O rio-clarense Adriano Cannizzo, hoje com 40 anos, passou grande parte da infância, toda a adolescência e início da vida adulta morando na Itália. Ele foi para fora do Brasil após ser abandonado pela mãe biológica em um orfanato em Jundiaí e ser adotado por uma família que vivia no país. Por lá, os anos passaram, mas a lembrança e a vontade de rever a mãe verdadeira eram maior. Foi quando resolveu largar tudo e voltar para esse reencontro.

No entanto, pela segunda vez, depois de muitos e muitos anos, foi rejeitado por ela novamente.

O duro golpe fez com que ele decidisse viver sozinho pelas ruas de Rio Claro. Como companheira, uma caixa de papelão onde à noite entrava, fazia de casa e dormia. Seu endereço por um bom tempo foi a Rua 3 na área central da cidade.

Durante o dia tinha o hábito de ir até a vitrine de uma loja e ficar olhando uma TV com anúncios, fato que chamou a atenção dos proprietários do local. Sensibilizados, os donos do comércio chamaram Adriano um dia para sair e comer um lanche: “Fomos em uma lanchonete e passamos horas conversando. Eu, meu marido, meu filho, um casal de amigos e ele. Na hora de irmos embora, entramos no carro e o deixamos na Rua 3, na rua, local em que ele morava. Saí de lá chorando, porque meu filho disse que sempre tínhamos saído com algum colega, era normal deixarmos em casa e, no caso do Adriano, ele não tinha. Naquele momento tomamos a decisão de que iríamos mudar isso”, relembra a comerciante Raquel Branco de Moura.

Com o apoio de amigos, o casal conseguiu alugar uma casa, a mobiliou e entregou a Adriano no final do ano passado, que ganhou mais que um lar, ganhou uma nova família. Ele ainda reencontrou alguns parentes por parte de pai que o acolheram.

Porém, há cinco anos, Adriano não via os pais adotivos italianos que lhe estenderem a mão quando ele ainda era criança após ser abandonado no orfanato. Em contato com os comerciantes que se mobilizaram junto com amigos para tirar Adriano das ruas, esses pais e uma irmã adotiva pegaram um voo e vieram para Rio Claro para este encontro que foi regado com muita emoção e lembranças.

“Esta visita foi de extrema importância para o Adriano, que hoje é uma nova pessoa. Ele tem esquizofrenia mas, com cuidados, tratamento, medicamentos e dentro dos limites, leva uma vida normal. Resgatar essa parte afetiva é essencial também. Ele demonstrou muito carinho pelos pais que o criaram, que por sua vez ficaram felizes em ver que o Adriano está bem amparado aqui e cercado de amor”, relata Raquel.

Relembre

Em Dezembro de 2018, uma corrente de solidariedade fez com que Adriano saísse das ruas e ganhasse uma casa. Confira o vídeo da entrega da casa para Adriano, feito pelo JC no ano passado: