Prefeitos cobram de Bolsonaro ações para evitar faltar insumos contra a Covid

NATÁLIA CANCIAN
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Em um momento em que várias cidade apontam UTIs lotadas e falta de leitos a pacientes com Covid, prefeitos enviaram um ofício nesta quinta-feira (18) ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e ao Ministério da Saúde em que apontam risco de falta de oxigênio e medicamentos usados para intubação de pacientes graves e cobram “providências imediatas” para evitar um agravamento da crise sanitária.


Segundo a Frente Nacional dos Prefeitos, que assina o documento, “já há registros, de Norte a Sul do país, de escassez e iminente falta desses insumos imprescindíveis para enfrentar a Covid-19”.


“O aumento sem precedentes do número de contaminados com o coronavírus e da demanda por atendimento hospitalar aponta para um cenário potencialmente ainda mais trágico já nos próximos dias: a falta de oxigênio e de medicamentos para sedação de paciente intubados”, afirma a entidade, em nota divulgada à imprensa.


No ofício, enviado também em cópia a Marcelo Queiroga, confirmado por Bolsonaro para assumir o comando da Saúde, prefeitos dizem que a União pode “reforçar a aquisição dos medicamentos”, além de “ter prerrogativa de determinar redirecionamento de insumos e produtos”.


“Isso poderia ser feito com a indústria metalúrgica, que também utiliza oxigênio com o mesmo grau de pureza do hospitalar, por exemplo”, sugere o grupo, que cita a tragédia sanitária em Manaus.


“Não é razoável que pessoas, cidadãos brasileiros, sejam levados à desesperadora morte por ‘afogamento’ no seco, ou que sejam amarrados e mantenham a consciência durante o delicado e doloroso processo de intubação e depois na sua longa permanência. Assim, prefeitas e prefeitos reivindicam que o governo federal tome, imediatamente, as medidas cabíveis para que as cenas trágicas e cruéis recentemente presenciadas em Manaus/AM não se repitam em outras cidades brasileiras.”


A reportagem questionou o Ministério da Saúde sobre as ações em andamento para evitar a falta desses insumos, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

Morre, de Covid-19, o senador Major Olimpio

Morreu, nesta quinta-feira (18), por Covid-19, o senador Major Olimpio. A informação foi confirmada em sua conta oficial do Facebook. Veja na íntegra.

“Com muita tristeza e dor no coração, comunicamos a morte cerebral do grande pai, irmão e amigo, Senador Major Olimpio. Por lei a família terá que aguardar 12 horas para confirmação do óbito e está verificando quais órgãos serão doados. Obrigado por tudo que fez por nós, pelo nosso Brasil”.

VÍDEO: músico toca violino enquanto mãe é enterrada em Goiás

No vídeo, o músico Rafael Borges, de Goiás, toca violino enquanto o corpo da mãe é enterrado no Cemitério de Messianópolis. Os acordes se misturam ao choro daqueles que mais gostavam de Selma Maria Borges de Oliveira, que morreu de Covid-19 no começo da semana. O vídeo repercutiu nas redes sociais.

“Vivemos uma avalanche de casos e estamos sem leitos de UTI na região”, disse o prefeito Adinan Ortolan

O prefeito de Cordeirópolis, Adinan Ortolan (MDB), junto da equipe de Saúde, trouxeram, na manhã desta quinta-feira (18), dados sobre a situação geral da Covid-19 no município.

O chefe do Executivo iniciou a live fazendo um apelo à população, para que, na medida do possível, “fiquem em casa pelas próximas semanas, pois vivemos uma avalanche de casos enquanto não há mais leitos de UTI disponíveis na região”.

Ortolan reforçou que, caso precise sair de casa para trabalhar ou realizar alguma atividade essencial, que tome o máximo de cuidado. “É um pedido que faço como prefeito dessa cidade, como pai, como amigo e como professor”, afirma ele.

O prefeito também informou que Cordeirópolis não fará lockdown sozinha, visto que seria inviável enquanto as outras cidades da região não tomarem as mesmas medidas de segurança.

A secretária da Saúde, Jordana Cassetário, afirma que, neste momento, precisamos de união, oração e consciência de toda a população. A secretária informa que temos uma média de 35 novos casos positivos por dia em nossa cidade, e só na última terça-feira (16), houveram 50 novos casos em 24 horas. 

