Operação contra ataques a escolas prendeu ou apreendeu 302 pessoas, afirma Dino

Flávio Dino, ministro da Justiça e Segurança Pública. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.

PAULO SALDAÑA (BRASÍLIA, DF, FOLHAPRESS)

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, informou nesta quinta-feira (20) que 302 pessoas já foram presas ou apreendidas sob suspeita de participarem de ameaças ou ataques a escolas no país. Segundo Dino, a Operação Escola Segura, criada para apurar as ameaças, não tem data para acabar.

Por medo, diante de boatos de ataques, muitos pais optaram por não levar os filhos às escolas nesta quinta-feira. Segundo publicações que circularam nas redes sociais, novos ataques estariam sendo planejados para esta quinta-feira –a data de 20 de abril coincide com o massacre de Columbine que resultou na morte de 15 pessoas nos Estados Unidos em 1999, e o aniversário do ditador nazista Adolf Hitler.

Dino apresentou um balanço da operação iniciada após o ataque a uma creche em Blumenau (SC), em 5 de abril, que resultou na morte de quatro crianças. O ministro apresentou à imprensa os trabalhos no Centro de Monitoramento na sede Polícia Rodoviária Federal, em Brasília.

“Temos um dia hoje de monitoramento especial e vamos rezar e orar para que terminemos o dia como começamos”, declarou Dino, que afirmou entender a decisão das famílias de não levarem seus filhos para a escola.

“Não cabe a nós julgarmos as decisões das famílias, mas até este momento que estamos conversando, não há nenhuma razão objetiva para isso. Diria que é uma atitude de tranquilidade com vigilância”. A operação envolve 4.253 agentes federais e das forças estaduais.

No balanço anterior, do dia 18, o governo registrara 225 prisões. O número atual, de 302 detidos, significa um aumento de 77 prisões ou apreensões de menores de idades em dois dias.

As operações foram possíveis, em geral, por conta do monitoramento de redes sociais. Esse trabalho resultou na derrubada ou preservação de conteúdos para investigação de 812 perfis nas redes sociais identificados com ameaças a escolas.

Por conta dos números, o “trabalho [da operação] continua forte e não tem data para acabar”, segundo disse o ministro. O monitoramento nas redes permitiu 270 buscas e apreensões, que colheu desde armas a materiais de inspiração neonazistas.

O ministro disse que há identificação de pessoas isoladas e também de grupos de inspiração nazistas entre os alvos de prisões ou busca e apreensão. Dino afirmou que os casos ocorrem em todo país e preferiu não divulgar dados por estados, para, segundo ele, não passar a impressão de que há núcleos específicos.

A Operação Escola Segura registra 2.593 boletins de ocorrência e 1.062 conduções às delegacias para prestar esclarecimentos desde o último dia 5.

Dino também mencionou que há decisões judiciais relacionadas às plataformas digitais. Com exceção do Telegram, todas as plataformas teriam respondido a notificações do Ministério da Justiça sobre o monitoramento de ameaças relacionadas a escolas. “Vamos abrir processo sancionador [com relação ao Telegram], mas ainda não dá pra adiantar detalhes”, disse o ministro.

Segundo ele, o monitoramento é direcionado a ameaças a escolas.

“Liberdade de expressão é para as pessoas que estão exercendo seu direito de opinião nos termos da lei. Quem ameaça destruir uma escola, uma criança, um adolescente, ameaça destruir uma família, obviamente não está protegido pela Constituição e está, sim, no âmbito do Código Penal”, disse.

“E a polícia vai buscar, um a um, porque a determinação é essa. E nós vamos cumprir, não vamos permitir que se instale no Brasil um terrorismo de inspiração em outros países, qualquer que seja essa ideologia”.

Divulgação: