Jornal Cidade apresenta a live ‘JC Mulher’ nesta segunda (7)

O Jornal Cidade realiza nesta segunda-feira (7), às 20h, em seu Instagram (@jcrioclaro), a live ‘JC MULHER’, que contará a história de superação da empresária e professora Sâmia Cruanes Dias, que, depois de muitas perdas, se reergueu e deu a volta por cima com sucesso. É uma trajetória inspiradora.

“Como vamos focar nas vulnerabilidades e superação, vemos que somos humanos, sentimos nossas dores mas sempre é possível ter a escolha de superar, porque ficar no sofrimento só faz mal para quem sofre, e todos nós somos capazes de superar nossas dores. Ainda assim, é importante frisar que não existe dor maior ou menor, existe a dor de cada um”, destaca Sâmia.

A apresentação é de Maria Angela Tavares de Lima, Gerente Geral do Grupo JC de Comunicação.

Vacina da Pfizer reduz pela metade chance de infecção 13 dias após a primeira dose

ANA BOTTALLO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um estudo de efetividade da vacina da Pfizer em Israel mostrou que a vacina reduz em 51,4% casos de Covid-19 entre o 13º e o 24º dia após a primeira dose. Esse valor é muito similar à taxa de proteção conferida pelas duas doses da vacina Coronavac, de 50,7%, segundo o ensaio clínico. No Brasil, a imunização completa com a Coronavac é feita com intervalo de 21 a 28 dias entre as duas doses. Já a Pfizer é aplicada com um intervalo de três meses entre a primeira e a segunda dose.

O artigo descrevendo o estudo foi publicado nesta segunda-feira (7) na revista científica Journal of the American Medical Association (Jama). O estudo não avaliou a efetividade da vacina da Pfizer após a segunda dose, mas estudos conduzidos nos Estados Unidos e Inglaterra confirmaram a maior proteção, de mais de 90%, da vacina após as duas doses.

A pesquisa do tipo comparativa analisou dados de 503.875 indivíduos que receberam a 1ª dose da Pfizer entre os dias 19 de dezembro de 2020 e 15 de janeiro de 2021 no país. A vacina possui registro para uso em toda a população com 16 anos ou mais.

Para avaliar a efetividade da vacina, os pesquisadores do Centro de Pesquisa e Inovação do Instituto Maccabi e da Escola de Saúde Pública da Universidade de Tel Aviv compararam a taxa de incidência de novos casos de Covid em dois momentos: entre o 1º e 12º dia após a primeira dose da vacina e entre o 13º e 24º dia.

Os cientistas diferenciaram também a ocorrência de Covid-19 sintomática contra apenas a infecção por Sars-CoV-2 (casos assintomáticos). Os dados de idade, sexo, índice de massa corpórea, comorbidades e fatores socioeconômicos foram incluídos na análise para saber se tinham menor ou maior peso nos casos de Covid registrados.

De acordo com os resultados, a proteção da vacina foi de 51,4% contra a infecção por Sars-CoV-2 de 13 a 24 dias após a primeira dose. O cálculo é feito subtraindo a segunda taxa de incidência (6,16) da primeira (12,07) e dividindo pelo valor inicial, chegando assim a uma razão de risco (RR) igual a 0,486. A efetividade da vacina é dada por 1 – RR x 100, ou 51,4%.

Para os casos sintomáticos da doença, a efetividade calculada foi de 54,4%. O pico de proteção encontrado foi a partir do 18º dia, quando a incidência de novos casos passou a decair. Não houve diferença estatística significativa por faixa etária, sexo, presença ou não de comorbidades, pacientes oncológicos ou imunodeprimidos.

De acordo com os autores, a principal descoberta da pesquisa está na observação da redução também de infecções assintomáticas. Outro estudo realizado em Israel com profissionais de saúde já havia apontado para uma proteção de 86% da vacina contra casos assintomáticos.

Especialistas em vacinas em todo o mundo afirmam que todas as vacinas aprovadas para uso protegem contra o desenvolvimento da doença causada pelo coronavírus, hospitalização e agravamento do quadro.

Guarda Civil interdita depósito de bebidas com 200 pessoas aglomeradas

Na noite de sábado (5), a Guarda Civil de Rio Claro realizou operação conjunta com fiscais para a fiscalização de estabelecimentos comerciais na cidade. Após algumas solicitações no 153, telefone de emergência da corporação, as equipes se deslocaram até o Parque Flórida onde há um depósito de bebidas que estava funcionando com alvará provisório.

Havia, aproximadamente, 200 pessoas no local. Foi feita uma notificação e o estabelecimento interditado. As viaturas da Polícia Militar, também, estiveram no local para ajudar na dispersão das pessoas, que insistiam em ficar aglomeradas defronte do estabelecimento lacrado.

Foram realizados, ainda, oito autos de infração em veículos estacionados de forma irregular. Além do depósito, mais um estabelecimento foi notificado e lacrado no bairro Recanto Paraíso e outros que funcionavam de forma irregular foram notificados.

Doria toma sol sem máscara em piscina de hotel no Rio e vira alvo de críticas

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – No momento em que o Brasil ultrapassa 473 mil óbitos por Covid após 135 dias com média móvel de mortes acima de 1.000, o governador João Doria (PSDB) foi flagrado sem máscara tomando sol na piscina de um hotel em meio a turistas neste domingo (6) no Rio de Janeiro.

A atitude foi criticada por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro depois que imagens do tucano viralizaram em redes sociais. Doria é um dos principais críticos da política de Bolsonaro de ignorar as regras de distanciamento durante a pandemia.

“O governador João Doria estava neste domingo no hotel Fairmont, no Rio de Janeiro, em momento de descanso com a esposa e não promoveu nenhum tipo de aglomeração”, diz nota do Governo de São Paulo. Sem mencionar o nome de Doria, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do presidente Bolsonaro, publicou um vídeo curto e escreveu: “‘Lockdown, fome e desemprego pra você, marquinha pra mim…’ Duvido você acertar quem é esse tomando vitamina D! Sabe?”

Outro filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), também compartilhou imagens e afirmou: “Esse é o cara que queria ser líder do país”.

O Brasil registrou 866 mortes pela Covid-19 e 41.114 novos casos da doença neste domingo (6) do fim do feriado prolongado de Corpus Christi. Assim, o país chega a 473.495 óbitos e a 16.946.100 pessoas infectadas pelo coronavírus desde o início da pandemia, no ano passado.

É comum que em finais de semana e feriados os números diminuam por causa dos plantões nas secretarias de Saúde estaduais. A média móvel de mortes ficou em 1.629 óbitos por dia -o número está há 135 dias acima de 1.000 mortes diárias, considerado um patamar bastante alto.

Doria já havia provocado controvérsia ao viajar para Miami nas vésperas do Natal de 2020, em meio a um anúncio de endurecimento do plano estadual de contenção da pandemia do novo coronavírus. Na ocasião, ele planejava tirar licença de dez dias, mas mudou de ideia com a revelação de que seu vice, Rodrigo Garcia, tinha contraído a Covid-19.

Em vídeo na época, o tucano se desculpou e disse que reconhecia o erro. “Desculpas para aqueles que imaginaram que eu estivesse aqui deixando a cidade, o estado de São Paulo, depois de medidas restritivas para desfrutar de uma vida confortável, com menos restrições, em Miami. Não houve esse gesto de pouca responsabilidade da minha parte.”

Homem é preso pela Guarda Civil após tentar atear fogo em sua mulher

Na noite de sábado (5), por volta das 18h30, a equipe da Patrulha Maria da Penha foi acionada para atender uma ocorrência de violência doméstica no Parque Universitário. No local, a vítima informou que o companheiro, depois de uma discussão e de ameaçá-la de morte, jogou gasolina em seu corpo e ia atear fogo nela, sendo impedido pelo filho.

Segundo informou, o agressor é alcoólatra e que constantemente faz ameaças a ela e aos filhos. Os guardas deram voz de prisão ao autor da agressão e conduziram-no até o Plantão de Polícia. Ele foi preso em flagrante, sem fiança, por Ameaça e Tentativa de Lesão Corporal, onde permanece à disposição da justiça.

Charlie Brown Jr terá álbum ao vivo lançado com gravações inéditas

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Quem nunca assistiu a uma apresentação ao vivo da banda Charlie Brown Jr comandada pelo vocalista Chorão (1970-2013) terá uma nova oportunidade. É que, em breve, será lançado o registro de uma apresentação feita em 2011.


Trata-se de um show realizado no dia 19 de março daquele ano no Citibank Hall, em São Paulo. Na ocasião, ao longo de 100 minutos, o grupo apresentou o projeto “Chegou Quem Faltava” para um público de mais de 3.000 pessoas.
“Os fãs merecem esse presente”, afirma Xande, filho de Chorão, que é um dos responsáveis pelo lançamento. “Fiquei impressionado com a qualidade das imagens e do som, foi uma gravação pioneira para a época em termos de tecnologia.”


O primeiro singles, “Só os Loucos Sabem”, entrou nos serviços de streaming na sexta-feira (4). No próximo dia 18, entrará no ar o resto do Volume 1, que ao todo tem dez faixas. Já o Volume 2 está previsto para o dia 2 de julho.
No dia 13 de julho, Dia Mundial do Rock, estreia a Versão Completa, com 29 faixas ao todo. Por fim, no dia 30 de julho, o público vai ter acesso à Versão do Chorão, com material bônus e as interações do vocalista com o público.
A formação da banda na apresentação conta com Thiago Castanho (guitarra), Heitor Gomes (baixo) e Bruno Graveto (bateria). “O Graveto está com um sangue nos olhos nesse show que eu nunca tinha visto nele, destrói a bateria!”, diz Xande.


Entre os diversos hits estão músicas como “Gimme o Anel”, “Rockstar” (em versão inédita), “Me Encontra”, “Te Levar Daqui”, “Zóio de Lula”, “O Coro Vai Comê” e “Papo Reto”, entre muitas outras.

Brasil registra 1.338 feminicídios na pandemia, com forte alta no Norte e no Centro-Oeste

RANIER BRAGON
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Brasil registrou oficialmente em 2020 a morte de 1.338 mulheres por sua condição de gênero, assassinatos praticados em sua maioria por companheiros, ex-companheiros ou pretensos companheiros, como o que na última quarta-feira (2) matou a facadas a estudante de enfermagem Vitórya Melissa Mota, 22, na praça de alimentação de um shopping center de Niterói (RJ).


Os dados consolidados do ano passado, que tiveram 10 de seus 12 meses sob o efeito da pandemia da Covid-19, foram colhidos pela Folha de S.Paulo nas secretarias de Segurança Pública dos 26 estados e do Distrito Federal.
Em relação a 2019 houve uma alta de 2%, mas a violência contra as mulheres cresceu em níveis mais alarmantes no Centro-Oeste (14%) e no Norte (37%). Nordeste (+3) e Sudeste (-3) apresentaram pequenas variações. No Sul, houve queda de 14%.


Os números mostram que a violência contra a mulher tem trilhado uma trajetória de alta -o feminicídio cresceu 8% de 2018 para 2019, de acordo com dados atualizados-, apesar do endurecimento da legislação em anos recentes.
E o cenário pode ser ainda pior, já que não há padronização na coleta, análise e divulgação das informações por parte de alguns estados.


O Ceará, governador por Camilo Santana (PT), é um exemplo. O estado não discrimina em suas estatísticas públicas de criminalidade o feminicídio. Em resposta à Folha, a Secretaria de Segurança Pública disse ter registrado apenas 27 casos em 2020, o que colocaria o estado como o de menor incidência do crime, no país, em relação ao tamanho da população.


No entanto, a Rede de Observatórios da Segurança, que reúne órgãos acadêmicos e da sociedade civil de cinco estados, identificou 47 casos de feminicídio no Ceará em 2020, quase o dobro do que informam as autoridades estaduais.


Dossiê elaborado pelo Fórum Cearense de Mulheres e pela Articulação de Mulheres Brasileiras afirma que em 2018 o estado registrou apenas 5,6% dos assassinatos de mulheres como feminicídio, dados que “vão na contramão de todos os estudos sobre homicídio de mulheres”.


A Secretaria de Segurança Pública do Ceará afirmou que a razão pela qual diverge da maioria dos outros estados, que divulgam publicamente essas informações, diz respeito à proteção de dados pessoais sensíveis. Sobre a discrepância de registros, afirmou que a classificação de feminicídio cabe, baseada em critérios técnicos, ao delegado ou à delegada da Polícia Civil que investiga o assassinato.


Dos 13 estados que registraram aumento da violência contra as mulheres em 2020, 12 são do Norte, Centro-Oeste ou Nordeste. Apenas Minas Gerais (alta de 4%) está fora desse grupo.


Dos estados que historicamente têm grande número de feminicídios, o Mato Grosso, governado por Mauro Mendes (DEM), teve expressivo aumento em 2020, 59%. É também onde, proporcionalmente à sua população, mais mulheres são mortas por sua condição de gênero.


Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do estado afirmou acreditar que o isolamento social seja uma das explicações para o agravamento da situação, além da mudança cultural e da capacitação dos policiais para enquadrar os crimes como feminicídio. O órgão diz ainda ter havido queda nesse tipo de crime nos primeiros meses de 2021.
Sobre as ações preventivas e de combate, a secretaria afirmou ter uma câmara formada por várias entidades governamentais e da sociedade civil, além de equipe da Polícia Militar treinada para acompanhamento de mulheres sob risco (as patrulhas Maria da Penha) e serviços de WhatsApp em delegacias especializadas de defesa da mulher para denúncias e atendimento psicológico -em Cuiabá, (65) 99966-0611; em Várzea Grande, (65) 98408-7445, e em Rondonópolis, (66) 99937-5462.


Entre as unidades da federação onde houve redução dos registros, destaque para Distrito Federal (-47%), Rio Grande do Norte (-38) e Sergipe (-33%). Em relação ao tamanho da população, Ceará (com a ressalva descrita acima) e Rio Grande do Norte foram os que tiveram, em 2020, o menor índice de mulheres mortas a cada 100 mil habitantes.
No início de 2020, o então ministro da Justiça, Sergio Moro, chegou a sinalizar que haveria a implantação de um sistema nacional de consolidação e divulgação de estatísticas de feminicídio.


Moro foi demitido em abril daquele ano. Até hoje, o governo não tem esse sistema. No programa nacional de divulgação das estatísticas de criminalidade, o Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública), as mulheres mortas por sua condição de gênero entram no cômputo geral de homicídios dolosos.


O ministério afirmou, por meio da assessoria, que por falta de padronização entre os estados para a tipificação de feminicídio, a pasta criou um projeto denominado Portal Digital, que se encontra em desenvolvimento “para a formatação de uma ferramenta única, uniforme e confiável de dados de violência contra a mulher, incluindo aí, os feminicídios”.


O ministério disse ainda que enviou aos estados um protocolo nacional de investigação e perícias nos crimes de feminicídio.


Especialistas ouvidas pela Folha defendem, entre outros pontos, uma ação robusta e continuada da abordagem das questões de gênero nas escolas e o aperfeiçoamento do sistema de coleta de informações.


Elas afirmaram ainda haver indicativos de aumento do risco à mulher na pandemia, além do provável impacto negativo das políticas de afrouxamento das regras de controle de armas e munição patrocinadas pelo presidente Jair Bolsonaro.
“Há muitos indícios e estudos em outros países que apontam para o agravamento da violência contra as mulheres em situação de crises, como tem sido na pandemia”, afirma Aline Yamamoto, especialista em Prevenção e Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da ONU Mulheres Brasil.


Em relação às armas, ela diz ser possível uma análise mais categórica. “Ter uma arma leva a uma probabilidade muito maior de haver vítima de assassinato em casa, que geralmente são mulheres e crianças.”


Ela defende a prevenção como medida prioritária, em uma mudança de comportamento que só ocorrerá pela correta abordagem das causas da violência nas escolas, passando pela efetiva punição dos agressores e pela educação da sociedade e autoridades no sentido de que não se repitam episódios em que as vítimas é que acabam sendo “julgadas”.


Alice Bianchini, vice-presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil, afirma que a igualdade entre homens e mulheres é um fator de diminuição da violência e defende a priorização de ações voltadas às crianças e adolescentes.


“Hoje a situação é um reflexo dessa falta de políticas públicas de discutir questões de gênero dentro das escolas”, afirma. Bianchini sugere que as campanhas de conscientização envolvam os homens, lembrando que um dos pontos não implantados da Lei Maria da Penha (de 2006) é a criação de centros de educação e reabilitação para agressores.


“As campanhas que a gente tem são: mulher que sofre violência, denuncie. Mas 62% têm medo de denunciar por medo de vingança do agressor. Um discurso que eu acho importante é: se você conhece um homem que pratica violência com mulher, converse com familiares desse homem, eles precisam saber o que está acontecendo.”
Para ela, o aumento de registro de armas no país, que quase dobrou em 2020, é um fator que aumenta a vulnerabilidade das mulheres.


“Existe uma alerta internacional em relação ao Brasil feito pela ONU, chamando atenção para esse fato. Há duas questões importantes quando se usa arma: uma é o índice de letalidade, muito grande. A segunda é o quanto a arma de fogo facilita a prática do crime porque é um tipo de crime que se pratica sem sujar as mãos de sangue. Aponta-se a arma e dispara o gatilho.”