“Até agora, testamos 54% da população cordeiropolense, mas precisamos continuar comprometidos com o distanciamento, o uso de máscara e a higiene individual. “Estamos batalhando contra um vírus que já levou 35 pessoas do nosso município, pessoas que eram o amor de alguém”, afirma Jordana.

Justiça autoriza governo Bolsonaro a manter celebração do golpe de 1964 como ‘marco da democracia’

JOÃO VALADARES
RECIFE, PE (FOLHAPRESS) – O TRF-5 (Tribunal Regional Federal da 5ª Região) acatou recurso da União e, desta maneira, permitiu manutenção no ar de nota que celebrava o golpe militar de 1964 como “marco da democracia brasileira”. O texto havia sido publicado no dia 31 de março de 2020 no site do Ministério da Defesa.


A decisão, proferida nesta quarta-feira (17) pela 3ª Turma do TRF-5, derrubou liminar da juíza federal Moniky Mayara Costa, que havia acatado uma ação popular movida pela deputada federal Natália Bonavides (PT-RN).
O juiz federal Rogério Fialho Moreira, relator do processo, afirmou que a publicação não ofende os postulados do Estado democrático de Direito e nem os valores constitucionais da separação dos Poderes ou da liberdade.
A decisão liminar, derrubada nesta quarta, também impedia a publicação de qualquer anúncio comemorativo relativo ao golpe de 1964 em rádio, televisão, internet ou qualquer outro meio de comunicação.


O texto publicado no dia 31 de março do ano passado era assinado pelo ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, e pelos três chefes das Forças Armadas.
A nota classifica o golpe de 1964 como um “marco para a democracia brasileira” e diz que o país havia reagido com determinação às ameaças que formavam naquela época.

“O entendimento de fatos históricos apenas faz sentido quando apreciados no contexto em que se encontram inseridos”, afirmava o texto, citando a Guerra Fria, na qual o mundo era disputado pela dicotomia entre a liderança dos Estados Unidos e da União Soviética.

“A sociedade brasileira, os empresários e a imprensa entenderam as ameaças daquele momento, se aliaram e reagiram”, destacava a ordem do dia, afirmando que as Forças Armadas assumiram as responsabilidades “com todos os desgastes previsíveis”.


O golpe de 1964 deu início à ditadura militar, que se estendeu até 1985. Houve tortura e mortes, censura à imprensa e fechamento do Congresso Nacional.


Ouvida pela reportagem, a deputada Natália Bonavides afirmou que vai ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra a decisão do TRF-5.


“É uma decisão absurda e que fere a Constituição. É um direito que não existe de o governo comemorar um golpe que instaurou uma ditadura que matou, torturou, estuprou e ocultou cadáveres”, diz a parlamentar.
Ela alega ser inadmissível que o governo use a máquina pública para comemorar uma atrocidade. A deputada comunicou que vai levar o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos.


A decisão foi dada durante sessão ampliada entre a 1ª e 3ª Turmas. Participaram os juízes federais Rogério Fialho, Cid Marconi, Alexandre Luna, Roberto Machado e Fernando Braga.

‘Mal-estar súbito’, afirma Padre Fábio de Melo sobre sua mãe, que piora da Covid

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O padre Fábio de Melo, 49, afirmou nesta quinta-feira (18) que o estado de saúde de sua mãe, Ana Maria Melo, piorou e que ela foi transferida para UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no final da tarde desta quarta (17). Ela foi infectada pelo vírus da Covid-19 dias antes de tomar a primeira dose da vacina, em 4 de março, segundo o religioso.


“Meus queridos amigos, muitas pessoas estão me pedindo notícias de minha mãe. Ontem, no final da tarde, ela teve um mal-estar súbito. A dificuldade para respirar fez com que aumentassem o volume de oxigênio. Ela está na UTI”, diz o padre em seu perfil nas redes sociais.


Ele disse ainda que é provável que o “quadro tenha sido provocado por alguma condição cardíaca”. “Ela continua feliz, disposta, gentil e grata. Nela não há nenhum vestígio de rancor, mágoa com a doença. Tenho tentado fazer o mesmo.”


Fábio de Melo agradeceu o carinho dos fãs e amigos e, de maneira especial, aos profissionais da saúde que cuidam dela. “A minha mãe é uma aula que nunca termina. Eu tenho a graça de aprender todo o dia com ela. Mesmo na dor.”


Antes de ser internada, padre Fábio de Melo registrou o momento em que a mãe foi vacinada e ressaltou a alegria desse momento. No dia 13 de março, o padre disse que a mãe começou a ter pigarro e, por precaução, fez o exame novamente e foi constatado estar com Covid. Ela foi hospitalizada no mesmo dia.


“So Deus sabe a angustia que tomou conta de mim. Uma questao de cinco dias antes, horas, e a vacina teria gerado alguma imunidade. Ha em mim uma sensacao de fracasso. O numero 5 nunca foi tao decisivo em minha vida”, escreveu o padre.

Maju Coutinho pede desculpas por ‘expressão infeliz’ ao defender todos em casa

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A jornalista Maju Coutinho, 42, se desculpou nesta quinta-feira (18) por ter usado a frase “o choro é livre” ao defender que todos fiquem em casa durante a pandemia em transmissão do Jornal Hoje (Globo), há dois dias. Segundo ela, foi uma “expressão infeliz”.

“Quis dizer que por mais amargas que sejam as medidas de isolamento, elas são necessárias para evitar o colapso do sistema de saúde, mas entendo perfeitamente os pequenos e médios empresários que são obrigados a manter os negócios fechados”, explicou ela.


Coutinho afirmou ainda que usou a expressão no improviso e que ela precisava de complemento. “Os especialistas são unânimes em dizer que essas são medidas indispensáveis agora para conter a circulação do vírus. O choro é livre, não dá para a gente reclamar, é isso que tem”, havia dito ela na terça-feira (16).


A frase da apresentadora gerou revolta de internautas, que criticaram ela e a Globo nas redes sociais. Entre xingamento e pedidos de explicação, muitos chamaram Coutinho de hipócrita. “Nem todo mundo vai para balada quando está na rua depois da meia-noite”, disse um internauta.


A Globo divulgou nota após o episódio defendendo Maju. “Maria Julia Coutinho quis dizer que, por amargas que sejam, as medidas de isolamento social são necessárias”, afirmou, apontando ainda que ela também pediu “agilidade do governo e do Congresso para atender os empresários e famílias necessitadas”.


A jornalista finalizou suas explicações, desta quinta, com um pedido de desculpas: “Me desculpem pela expressão e vamos nessa, bola pra frente”. A declaração de Coutinho foi elogiada por internautas nas redes sociais. “Parabéns pela atitude”, afirmou um. “Não precisa se desculpar, você falou de maneira certa”, disse outro.

Jovem de 22 anos é o primeiro a morrer em fila de espera por UTI em SP

DHIEGO MAIA
GONÇALVES, MG (FOLHAPRESS) – A primeira pessoa com Covid-19 a morrer na fila de espera por uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na cidade de São Paulo é um jovem que tinha apenas 22 anos.


Renan Ribeiro Cardoso esperou 46 horas uma vaga num leito de UTI e acabou sendo vítima do colapso do sistema de saúde que atinge em cheio a maior cidade do país.


O óbito foi registrado no dia 13, mas só foi tornado público nesta quinta-feira (18) pelo prefeito Bruno Covas (PSDB). “Não dá mais para a gente ter um jovem de 22 anos que vem a óbito em 46 horas por não conseguir um leito de UTI na cidade de São Paulo”, disse Covas em entrevista coletiva.


A circulação de novas variantes do coronavírus tem mudado o perfil das vítimas. Agora, os jovens infectados pelo vírus têm chegado às unidades de saúde em estado mais grave e demandado mais tempo de internação nas UTIS, quando encontram um leito disponível.


Não foi o caso de Renan. Ele deu entrada no Pronto Atendimento São Mateus II, na zona leste da capital paulista, por volta das 19h do dia 11 deste mês.

O paciente apresentou à equipe médica que o atendeu o resultado de um exame que atestava que ele estava com Covid-19 confirmada havia dois dias.


Perguntado sobre o que mais o afligia, o jovem disse que sentia muita falta de ar e outros incômodos respiratórios, a chamada dispneia. Renan não respirava direito havia sete dias. Também estava com febre e saturação de oxigênio na casa dos 92% em ar ambiente.


Naquele momento, o jovem apresentava desconforto respiratório leve, mas era obeso, uma situação que deixou a equipe médica em alerta. O paciente foi colocado em observação e teve à disposição oxigênio para melhorar seu fluxo respiratório.


O documento, que relata a internação do paciente, mostra que a equipe médica inseriu Renan na Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) no dia 12 em busca de um leito disponível.


“Devido à não melhora do quadro e prevendo uma possibilidade de complicação, inerente ao quadro de Covid-19, iniciamos a busca por um leito de internação”, escreveu Phelipe Camarinha, o coordenador médico do São Matheus II.


O quadro clínico de Renan só piorou. Por volta das 16h já do dia 13, a saturação do paciente atingiu 77% mesmo com o uso de oxigênio. Camarinha relata que não havia, naquele momento, ventiladores disponíveis na unidade e a central de regulação foi novamente acionada para remover Renan para um hospital que tivesse o equipamento.


Em 15 minutos, a unidade conseguiu o ventilador mecânico, mas não a vaga de UTI que tanto Renan necessitava. A piora do quadro clínico do jovem aumentou e, na sequência, o paciente apresentou uma iminente insuficiência respiratória.

A equipe médica relata que conseguiu falar com o paciente e o pai dele e, naquele momento, foi indicada uma intubação orotraqueal (introdução de um tubo para levar oxigênio a partir da traqueia).

Às 16h20, Renan foi levado para a sala de urgência, onde foi monitorado, sedado e intubado. O ventilador mecânico foi acionado, mas o jovem teve uma parada cardiorrespiratória.

Em desespero, a equipe médica iniciou manobras de ressuscitação, mas já era tarde. Renan faleceu às 17h19, numa batalha inglória de 46 horas por um leito de UTI.

Dezenove minutos após o óbito, o leito que Renan aguardava com tanto afinco surgiu, mas o próprio médico que atendeu o jovem respondeu, com frustração: infelizmente sem tempo hábil para o nosso paciente.

Saúde distribui máscaras impróprias a profissionais na linha de frente

VINICIUS SASSINE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Ministério da Saúde forneceu máscaras impróprias para uso médico a profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate à Covid-19. Parte dessas máscaras foi entregue à pasta por uma empresa cujo representante no Brasil é um executivo que atua no mercado de relógios de luxo suíços –é ele quem assina o contrato com o governo federal.


Um documento do gabinete da presidência da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), elaborado em 13 de janeiro e obtido pela reportagem, aponta que as máscaras analisadas –chinesas, do tipo KN95– não eram indicadas para uso hospitalar. Mesmo assim, o Ministério da Saúde distribuiu o material e se recusou a substitui-lo diante da recusa de estados em usar os equipamentos.

O mesmo documento do gabinete da presidência da Anvisa afirma que o órgão recebeu diversas reclamações sobre a impropriedade das máscaras, avisou o Ministério da Saúde sobre a necessidade de atender às especificações dos fabricantes e fez um alerta sobre “riscos adicionais” a que estão sujeitos profissionais e pacientes.


A posição da Anvisa foi enviada ao MPF (Ministério Público Federal) em Brasília, que instaurou, em 3 de fevereiro, um inquérito civil para investigar a história.

Foram duas as situações envolvendo essas máscaras. Uma parte delas teve o uso interditado pela Anvisa a partir de junho de 2020 depois que a autoridade sanitária dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) suspendeu autorizações emergenciais diante da falta de eficiência mínima na filtragem de partículas.

Outra parte foi escanteada pelos estados em razão da advertência “non-medical” presente nas embalagens das máscaras enviadas para as secretarias de Saúde locais. Equipamentos ficaram parados em estoques, sem uso.


A pasta distribuiu ambas pelo menos entre julho e dezembro de 2020. E não só se recusou a recolher os produtos e a substituí-los, segundo esses documentos, como enviou mais máscaras “non-medical” para uso hospitalar.

O Ministério da Saúde defendeu as máscaras em documentos elaborados em agosto e novembro de 2020 e em janeiro de 2021. A pasta sustentou que a empresa contratada provou por meio de testes a eficiência de filtragem de cinco marcas, com “eficácia alta” equivalente a máscaras N95 e PFF2. O material, segundo o ministério, seria útil em casos não cirúrgicos.

