Extração de argila polui o Rio Corumbataí

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Da Redação

O Ministério Público de Piracicaba, por meio do Gaema (Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente), investiga a poluição no Rio Corumbataí causada pelas indústrias cerâmicas da região. De acordo com a promotoria, o rio vem sendo poluído há dez anos em decorrência dos processos de extração, transporte e queima da argila.

Vista do Rio Corumbataí, que responde por 60% do abastecimento de Rio Claro. Atividade cerâmica está poluindo manancial
Vista do Rio Corumbataí, que responde por 60% do abastecimento de Rio Claro. Atividade cerâmica está poluindo manancial

O MP explica que a queima da argila, necessária para a produção de pisos e louças cerâmicas, libera fluoreto, produto químico que contamina o solo e os mananciais. O produto também reflete no tratamento da água, porque exige mais produtos químicos para purificá-la e torná-la potável para o consumo humano. A água do Rio Corumbataí abastece Rio Claro entre outros municípios.

Segundo o Gaema, a água captada no rio tem a seguinte destinação: abastecimento público (48,9%), indústrias (25,7%) e agricultura (35,5%). Em Rio Claro, o manancial responde por 60% do abastecimento da cidade e em Piracicaba por 90%. Para diminuir os danos ao meio ambiente, o Gaema solicita aos cinco municípios do polo cerâmico (Cordeirópolis, Ipeúna, Iracemápolis, Rio Claro e Santa Gertrudes) que peçam autorização para extração de argila em conjunto, porque os pedidos separados são uma das causas de prejuízos ao meio ambiente.

A Aspacer (Associação Paulista das Cerâmicas de Revestimento) foi procurada pela reportagem para comentar o assunto e deve se manifestar nesta quarta-feira (26).

REUNIÃO

No último dia 19, o Gaema realizou reunião com mais de 60 pessoas para discutir a poluição atmosférica em Santa Gertrudes e demais cidades do polo cerâmico, bem como a poluição hídrica do Rio Corumbataí. O Gaema tem inquérito civil aberto para investigar o problema.

A reunião contou com a presença de técnicos de várias instituições, prefeitos e gestores, promotores, assistentes técnicos do Ministério Público, representantes da Cetesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo) e da Aspacer, pesquisadores, entre outros participantes.

Reunião para discutir a poluição na sede do Gaema, em Piracicaba, reuniu 65 pessoas
Reunião para discutir a poluição na sede do Gaema, em Piracicaba, reuniu 65 pessoas

No encontro, foram discutidas formas de controle e funcionamento dos filtros nas cerâmicas e a poluição causada pela atividade cerâmica e as possíveis consequências para a saúde humana, a flora e a fauna e para a agricultura.

Uma das deliberações da reunião foi que o Plano Diretor Minerário estabeleça diretrizes ambientais e de uso e ocupação do solo, com o objetivo de orientar as emissões de certidões de diretrizes no uso e ocupação do solo por parte dos municípios. A ideia é estabelecer as zonas de controle, zonas bloqueadas e zonas preferenciais para a exploração minerária, visando a minimizar ou eliminar os riscos de degradação da qualidade das águas do Rio Corumbataí.

Outra deliberação foi oficiar à Vigilância Sanitária Estadual para que colete amostras de urina de pessoas que residam próximas a pontos de emissão de fluoreto e faça exames laboratoriais para verificar se há prejuízos à saúde causados pela inalação do produto. A coleta deverá ser feita em locais em que a Cetesb constatou emissão de fluoreto acima dos padrões permitidos.

2 COMENTÁRIOS

  1. Muito interessante agora, a manifestação do MP de Piracicaba. Nesta mesma imagem (foto da reportagem) há uma descarga de esgoto in natura; cuja denúncia já se encontra no MP – tanto de RC como de Piracicaba – e até o momento nenhuma ação concreta fora tomada. Somente a protelação da PMRC quanto ao tratamento de esgoto, ora em andamento pela Odebrecht Ambiental, tão criticada pela administração PMDB/PT. E, infelizmente se enquadra no mesmo grau de comprometimento ambiental ao da argila (queima), se não for pior, dado o período e duração da degradação.

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