A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, diz que é preciso multiplicar ações de prevenção, como a expansão das patrulhas Maria da Penha, a possibilidade de registro online de violência doméstica e campanhas como a que possibilita a mulheres ameaçadas pedir ajuda por meio de códigos (um xis vermelho escrito na palma mão ou em um pedaço de papel).


“É importante atacar a violência contra a mulher antes de virar feminicídio. Quando mais eficiente a gente é para lidar com as agressões prévias, menor é o risco”, diz.

Papa Francisco expressa tristeza por crianças indígenas mortas em escolas católicas no Canadá

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O papa Francisco disse neste domingo (6) que ficou triste com a descoberta dos restos mortais de ao menos 215 crianças em um antigo internato administrado pela Igreja Católica para crianças e adolescentes indígenas no Canadá.


A falta do pontífice, no entanto, ficou aquém das expectativas de que, como líder da igreja, Francisco fizesse um pedido oficial de desculpas. Na última sexta-feira (4), o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, reiterou o apelo para que o Vaticano assuma a responsabilidade por seu controverso papel na administração das escolas para povos originários.


Falando a turistas e fiéis na Praça de São Pedro, o papa exortou os líderes religiosos católicos e os políticos canadenses a “cooperar com determinação” para lançar luz sobre a descoberta dos corpos e buscar reconciliação e cura. Para ele, a descoberta dos corpos “aumenta ainda mais a compreensão da dor Estes momentos difíceis representam um forte apelo a todos nós para nos afastarmos do modelo colonizador e também das atuais colonizações ideológicas, e marcharmos lado a lado no caminho do diálogo, do respeito recíproco e do reconhecimento dos direitos e valores culturais de todas as pessoas”, disse o pontífice, antes de convidar os fiéis a rezar em silêncio pelas vítimas e suas famílias.


Em 28 de maio, uma comunidade indígena da Colúmbia Britânica, província no oeste do Canadá, anunciou ter encontrado, por meio de radares de uso subterrâneo, uma vala comum com restos mortais de 215 crianças no terreno de uma das antigas escolas residenciais.


Essas instituições operaram no país entre 1831 e 1996, com financiamento do governo canadense e administração de várias denominações cristãs, principalmente a Igreja Católica. A escola de Kamloops, onde os corpos foram encontrados, chegou a ser a maior escola residencial do Canadá, tendo em seu auge 500 alunos. Foi administrada por líderes católicos de 1890 a 1969, quando voltou ao controle do governo federal até ser fechada em 1978.


Cerca de 150 mil crianças de diferentes comunidades indígenas foram separadas à força de suas famílias e distribuídas em centenas de escolas residenciais pelo país, onde eram impedidas de manter seus costumes, de estudar a cultura dos povos originários ou mesmo de falar em seus idiomas nativos.


Em 2015, a Comissão de Verdade e Reconciliação, grupo formado para investigar o que ocorria nessas escolas, definiu o sistema como “genocídio cultural”. Os relatos são de que as crianças eram submetidas a violência, abusos, estupros e desnutrição. A estimativa oficial é de ao menos 4.100 mortes.


Francisco, que tornou-se papa 17 anos após o fechamento das últimas escolas residenciais no Canadá, já pediu perdão pelo papel da Igreja Católica no colonialismo das Américas. Mas, em geral, preferiu pedir desculpas diretas durante visitas aos países e conversas com os povos nativos.


Na Bolívia, por exemplo, em 2015, o papa argentino se desculpou pelos “muitos pecados cometidos contra o povo nativo da América em nome de Deus”. Ao visitar o Canadá, em 2017, no entanto, o esperado reconhecimento da responsabilidade da igreja sobre o tratamento dado às crianças indígenas não aconteceu.


À época, Trudeau afirmou ter feito esse apelo ao pontífice. “Eu falei com ele sobre quão importante é para os canadenses avançar na reconciliação verdadeira com os povos indígenas e ressaltei que ele poderia ajudar ao pedir perdão”.


Na semana passada, o primeiro-ministro canadense foi mais enfático e disse estar disposto a tomar “medidas mais fortes”, possivelmente ações judiciais, caso a Igreja Católica não “assuma a responsabilidade” e torne públicos documentos e registros da administração das escolas.


“Como católico, estou profundamente decepcionado com a posição que a Igreja Católica tem assumido agora e nos últimos anos”, disse Trudeau, acrescentando que ações mais drásticas contra o Vaticano serão um último recurso. “Antes de começarmos a levar a igreja aos tribunais, tenho muitas esperanças de que os líderes religiosos vão compreender que isso é algo em que precisam se envolver.”

Jornal Cidade RC
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