Comunicação adequada e acolhimento às famílias estão entre os fatores apontados para ampliar a autorização de doações. Foto: Senado Federal/Arquivo JC

Falta de informação e falta de conversa prévia sobre o tema prejudicam os transplantes no país

A doação de órgãos enfrenta um cenário desafiador no Brasil, onde a fila por um procedimento não para de crescer. Em entrevista ao Jornal Cidade, o urologista Wilson Aguiar, coordenador do Departamento de Transplante Renal da Sociedade Brasileira de Urologia São Paulo (SBU-SP), alertou que a recusa das famílias e a falta de preparo das equipes de saúde estão entre os principais obstáculos para reverter o déficit no país.

Segundo o especialista, o Brasil conta com cerca de 40 mil pacientes aguardando um transplante de rim, sendo 20 mil apenas no estado de São Paulo. No entanto, são realizadas apenas cerca de metade das cirurgias necessárias para manter a fila estabilizada. A taxa de negativa familiar alcança 40% no estado paulista e a média nacional chega a 45%.


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Diagnóstico e desafios na captação para doação de órgãos

Pela legislação brasileira, a doação de órgãos ocorre de forma consentida, exigindo obrigatoriamente a autorização dos parentes para a captação. O médico explica que falar sobre a intenção de ser doador em momentos de rotina familiar facilita a tomada de decisão em episódios de perda trágica.

Além disso, a identificação de doadores depende do correto diagnóstico de morte encefálica e da atuação de equipes especializadas dentro dos hospitais para fazer a devida notificação à central de transplantes. O aumento de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e obesidade, aliado ao envelhecimento da população, continua impulsionando a demanda por transplantes de rins no país.

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