, ir para a escola de bicicleta, andar na rua com mais tranquilidade, uma vida mais humana. Eu me considero rio-clarense de coração”, aponta o técnico.
Apaixonado pelo que faz, ele explica que a prática do esporte vai além das competições e as lições são para a vida toda.

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Jogos Pan-americanos Santiago 2023 – Boxe – Semifinal Leo Macedo e Jucielen Romeu – Foto de Miriam Jeske/COB

“São inquestionáveis os benefícios da prática da atividade física. Como educador físico, sempre fui consciente quanto a isso e cresci em uma família na qual o esporte era incentivado em todas as suas vertentes e modalidades. O esporte traz pilares importantíssimos para a formação do cidadão, ensina disciplina, equidade, igualdade, ensina a perder, a ganhar, a participar, cumprir as regras. Encontramos manifestações machistas, racistas, infelizmente, e também é uma forma de dialogar com a sociedade de modo geral, levanta pautas importantíssimas e isso nos faz refletir sobre o que buscamos e onde estamos”, pontua.

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Jogos Pan-americanos Santiago 2023 – Boxe – Semifinal – Foto de Miriam Jeske/COB

MM BOXE

E é exatamente com esses pilares que a Academia MM Boxe segue sendo um nome forte quando o assunto é este esporte. O projeto tem como objetivo proporcionar, através da vivência na modalidade, a inclusão social em todas as frentes.

“É um lugar plural, participo menos do que gostaria atualmente por conta do trabalho com a Seleção, que acaba sendo bastante intenso. Mas o que desenvolvemos na academia ao longo de tantos anos tornou-se um projeto independente, que foi tomando forma durante os muitos anos em que estive à frente, e hoje é coordenado pelo meu irmão, Breno Macedo, e pelos meninos formados ao longo de todos esses anos”, conta.

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Leonardo Macedo

SELEÇÃO

O caminho que trilhou Leonardo Macedo até a Seleção Brasileira de Boxe começou no projeto desenvolvido na academia do Cidade Nova.

“Cheguei até aqui através do meu trabalho na MM Boxe. Nunca enxerguei como um objetivo claro, uma meta a ser alcançada. É claro que os sonhos existem, mas sempre busquei fazer meu trabalho com qualidade e competência. Cheguei lá através do trabalho na MM Boxe. Formamos vários atletas: o Kaike Silvano, que foi o primeiro de RC a ser convocado, o Jonatan Conceição, a Jucielen, o Kauê Beline. A academia foi se consolidando como referência neste trabalho de base, com qualidade técnico-tática, de ter padrão, escola, não houve somente um atleta, dois, foi toda uma geração”, explica.

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O convite para integrar a Seleção Brasileira veio após seu trabalho dar resultados constantes. Leonardo Macedo atuava como treinador da Seleção Paulista, quando veio a oportunidade.

“Fiz duas viagens a princípio: uma para a Rússia e a outra para a Argentina. O responsável me chamou, explicou a reformulação da equipe, apresentou o projeto e aí não tem como dizer não para a Seleção Brasileira, não é mesmo? Foi uma mudança bem grande, tanto em minha vida profissional quanto na vida pessoal”, relembra.

PREPARAÇÃO

Segundo o técnico, o trabalho está sendo intenso. O ano que antecede os Jogos Olímpicos é bastante puxado para os atletas e suas equipes técnicas.

“A preparação em si começa assim que a edição dos Jogos Olímpicos acaba. O preparo é feito para que a vaga seja conquistada e são anos de dedicação e muito trabalho. Conquistamos classificações importantes, como as no Pan-americano em Santiago, no Chile, em 2023, permitindo nove classificações para Paris 2024. A ideia era conseguirmos sete vagas e repetir Tóquio, mas nos superamos. Teremos dez atletas representando o Brasil nos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris. É difícil, cansativo para os atletas, para a equipe, mas sabemos que estamos fazendo o nosso trabalho da forma necessária e entregaremos o nosso melhor”, finaliza.


Tem mais rio-clarense em Paris 2024, sim!

Nascido na Cidade Azul em 10 de outubro de 1997, o jovem Rafael Mamprin Losano é um dos cavaleiros que integram a equipe brasileira de hipismo CCE nos Jogos Olímpicos do próximo mês. Vivendo na Inglaterra desde 2015, também está de malas prontas para cruzar o Canal da Mancha em busca de bons resultados e, claro, de medalhas.

Filho de Wagner Losano e Cristina Mamprin Losano, estudou em colégios tradicionais como COC e Koelle, e iniciou a vida no hipismo aos oito anos de idade, no Clube de Cavaleiros “Professor Victorino Machado”, instalado no antigo horto florestal, hoje Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade.
“Comecei a fazer aulas de salto e hipismo rural com o professor José Adilson Bernardino, o Jô. Logo passei a competir pela Associação Brasileira dos Cavaleiros de Hipismo Rural – Abhir. Em 2010, iniciei na prática do CCE – Concurso Completo de Equitação (prova que compreende três modalidades no mesmo evento: adestramento, cross country e salto), hoje chamado de Hipismo Completo, sob a orientação do Prof. Ademir de Oliveira, passando a praticar as três modalidades (CCE, Salto e Hipismo Rural) com bom desempenho”, relembra o atleta.

