Armazém Solidário na Escola Monsenhor Martins une sustentabilidade e educação financeira para estudantes
Separar materiais recicláveis, aprender a cuidar do meio ambiente e descobrir como administrar o próprio dinheiro. Essa é a proposta do projeto Armazém Solidário, realizado ao longo dos meses de setembro e outubro na Escola Municipal Monsenhor Martins, em Rio Claro. A iniciativa une educação ambiental, sustentabilidade e educação financeira, transformando os resíduos levados pelos estudantes em uma moeda social que pode ser utilizada para adquirir alimentos e produtos de higiene.
Segundo o diretor da unidade, Juca Trindade, os alunos arrecadaram uma tonelada de materiais recicláveis durante os dois meses. Para organizar a iniciativa, a escola realizou reuniões com a comunidade para orientar sobre a separação dos resíduos, a higienização e o armazenamento adequado até a retirada pela CooperViva, responsável pelo encaminhamento dos materiais.
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Os recicláveis são pesados e convertidos em moedas sociais ENA (Educação, Natureza e Ambiente). Com o valor acumulado, os estudantes podem escolher produtos disponíveis no Armazém Solidário, instalado temporariamente na escola. A proposta é mostrar, na prática, que materiais que seriam descartados podem ter valor e receber uma destinação adequada.
Como a moeda social e a reciclagem funcionam na prática escolar
O projeto também é utilizado pelos professores para trabalhar conteúdos de matemática, produção de textos, elaboração de gráficos e leitura de rótulos. Para Juca, a iniciativa contribui para que as crianças desenvolvam desde cedo uma relação mais consciente com o dinheiro.
“Para que o aluno aprenda desde criança a lidar com o dinheiro, fazer uma compra consciente, racional”, afirma o diretor.
A iniciativa reúne diferentes setores da administração municipal. De acordo com Edson Santana, do Fundo Social de Solidariedade, o projeto foi idealizado pela primeira-dama Bruna Perissinotto, com apoio da Secretaria Municipal da Educação. Ao explicar a proposta, ele destaca a união entre sustentabilidade e educação financeira.
“Além da educação financeira, pensar no meio ambiente, né? Então elas trazem o reciclável aqui pra escola, tira da rua e traz pra escola e leva alimento”, afirma Edson Santana.
Geraldo Voluntário, secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico, explica que o projeto nasceu da união entre iniciativas do Fundo Social e ações de educação ambiental já desenvolvidas no município. A proposta é mostrar às crianças que materiais recicláveis podem ser reaproveitados e transformados em recursos para a aquisição de produtos. “É ensinar a criança a dar valor, não só na mercadoria, mas o valor financeiro, e a sustentabilidade”, afirma Geraldo.
Na avaliação de Edson de Andrade, da Secretaria Municipal da Educação, o diferencial está em transformar o conteúdo ambiental em uma experiência concreta para os estudantes. “Projetos como esse é um trabalho que traz conteúdo em sala de aula de uma forma bem prática e gostosa de participar”, afirma.
O Armazém Solidário é organizado pela Prefeitura Municipal de Rio Claro e conta com a colaboração do Fundo Social de Solidariedade, das secretarias municipais de Desenvolvimento Social e de Desenvolvimento Econômico.
Na Escola Monsenhor Martins, houve colaborações da Igreja Bola de Neve, por meio da arrecadação do show de stand-up do humorista Jonathan Nemer, realizado no Centro Cultural, da CBB Cesta Básica Brasil, do Restaurante 2B, da Visótica, da Associação de Catadores Cidade Azul, do Centro de Controle de Zoonoses de Rio Claro e da CooperViva.
Aprendizado sobre sustentabilidade que chega às famílias
A participação dos estudantes também incentiva mudanças de hábitos fora da escola. Mirella Frizon, aluna da unidade, conta que passou a estimular a separação dos materiais em casa e levou a ideia para a igreja que frequenta.
“Eu já falei: ‘Mãe, pai, vamos organizar as reciclagens para mim levar para a escola para mim conseguir contribuir’”, relata Mirella.
O envolvimento dos alunos também alcança os familiares, que passam a participar do processo. Para Cristiane Pancheri Gonçalves, mãe do estudante Arthur Gonçalves, a experiência foi um aprendizado para toda a família. Ela conta que o filho ficou empolgado ao descobrir que poderia trocar os materiais por alimentos e aprendeu que nem todos os resíduos podem ser reciclados. Na hora de escolher os produtos, Arthur demonstrou que estava aprendendo a administrar a moeda recebida. Segundo a mãe, ele desistiu de um item ao perceber que gastaria todo o dinheiro disponível.
“Ele falou: ‘Não, não vou pegar esse’. Então, aprende, né, a dividir, a partilhar e a contar também”, conta Cristiane.
Além de incentivar a destinação correta dos resíduos, o Armazém Solidário aproxima os conteúdos escolares do cotidiano dos estudantes. A proposta é fazer com que o conhecimento sobre sustentabilidade e planejamento financeiro seja colocado em prática e compartilhado com as famílias.