O MPF, então, pediu uma posição da Anvisa a respeito. O documento ficou pronto em 13 de janeiro e foi enviado aos procuradores da República pela chefia de gabinete do diretor-presidente da agência, Antonio Barra Torres.
As cinco marcas analisadas atendem a requisitos mínimos, mas os documentos fornecidos à Anvisa não permitiram saber se as marcas são exatamente as que foram fornecidas aos estados, segundo o parecer da agência.


A reportagem constatou nos documentos do inquérito do MPF que a marca interditada pela Anvisa não aparece entre as que foram submetidas a testes pela empresa contratada pelo Ministério da Saúde. A reportagem também constatou que máscaras do tipo foram de fato enviadas a estados.


Em nota, a Anvisa confirmou que a marca “encontra-se com medida sanitária válida de suspensão de comercialização, distribuição e importação para uso em serviços de saúde”. “Os respiradores falharam em demonstrar a eficiência de filtração mínima requerida.”
Já as máscaras com a advertência “non-medical” na embalagem não podem ser usadas por profissionais de saúde, segundo o documento da Anvisa de 13 de janeiro.


“Cabe ao fabricante do produto definir a sua indicação e restrições de uso; portanto, deve-se seguir a informação constante na rotulagem em relação à restrição do uso da máscara”, cita o gabinete da presidência do órgão. “Os produtos com a informação de advertência ‘non-medical’ não são enquadrados como produto médico, não sendo indicados para uso por profissionais de saúde.”


Um contrato para o fornecimento de máscaras KN95 ao governo foi assinado em 8 de abril, num contexto de dificuldade de obtenção do material no mercado externo, com a pandemia ganhando contornos de gravidade no mundo inteiro. Uma legislação especial permitiu a dispensa de licitação para a compra.


A contratada foi uma empresa de Hong Kong, a Global Base Development HK Limited, representada no Brasil pela 356 Distribuidora, Importadora e Exportadora. O dono da 356, Freddy Rabbat, assinou o contrato, que previu 40 milhões de máscaras. Houve ainda mais 200 milhões de máscaras no mesmo contrato.


Cada máscara KN95 saiu por US$ 1,65 (R$ 9,20, pela cotação do dólar desta quarta, 17). O total foi de US$ 66 milhões (R$ 368,3 milhões).
Rabbat atua em uma empresa de relógios de luxo no Brasil. Ele é presidente da Abrael (Associação Brasileira das Empresas de Luxo).


A 356 Distribuidora tem um capital social de R$ 800 mil, segundo os registros da Receita Federal. A Global Base, representada pela 356, já recebeu R$ 734 milhões do governo federal, principalmente pela venda de máscaras na pandemia. Os dados são do Portal da Transparência.
No documento ao MPF, a Anvisa afirmou que sua gerência de tecnovigilância já havia recebido diversas reclamações e informado à secretaria-executiva do Ministério da Saúde que “os serviços de saúde estavam notificando o recebimento de produtos sem indicação para uso por profissionais de saúde”.


“[A gerência] entende ser prudente e necessário reforçar junto a esse órgão a necessidade de observar as indicações expressas pelo fabricante do produto, de modo que profissionais e pacientes não sejam expostos a riscos adicionais em função da inadequação do produto utilizado pelo profissional de saúde”, cita nota técnica enviada ao MPF.

À reportagem a Anvisa disse, em nota, que o material interditado pode ser usado para substituir máscaras de tecido artesanal ou de uso não profissional. Sobre as máscaras com advertência “non-medical”, a agência afirmou que “não foram encontradas medidas sanitárias vigentes”.


Até a conclusão desta edição, o Ministério da Saúde não havia respondido aos questionamentos da reportagem, enviados à assessoria de imprensa da pasta na noite da última terça-feira (16).


A reportagem enviou questionamentos a Freddy Rabbat nos emails informados da Abrael e da 356 Distribuidora. Uma assessoria de imprensa disse que responderia, mas não o fez também até a conclusão desta edição.

