Rio Claro propõe lei para regulamentar esportes radicais após morte em ponte

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu no sábado (13) após ser arremessada em ponte na região

Projeto na Câmara Municipal busca garantir segurança e responsabilizar organizadores de atividades de aventura

A regulamentação de esportes radicais em Rio Claro avança na Câmara Municipal após a trágica morte de uma jovem na Ponte do Esqueleto, entre Cordeirópolis e Limeira. O Projeto de Lei nº 93/2026, de autoria do vereador Julinho Lopes (Progressistas), busca estabelecer normas mais rígidas para empresas e organizadores desse tipo de atividade.

A proposta visa regulamentar a atuação de empresas, entidades e instrutores que promovem atividades consideradas de alto risco em espaços públicos do município. Ela estabelece exigências claras de segurança, define as responsabilidades dos organizadores e prevê penalidades para quem descumprir as regras.

As atividades deverão ser realizadas apenas em locais apropriados ou previamente autorizados. Além disso, a utilização de equipamentos adequados e a observância de medidas que garantam a segurança individual e coletiva dos participantes serão obrigatórias.


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Entre as principais exigências, o projeto destaca a obrigatoriedade de uso de equipamentos em perfeito estado de conservação e a contratação de seguro de vida e de acidentes para os participantes. Também será mandatória a assinatura de um termo de responsabilidade contendo informações sobre os riscos da atividade, bem como a disponibilidade de atendimento médico emergencial no local.

A Prefeitura poderá delimitar áreas específicas para a prática das modalidades esportivas. Esses espaços deverão contar com sinalização adequada, indicando as modalidades permitidas, o grau de dificuldade, as normas de segurança e a obrigatoriedade do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Outro ponto importante é a proibição da prática de esportes radicais envolvendo estruturas de altura, montanhismo ou escalada em monumentos públicos, pontes, viadutos e edifícios históricos. Exceções serão abertas apenas para eventos previamente autorizados e acompanhados por supervisão técnica certificada.

Exigências para operadores e atividades

Para empresas, associações e instrutores que atuam comercialmente no setor, o projeto estabelece uma série de requisitos adicionais. Eles incluem a obtenção de autorização ou permissão de uso expedida pelo poder público municipal.

A manutenção rigorosa dos equipamentos, a disponibilização de uma equipe capacitada em primeiros socorros e o cadastro junto ao Ministério do Turismo (Cadastur) também serão exigidos para os operadores comerciais.

Penalidades e justificativa do projeto

As penalidades previstas variam conforme a gravidade da infração. O texto contempla advertência verbal ou escrita, retirada compulsória do local e apreensão temporária de equipamentos utilizados de forma irregular.

Multas equivalentes a R$ 986,00, que serão dobradas em caso de reincidência, também podem ser aplicadas. Em casos mais graves, a cassação da licença de funcionamento ou autorização de uso do espaço público para empresas e associações está prevista.

Na justificativa do projeto, Julinho Lopes argumenta que o crescimento dos esportes radicais exige uma legislação específica para garantir segurança e organização. Ele ressalta que a ausência de regulamentação gera conflitos, riscos de acidentes e coloca em perigo a vida dos desportistas.

O vereador menciona ainda que a falta de infraestrutura e sinalização de segurança adequadas contribui para esses riscos. O projeto dará entrada oficialmente na segunda-feira (22) na Câmara Municipal e passará pelas comissões antes da apreciação em plenário.

A discussão sobre essa regulamentação ganhou urgência após a trágica morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, no sábado (13). Ela faleceu ao ser arremessada da Ponte do Esqueleto, na divisa entre Cordeirópolis e Limeira, sem estar devidamente presa a uma corda de segurança. A investigação revelou que os organizadores do salto atuavam clandestinamente, o que reforça a necessidade de uma legislação robusta para proteger os praticantes e a população.

Lucas Calore: