Café JC: Microempreendedores devem entender a crise econômica

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Ednéia Silva

Os empresários brasileiros, sejam grandes ou pequenos, estão enfrentando dificuldades para atravessar a crise econômica que se instalou no Brasil. Para ajudar o pequeno e o microempresário a passarem por essa turbulência, o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) oferece apoio aos pequenos negócios. Para falar sobre o cenário econômico atual e as perspectivas do mercado, o Café JC entrevista o economista Paulo Sérgio Cereda, gerente do Escritório Regional do Sebrae de São Carlos. A entrevista foi realizada pelas jornalistas Ednéia Silva e Laura Tesseti.

O economista Paulo Sérgio Cereda, gerente do Escritório Regional do Sebrae de São Carlos, fala sobre a conjuntura econômica
O economista Paulo Sérgio Cereda, gerente do Escritório Regional do Sebrae de São Carlos, fala sobre a conjuntura econômica

Jornal Cidade – Como enfrentar a crise econômica que se instalou no Brasil?

Paulo Cereda – Em primeiro lugar, o micro ou pequeno empresário precisa entender a crise. As pessoas têm a tendência de não enfrentar o problema, acreditando que ele irá se resolver sozinho. O microempresário deve buscar informações, ler sobre o assunto e compreender a crise e o impacto que ela terá sobre o seu negócio e no setor em que ele está inserido. Ele não vai conseguir encontrar uma solução mágica diante de uma economia em crise, o que precisa é pensar no que fazer para trazer dinheiro para sua empresa e passar pela turbulência. É preciso olhar, entender e inovar.

JC – Como o empresário deve agir nesse momento?

Cereda – A crise tem um lado positivo, que é promover o ajuste de mercado. A empresa que tiver uma boa gestão tem mais chance de sobreviver. Para isso, é preciso cortar o desperdício, seja de tempo ou de dinheiro. O recurso mais caro hoje é o tempo. Então quem demora para fazer um cadastro, uma entrega, está perdendo dinheiro. Entender o custo do negócio é essencial. O empresário precisa analisar o que é fundamental para o funcionamento do negócio e o que pode ser eliminado. Tem empresa que estoca mercadoria e fica sem capital de giro. É necessário avaliar se essa medida vale a pena, se não é hora de descapitalizar para capitalizar a empresa para que ela sobreviva à turbulência.

JC – Existem chances de crescimento em períodos de crise?

Cereda – Em momentos de crise também surgem oportunidades de negócios. O dólar em alta é ruim para quem importa, mas é excelente para quem exporta. Setores que sofreram com a concorrência externa podem aproveitar esse momento para voltar ao mercado mais agressivos, investindo em exportação. Porém, é preciso ter consciência de que hoje o mercado oferece vantagens, mas amanhã, com o câmbio mais baixo, pode ser diferente.

JC Qual a perspectiva para o fim da crise?

Cereda – A crise atual deve demorar um pouco mais a passar porque temos um componente novo: a instabilidade econômica na China, que passa por dificuldades. Como a China é uma economia fechada, fica difícil mensurar o que está acontecendo no país. Com isso, os investidores ficam com medo de investir, o que causa essas oscilações nas bolsas de valores. Antes a perspectiva era de fim da crise em 2015, agora já se fala em 2017.

JC – A situação política do Brasil tem algum tipo de influência?

Cereda – A gente precisa aguardar a definição das questões políticas em Brasília para definir a economia. O Brasil teve gestões econômicas equivocadas que estão sendo corrigidas agora. Não conseguiremos corrigir a rota econômica enquanto não se definir a questão da crise política. Tínhamos convicção de que, não importava quem assumisse o governo, teria que tomar medidas de ajuste. O que não se esperava era que em 2015 surgisse um personagem novo: a crise política, cujas amplitude e profundidade estão indefinidas. O que se pode afirmar é que quanto mais tempo durar a crise política, mais tempo irá durar a financeira.

JC – Como o Sebrae pode ajudar o pequeno e o microempresário?

Cereda – O Sebrae está à disposição para ajudar o empresário a superar a crise econômica. O Sebrae tem soluções com custo zero e outras com desconto de 40%. O empresário também tem que fazer a sua parte, tem que ser pró-ativo e procurar ajuda para vencer as dificuldades. O que não pode é ficar parado, esperando aparecer uma solução.

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