Linha de transmissão desmatará 16,2 hectares de mata nativa

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Antonio Archangelo

A assessoria da Fundação Florestal, respondendo pelo Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental do Corumbataí, confirmou esta semana que a implantação da linha de transmissão de energia Araraquara-Taubaté eliminará cerca de 16,28 hectares de mata nativa localizada em Áreas de Proteção Ambiental (APAs). “Os municípios atravessados pela proposta de Linha de Transmissão da COPEL (Companhia Paranaense de Energia Elétrica) e que compõem as APAs Corumbataí e Piracicaba são: São Carlos, Itirapina, Analândia, Corumbataí e Rio Claro. No trecho de São Carlos apenas cerca de um terço do percurso se dá em APA, mas no restante dos municípios a integralidade do traçado se dá em APA. Entre as páginas 399 e 404, o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) aponta as seguintes supressões: São Carlos (7,75ha), Itirapina (0,00ha), Analândia (3,77ha), Corumbataí (3,16ha) e Rio Claro (1,61ha), totalizando 16,29h hectares”, disse.

Obra prioritária no Programa de Aceleração do Crescimento ajudará a escoar energia de hidroelétricas do Rio Madeira
Obra prioritária no Programa de Aceleração do Crescimento ajudará a escoar energia de hidroelétricas do Rio Madeira

A obra prioritária no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), já que ajudará a escoar a energia das hidroelétricas do Rio Madeira para o Sudeste, causará inúmeros impactos, mas, “considerando os atributos protegidos pelas APAs Corumbataí e Piracicaba, destacamos que o traçado proposto cruza um longo trecho (cerca de 11 km) da borda do Planalto Residual de São Carlos, borda esta que compõe as Cuestas Arenito-Basálticas da Borda Leste da Bacia Sedimentar do Paraná, principal atributo motivador da criação da APA Corumbataí-Botucatu-Tejupá, sendo portanto seu principal Patrimônio Natural Protegido”, cita.

O Conselho chegou a apresentar três propostas de traçado. “Foi sugerido o traçado com menor impacto que não passaria pelas APAs, ou uma alternativa a ser detalhada que minimizasse os danos. De acordo com o empreendedor, as sugestões eram inviáveis por acarretar transtornos socioeconômicos. O traçado escolhido passa por cabeceiras do Rio Corumbataí em trecho onde ocorrem as maiores densidades de drenagem das APAs Corumbataí e Piracicaba”, cita a nota.

O conselho confirmou ainda que “o traçado proposto cruza a bacia do Ribeirão Claro de noroeste para sudeste, a pouco mais de 2 km a montante do antigo horto de Rio Claro. Este Ribeirão cruza a Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade de norte a sul em sua porção oeste”.

No entanto, mediante o fato da emissão da Licença Ambiental Prévia pelo Órgão Licenciador, impedindo a alteração do traçado, e diante da eminente crise energética destacada pelo empreendedor, o Conselho Gestor sugeriu entre as medidas mitigatórias o fato de que nenhuma torre poderá ser instalada em Zona de Vida Silvestre; para a instalação e operação da Linha de Transmissão, não poderá haver supressão total ou parcial, nem mesmo poda de vegetação nativa, nos trechos que se sobrepõem à Zona de Vida Silvestre; que em todos os programas previstos tenham ações efetivas dentro das APAs; que sejam apresentados relatórios de andamento de implantação dos programas, entre outras medidas.

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