Felipe Neto cria frente de advogados para defender de graça quem for processado por criticar Bolsonaro

MÔNICA BERGAMO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O youtuber Felipe Neto está organizando uma frente de advogados para assumir a defesa gratuita de todas as pessoas que forem investigadas ou processadas por se manifestarem contrariamente ao presidente Jair Bolsonaro ou por expressarem uma ideia e criticarem alguma autoridade pública.


A frente “Cala a Boca Já Morreu” será integrada pelos escritórios de André Perecmanis, Augusto de Arruda Botelho, Beto Vasconcelos e Davi Tangerino, que estão entre os mais respeitados especialistas no tema.


O serviço poderá ser usufruído por qualquer indivíduo que não possua advogado constituído e que por meio de uma landing page, uma página na internet, poderá acionar a equipe responsável pelos encaminhamentos jurídicos.

“A liberdade de expressão no Brasil está sob ataque de violentos inimigos da democracia. Querem intimidar e silenciar a todos aqueles que criticam autoridades públicas, eleitas pelo povo, e que exercem o poder que têm em nome desse mesmo povo. E para isso, se armam da Lei de Segurança Nacional, herança do passado mais terrível e assombroso do país: a ditadura militar”, destaca Augusto de Arruda Botelho.

“O Cala-Boca Já Morreu será um grupo da sociedade civil que vai lutar contra o autoritarismo e que será movido pelo princípio de que quando um cidadão é calado no exercício do seu legítimo direito de expressão, a voz da democracia se enfraquece. Não podemos nos calar. Não podemos deixar que nos calem e não vamos”, afirma Felipe Neto.

O youtuber foi intimado na segunda (15) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro para depor em uma investigação por suposto “crime contra a segurança nacional” por ter chamado Bolsonaro de “genocida” em sua conta noTwitter. A Covid-19 já fez mais de 280 mil vítimas no Brasil.
A investigação foi aberta a pedido do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), que protocolou uma petição denunciando o suposto crime.


O delegado Pablo Sartori, que intimou o youtuber, tem um histórico de atos favoráveis à família Bolsonaro. Em novembro, ele indiciou Felipe Neto por suposta corrupção de menores. Também atendendo à família presidencial, o policial indiciou o artista carioca Diadorim por uma performance em que segurava a cabeça de Bolsonaro.


Antes disso, o ministro da Justiça, André Mendonça, acionou a Polícia Federal para investigar cartunistas e jornalistas que criticaram Bolsonaro.
A sequência de investidas policiais levou Felipe Neto, que tem 41,5 milhões de seguidores no YouTube e 13,1 milhões no Twitter, a idealizar a frente de advogados para atuar em casos semelhantes.

Para frear escalada da Covid, Covas vai antecipar 5 feriados em São Paulo

ALINE MAZZO – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Prefeitura de São Paulo vai adiantar os próximos cinco feriados a partir de sexta-feira (26) na tentativa de diminuir a circulação de pessoas na cidade e, assim, tentar frear a disseminação da Covid-19 na capital paulista.

A medida, anunciada no início da tarde desta quinta-feira (18) pelo prefeito Bruno Covas (PSDB), é vista por técnicos da prefeitura como uma das poucas alternativas para tentar evitar o colapso do sistema de saúde nas próximas semanas.

Serão antecipados os dois feriados municipais de 2021 e outros três de 2022. Assim, o recesso começa na sexta (26), continua nos dias 29, 30, 31 de março e 1º de abril e junta-se ao feriado da Páscoa. Segundo Covas, a medida vai forçar a cidade a ficar sem dias úteis por dez dias.

Os feriados antecipados são Corpus Christi (3 de junho), Consciência Negra (20 de novembro) e o aniversário da cidade (25 de janeiro).

A antecipação dos recessos mira as indústrias e algumas empresas que ainda seguem em funcionamento nessa fase emergencial do Plano São Paulo. A prefeitura ainda deve definir se a medida terá adesão de bancos e outros serviços.

Inicialmente, a prefeitura planejava começar a sequência de feriados já na próxima segunda (22), mas preferiu empurrar o megaferiado para sexta para aproveitar a Páscoa e ampliar a quantidade de dias em recesso.

Covas ainda afirmou que trata com o governador João Doria a antecipação do feriado estadual da Revolução Constitucionalista (9 de julho).

