Quando assistimos à apresentação de um atleta olímpico, torcemos por ele ou por ela, mas ignoramos muitas vezes a história de vida quase sempre dura, difícil, cheia de altos e baixos, pela qual passou até chegar à disputa de uma medalha em uma olimpíada.

É o caso por exemplo da Rebeca Andrade, que conquistou a primeira medalha do Brasil na ginástica feminina. Uma prata na disputa da categoria geral, que levou à emoção não só a sua equipe, mas todos aqueles que viram nela uma pessoa determinada a vencer e os obstáculos que teve que superar até chegar a essa condição de grande atleta olímpica.

Quase não disputou os Jogos em Tóquio. Aos vinte e dois anos, já passou por três cirurgias de joelho e viveu as dificuldades de criança e adolescente com a mãe trabalhando de empregada doméstica para sustentar os filhos. Negra, pobre, foi além do preconceito e dos limites terríveis que são impostos a quem não tem acesso a recursos que possibilitem viver de forma menos sofrida.

Esporte não é só espetáculo, glamour, é dor, dificuldade. Muitos atletas olímpicos têm que se desdobrar para conseguir recursos mínimos para disputar jogos, sejam na Olimpíada ou em outros torneios menores.

E mesmo quem conta com uma estrutura grandiosa sofre com a pressão, que pode tirar atletas de ponta do pódio, até antes de participar plenamente de uma Olimpíada. Esse é o caso da espetacular atleta norte-americana Simone Biles que, alardeada pela mídia como sendo a grande favorita para bater todos os recordes olímpicos no Japão, desistiu ainda no início, assumindo o seu lado mais humano.

A afirmação de Simone de que, além da ginástica, do esporte, há uma vida bem maior pela frente, serve de alerta ao tratamento que é dado aos atletas e às exigências para que sejam perfeitos, mais robôs do que humanos.

Simone Biles, com a sua coragem, abriu uma discussão que deve seguir além dos Jogos, para que os atletas passem a ser vistos não como máquinas de ganhar, mas como pessoas que encantam o público com a sua força e beleza, mas também não podem ser esquecidos em sua dimensão humana e muitas vezes frágil.

A skatista Rayssa Leal, de 13 anos, que conquistou a medalha de prata, também precisa ser vista como uma adolescente, não só como uma atleta que tem obrigação de sempre conquistar medalhas e títulos.

O esporte exerce importante papel na melhora da condição de vida de muitas crianças e jovens da periferia, em projetos que devem existir cada vez em maior número, mas que seja feito paralelamente um trabalho de apoio psicológico, essencial para evitar depressão e até suicídio.

Bom final de semana.

O colaborador é cronista, poeta, autor  teatral e professor de redação.

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