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Rafael Mamprin Losano

Bastante novo, o cavaleiro passou a ir da escola para o Clube de Cavaleiros e, aos finais de semana, participava de provas de hipismo. Segundo os profissionais, Losano tinha um grande talento e seus pais abraçaram a causa. Sua irmã também passou a participar de competições, e as viagens no tempo livre, seguindo provas, eram constantes.

“Acumulando vitórias e títulos, em 2011 recebi o prêmio Mauricio Zangrande, que é dado ao maior pontuador da temporada e, em 2012, o título de Cavaleiro Completo Abhir, maior pontuador na soma das três modalidades que praticava. Em 8 de março de 2013, fui convocado para integrar a Equipe de Base da Seleção Brasileira Permanente de CCE – projeto da Confederação Brasileira de Hipismo, que durou de 2013 a 2016. Apesar das inúmeras mudanças na equipe, avaliada a cada três meses, estive presente em todas as convocações”, conta.

A partir desse momento, a dedicação passou a ser exclusiva ao CCE, pelo qual Rafael faturou títulos de Campeão Paulista Junior, Campeão Paulista Young Rider, Campeão Brasileiro Júnior e Campeão do Ranking Júnior e Young Rider da Federação Paulista de Hipismo e da Confederação Brasileira de Hipismo.
“No ano de 2014, fui Campeão Paulista de CCE – 1* (uma estrela) e minha performance rendeu três títulos: Campeão Paulista Júnior (participantes até 18 anos), Campeão Paulista Young Rider (participantes até 21 anos) e Campeão Paulista (que englobava também os adultos). Nesse mesmo ano, venci a prova Internacional CCI **, em Pirassununga, onde participavam os atletas da seleção brasileira de CCE adulta e outros atletas sul-americanos”.

CONVITE IRRECUSÁVEL

Ainda em Pirassununga, o conceituado atleta e técnico Mark Todd, bicampeão Mundial e bicampeão Olímpico de CCE, seis vezes medalhista Olímpico, estava na cidade, pois havia sido contratado para ser o técnico da Seleção de CCE adulta do Brasil, que se preparava para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, e presenciou a vitória de Rafael Losano.

“Neste evento, fui convidado para fazer um estágio sob a orientação de Mark Todd, na Inglaterra. Em fevereiro de 2015, segui para o país, onde vivo atualmente, participando de provas nacionais e internacionais. Já são 10 temporadas, com participação em aproximadamente 100 provas por ano, nas mais variadas categorias, sempre em busca de preparação, qualificação de cavalos e obtenção de índices que me permitissem participar de grandes provas”, conta.

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Cavaleiro Olímpico, Losano participou das Olimpíadas de Tóquio 2020, realizadas em 2021, foi medalhista de prata por equipe nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, em 2019, e medalhista de bronze por equipe nos Jogos Pan-Americanos de Santiago, no Chile, em 2023. Na Inglaterra, o rio-clarense treina, prepara cavalos e dá aulas de hipismo.

Rafael Losano possui um Centro Hípico a aproximadamente 100 km de Londres, chamado R&A Equestrian. As atividades podem ser acompanhadas elo Instagram da hípica.

PREPARAÇÃO

O profissional explica que o treinamento para um atleta de alto rendimento é intenso e diário.
“É preciso muita dedicação, muito empenho, foco e determinação na busca dos resultados, e um equilíbrio mental muito forte. Nos Jogos Olímpicos, serão três atletas titulares apenas e um reserva, e eu estou muito confiante e pronto para coroar quatro anos de trabalho”, explica.

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Para buscar o índice olímpico, além de um trabalho técnico e físico intenso, o cavaleiro viajou à Europa e participou de provas na Irlanda, Polônia, Holanda, na Itália e na Alemanha, além das provas realizadas na Inglaterra.

“Agradeço muito ao meu time, que trabalha como eu. Minha mulher, Amanda, cavaleira sueca, que monta e praticamente administra nosso negócio, aos meus tratadores, à minha chefe de equipe, à equipe veterinária, ao ferrador. Agradeço a todos aqueles que se dedicam intensamente na busca pelos melhores resultados. Planejamos o ano, estabelecemos metas de trabalho, índices a serem alcançados, cavalo por cavalo, mês a mês, acertamos as provas necessárias, os locais, as viagens. Planejamos, agimos e estabelecemos a rotina e a logística”, finaliza o jovem.


À versão digital da revista JC Magazine, número 40, você lê clicando aqui.

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