A partir da próxima semana, a prefeitura também vai alterar o horário de rodízio, para tentar diminuir a circulação de veículos à noite. Assim, a restrição passa a valer das 20h às 5h, seguindo o horário do toque de recolher do governo do estado, e não mais das 7h às 10h e das 17h às 20h.

Na manhã desta quinta-feira (18), Covas afirmou, em entrevista à Globo News que a cidade de São Paulo atingiu taxa de ocupação de 88% dos leitos de UTI para o atendimento de pacientes com Covid-19. “A gente vê colapsando todo o sistema de saúde”, afirmou.

Segundo o prefeito, a capital registrou a primeira morte de paciente à espera de uma vaga de UTI em um hospital municipal. Para Covas, se houver continuidade do aumento de casos, “a gente vai ver ampliar esses casos de pessoas que não conseguem um leito de UTI.”

Em 2020, a prefeitura já havia antecipado os recessos para tentar frear a alta de casos na cidade. Foram antecipados os feriados de Corpus Christi, que é em junho, para 20 de março (quarta-feira), e do Dia da Consciência Negra, celebrado em novembro, para 21 de março (quinta-feira). Na sexta (22), foi decretado ponto facultativo.

Na mesma ocasião, o governador João Doria (PSDB) antecipou o feriado da Revolução Constitucionalista, de julho, para 25 de março (segunda-feira), formando assim um megaferiado.

No primeiro dia do feriado prolongado de 2020, o isolamento social na capital chegou a 51%, ante 49% registrado no dia útil anterior. Já no último dia, quando a antecipação do recesso vigorava para todo o estado, esse índice chegou a 53% na cidade e 51% no estado.

Temendo uma invasão de turistas diante dos seis dias de recesso na capital paulista, cidades da Baixada Santista pediram ajuda do governo do estado e anunciaram barreiras sanitárias e blitze.

O Ministério Público de São Paulo conseguiu uma liminar para barrar as rodovias que dão acesso aos municípios de Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe, Itariri e Pedro de Toledo durante o megaferiado, mas a decisão acabou sendo derrubada pelo Tribunal de Justiça.

No primeiro dia do megaferiado, a cidade de Guarujá barrou a entrada de mais de 300 veículos. Já a cidade de Santos, registrou congestionamento na entrada da cidade.

Governo de SP envia mensagens de SMS para conscientização sobre isolamento social

O Governo de São Paulo iniciou uma nova campanha de conscientização da população sobre a importância de respeito à quarentena para o enfrentamento da pandemia do coronavírus e contenção das altas taxas de transmissão do vírus. No total, 44 milhões de pessoas residentes no estado de São Paulo receberão mensagens de texto nos aparelhos celulares com o alerta sobre a necessidade de respeito ao isolamento social.

O envio das mensagens de SMS foi iniciado na noite desta quarta-feira (17) e deve se estender pelos próximos quatro dias. O texto possui os seguintes dizeres: “Governo de SP alerta! Alto risco de lotação de leitos no estado. Fique em casa. Proteja sua família. Se tiver que sair, use máscara”.

O objetivo é conscientizar a população para que mantenha as medidas de isolamento e de restrição de circulação previstos na fase emergencial do Plano SP, como medida fundamental de enfretamento do atual momento, em que observa-se o recrudescimento da pandemia, com aumento das taxas de contaminação, mortes e ocupação de leitos.

A ação será integralmente realizada sem custo para o Estado, em parceria com a Conexis Brasil Digital, associação que representa as empresas de comunicação e conectividade no país.

Várias frentes

O envio das mensagens de SMS faz parte de uma ampla estratégia de Comunicação do Governo de SP, que prevê campanhas de conscientização em várias frentes, incluindo veiculações em redes sociais, rádio e TVs.

Entre as ações, está a nova campanha de vídeo com depoimentos de profissionais que atuam na linha de frente dos hospitais que atendem pacientes COVID-19 e têm enfrentado uma rotina extremamente exaustiva.

No início de março, o Governador João Doria anunciou também uma campanha de conscientização voltada ao público jovem, com o apelo para que fiquem em casa e evitem aglomerações para resguardar a saúde e a vida de seus familiares. A peça publicitária de 30 segundos vem sendo exibida nas emissoras de TV e mídias sociais e foi gentilmente cedido pelo Governo do Estado do Mato Grosso do Sul.

Jornal Cidade RC
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