Refis não vai acontecer este ano em Rio Claro, afirma Secretaria Municipal de Finanças

Vereadores aprovaram venda da dívida ativa, mas agora cobram realização do refis das dívidas da população com a Prefeitura. Governo Gustavo não realizará programa

A Prefeitura de Rio Claro não fará o refinanciamento fiscal de dívidas da população com o município este ano, o chamado refis. O programa não acontecerá devido à tramitação do processo para a venda da dívida ativa da administração municipal, aprovada pelos vereadores há poucos meses, e que está com processo em andamento. A informação é da própria secretária municipal de Finanças, Elisa Vitte.

Vereadores – os mesmos que aprovaram a venda da dívida ativa – estão cobrando da pasta de Finanças que o refis ocorra, no entanto, já foi definido que isso não ocorrerá. De acordo com Vitte, o processo da securitização impede que o refinanciamento ocorra, já que não foi previsto isso nos termos do edital de licitação para a contratação da empresa que executará a venda da dívida ativa.

“Para haver o refis precisaria prever isso nos termos do contrato para se poder fazê-lo. Foi uma decisão do governo não ter mais o refis. Temos uma experiência nele que desagrada, pois há muitos contribuintes que fazem a adesão, pagam a primeira parcela e não pagam mais”, afirma a secretária. De acordo com a titular da Finanças, mais de 90% da população de Rio Claro consegue pagar em dia seus impostos com o município, enquanto a minoria acaba entrando na dívida ativa.

Licitação da venda da dívida ativa

A Prefeitura de Rio Claro abriu o processo para contratar uma instituição financeira que será responsável pela venda da dívida ativa da população com a municipalidade. Trata-se da estruturação da operação de cessão onerosa dos fluxos de créditos tributários e não tributários do município. O pregão eletrônico, da Secretaria Municipal de Finanças, terá sessão pública em 20 de outubro – data alterada essa semana, já que antes seria dia 19. O edital estará disponível a partir desta sexta-feira (2).

Na prática, a operação prevê que o município antecipe recursos referentes à dívida ativa mediante a cessão desses direitos a uma financeira que terá como lastro os recebíveis. A obrigação do contribuinte, porém, não é transferida para uma instituição privada. A regulamentação municipal estabelece que a cessão não extingue nem modifica a obrigação perante o município e que permanecem sob responsabilidade dos órgãos municipais a constituição, o controle e a cobrança administrativa e judicial dos créditos.

A contratação para estruturar e implementar a operação será realizada por procedimento competitivo eletrônico. A legislação municipal que autorizou a cessão foi aprovada a toque de caixa pelos vereadores da Câmara Municipal em junho deste ano. O decreto prevê, entre outras finalidades, mecanismos específicos de controle dos valores e a utilização de parte dos recursos para o financiamento do regime próprio de previdência municipal (ao menos 50%) e para despesas de capital e investimentos.

Lucas Calore: