Josenildo João dos Santos celebra a recuperação do filho após episódio que mobilizou a cidade e reforça mensagem de fé: “Enquanto houver vida, há esperança”
Neste Dia dos Pais, Josenildo João dos Santos, de 36 anos, tem um motivo especial para agradecer. Pai de Ana Beatriz, de 12 anos, Heloisa, de 7 (do primeiro casamento), e do pequeno Noah Gabriel da Cruz Santos, com a atual esposa (Letícia Cruz) ele vive um dos momentos mais marcantes de sua vida ao acompanhar a recuperação do filho, protagonista de uma história que comoveu Rio Claro e repercutiu em todo o país.
Há poucas semanas, a família enfrentou a dor de acreditar que havia perdido Noah, para, horas depois, receber a notícia de que o bebê apresentava novamente sinais de vida. Desde então, cada evolução no tratamento passou a ser comemorada como uma vitória.
Para Josenildo, o Dia dos Pais deste ano tem um significado que vai muito além da comemoração da data: “Neste Dia dos Pais, o maior presente que Deus poderia me dar é ver meu filho lutando pela vida e vencendo cada desafio. Passamos por momentos que jamais imaginávamos enfrentar, mas nunca perdemos a esperança. Agradeço a Deus, à equipe médica, aos profissionais de saúde e a todas as pessoas que oraram e torceram pelo Noah. Cada pequena evolução é um milagre para nossa família. Hoje, meu coração está cheio de gratidão. Continuaremos acreditando que dias ainda melhores virão. Meu filho é um guerreiro, e eu estarei ao lado dele em cada passo dessa caminhada. Mais do um pai, ele terá sempre um melhor amigo. Que essa história também leve fé a outras famílias: enquanto houver vida, há esperança”, declarou o pai ao Jornal Cidade.
O caso
Noah Gabriel nasceu prematuro, com oito meses de gestação, no dia 15 de junho de 2026, apresentando fenda palatina, malformação congênita que compromete a alimentação e a respiração. Desde o nascimento permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal da Santa Casa de Misericórdia de Rio Claro, enquanto aguardava transferência para o Hospital de Renomalias Craniofaciais, em Bauru, referência nacional no tratamento da condição.
No dia 15 de julho, o quadro clínico do bebê se agravou. Segundo relato dos pais, eles foram informados pela equipe médica de que Noah havia sofrido uma parada cardiorrespiratória, sendo submetido às manobras de reanimação. Durante o atendimento, ocorreu uma nova parada cardíaca e, após todos os procedimentos, o óbito foi atestado às 17h17.
Abalados, Josenildo e a esposa, Letícia, iniciaram os preparativos para o velório e o sepultamento do filho. Porém, cerca de quatro horas depois, quando uma funcionária da funerária foi retirar o corpo na Santa Casa, percebeu que o bebê apresentava movimentos e sinais vitais. A equipe médica foi imediatamente acionada e Noah voltou a receber atendimento intensivo na UTI Neonatal.
O episódio provocou forte comoção entre familiares, profissionais de saúde e moradores da cidade. Muitos parentes, que haviam viajado para participar do velório, permaneceram reunidos em oração após receberem a notícia de que o bebê estava vivo.
Dias depois, Noah foi transferido para o hospital especializado em Bauru, onde segue em tratamento e deixou a UTI nesta última semana.
Nota da Santa Casa
Em nota oficial, a Santa Casa de Misericórdia de Rio Claro informou que, após a piora clínica apresentada por Noah, todas as manobras de reanimação cardiopulmonar foram realizadas durante aproximadamente 45 minutos, seguindo rigorosamente os protocolos da Sociedade Brasileira de Pediatria.
A instituição destacou que o óbito foi constatado conforme os critérios técnicos e legais previstos, não sendo identificada qualquer falha assistencial durante o atendimento. Ainda segundo a Santa Casa, cerca de duas horas após a constatação do óbito, a pessoa responsável pela retirada do corpo percebeu sinais vitais no bebê, que foi imediatamente reavaliado, readmitido na UTI Neonatal e, posteriormente, transferido para o hospital de referência em Bauru.
No comunicado, a direção afirma que o episódio foi um dos acontecimentos mais extraordinários da história centenária da instituição e reconhece que, para muitas pessoas, entre familiares e profissionais da saúde, o caso é interpretado como um milagre.
Um Dia dos Pais para nunca esquecer
Neste Dia dos Pais, o relato de Josenildo João dos Santos vai além da celebração da paternidade. É a história de um pai que enfrentou o luto, viveu o inesperado e hoje acompanha, com fé e gratidão, cada conquista do filho. Ao lado das filhas Ana Beatriz e Heloisa, ele segue acreditando que o maior presente não está em bens materiais, mas na oportunidade de continuar vendo Noah escrever sua própria trajetória.
Uma história que nasceu da luta, atravessou o impossível e se tornou símbolo de esperança para milhares de famílias que acompanham a recuperação do pequeno guerreiro. “Sempre tive o sonho de ter um menino e ele veio para ressignificar tudo. Meu menino é meu milagre de vida”, finaliza.