História do CIESP Rio Claro: 70 anos de representatividade e desenvolvimento industrial

Sede do Ciesp em Rio Claro, na Avenida Presidente Kennedy, 900

Conheça a trajetória da entidade em Rio Claro, desde sua fundação em 1949, sua reinstalação e o impacto no crescimento econômico da região

A história do CIESP Rio Claro está profundamente ligada ao processo de interiorização da entidade, que começou em 1949. Naquele período, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) decidiu expandir sua atuação no interior paulista. O objetivo era fortalecer a representação da indústria e aproximar-se dos empresários de diversas regiões do estado.

A Delegacia de Rio Claro foi uma das primeiras unidades do CIESP criadas no interior. O industrial Humberto Cartolano foi seu primeiro delegado. O grupo de conselheiros incluía Joaquim Monteiro, Nomentala Jorge, Arvídio Berzin, Frico Meyer, Francisco Leal Lucas, Heitor Ribeiro de Almeida (Santa Gertrudes), Jorge Assumpção (Araras) e Petit Arrais (Leme).

Essa composição inicial já evidenciava a vocação regional da entidade. Ela reunia importantes lideranças industriais de municípios que integravam a área de influência econômica de Rio Claro.


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A criação da Delegacia em Rio Claro ocorreu em um período de intensas transformações econômicas no Brasil. O país iniciava sua fase de industrialização acelerada após a guerra, impulsionada pela substituição de importações e pela expansão da infraestrutura.

No interior paulista, cidades como Rio Claro, Araras e Leme começavam a firmar suas atividades industriais, complementando a tradicional vocação agrícola da região.

Embora tenha sido marcada por entusiasmo inicial, a implantação da Delegacia enfrentou desafios estruturais e organizacionais, o que limitou sua atuação nos primeiros anos.

Contudo, a relevância econômica da região e a mobilização dos industriais locais mantiveram viva a necessidade de uma representação mais sólida e permanente do CIESP.

Reinstalação da delegacia em 1952

Atendendo às reivindicações do setor industrial e ao convite do então prefeito de Rio Claro, Fausto Santomauro, e do presidente da Câmara Municipal, José Martins da Silva, a Diretoria do CIESP decidiu reorganizar e fortalecer sua representação na região.

Em 24 de junho de 1952, o diretor do Departamento do Interior do CIESP, Mario Di Pierro, acompanhado pelo chefe do departamento, Dr. Clóvis de Oliveira, e pelo assistente Dr. Cleide Moreira Ortiz Ramos, esteve em Rio Claro.

O objetivo era conduzir oficialmente a reinstalação da Delegacia Regional. A cerimônia integrou a programação de encerramento das comemorações dos 125 anos de fundação do município, destacando o papel que a indústria já desempenhava no desenvolvimento econômico local.

A comitiva foi recebida na estação ferroviária por autoridades municipais, lideranças regionais, representantes de entidades de classe, empresários e uma banda musical mobilizada especialmente para a ocasião. O fato simbolizava a importância crescente da indústria para a economia rio-clarense e a expectativa em torno da atuação da entidade.

Em seguida, a comitiva dirigiu-se à sede da Associação Comercial e Industrial de Rio Claro, presidida por Arvídio Berzin, onde foi realizada uma reunião com os industriais da região.

O encontro tratou de temas essenciais para o crescimento do setor, como infraestrutura, transportes, energia, desenvolvimento industrial e fortalecimento da representação patronal. Na ocasião, os empresários reiteraram o pedido de manutenção e fortalecimento da Delegacia criada originalmente em 1949, iniciativa conduzida pelo industrial Antonio Devisate.

Consolidação da representação regional

As articulações realizadas durante a visita resultaram na reorganização formal da Delegacia. Em reunião da Diretoria do CIESP, realizada em 16 de julho de 1952, foram homologados os nomes escolhidos pelos industriais da região para compor sua nova estrutura.

O industrial Manuel José Ferreira foi nomeado delegado, tendo como conselheiros:

  • Arvídio Berzin;
  • Emílio Beltrati;
  • Vicente Paschoal Júnior;
  • Alfredo Hebling;
  • Mecenas David Teixeira;
  • Frederico Hilpert;
  • Oscar Meyer;
  • Benjamin Ferreira;
  • Érico Meyer;
  • Carlos Gusmão Fontes;
  • Paulo Nometala Jorge;
  • Walter Meyer;
  • Ítalo Cerri;
  • Jorge Assumpção.

Foram escolhidos como suplentes:

  • Heitor Ribeiro de Almeida;
  • Nelson Santos;
  • Angelo Bank.

A diretoria foi reconduzida ao cargo no início de 1953, confirmando a confiança do empresariado local em seus representantes e consolidando a presença institucional do CIESP na região.

Formação da região industrial de Rio Claro

Outro passo decisivo foi a definição da área de abrangência da Delegacia. Após consultas às Delegacias de Americana e São Carlos, passaram a integrar a jurisdição de Rio Claro os municípios de:

  • Araras;
  • Cordeirópolis;
  • Santa Gertrudes;
  • Leme;
  • São Pedro;
  • Águas de São Pedro;
  • Itirapina;
  • Analândia;
  • Corumbataí.

A delimitação ampliou o alcance da entidade e consolidou Rio Claro como um dos principais polos de representação industrial do interior paulista.

Nas décadas seguintes, a região tornou-se um importante corredor econômico entre Campinas, Piracicaba e São Carlos. Beneficiou-se da expansão da malha rodoviária paulista e da presença da ferrovia, que por muitos anos foi fundamental para o transporte de matérias-primas e produtos industrializados.

Participação nos grandes ciclos econômicos

A trajetória da Regional Rio Claro acompanhou os principais ciclos de desenvolvimento industrial do Estado de São Paulo.

Durante as décadas de 1950 e 1960, a atuação da entidade esteve voltada ao fortalecimento da indústria de transformação, à melhoria do fornecimento de energia elétrica e à ampliação da infraestrutura logística necessária ao crescimento econômico regional.

Nos anos 1970, período conhecido como “Milagre Econômico Brasileiro”, a região registrou significativa expansão industrial. Novas empresas foram instaladas e setores como metalurgia, mecânica, produtos alimentícios, química e materiais de construção ganharam relevância.

A partir da década de 1980, o CIESP Rio Claro passou a atuar de forma mais intensa em temas relacionados à competitividade, relações trabalhistas, qualificação profissional e modernização tecnológica. A entidade auxiliou as empresas a enfrentar os desafios impostos pela abertura econômica e pelas transformações do mercado global.

Fortalecimento do polo cerâmico

Um dos marcos mais importantes da história econômica regional foi a consolidação do polo cerâmico de Santa Gertrudes.

A abundância de argila de alta qualidade, aliada ao espírito empreendedor dos empresários locais e ao desenvolvimento tecnológico do setor, transformou a região no maior polo produtor de revestimentos cerâmicos das Américas.

O CIESP desempenhou papel relevante nesse processo ao apoiar iniciativas voltadas à competitividade industrial, capacitação de mão de obra, defesa dos interesses do setor e fortalecimento da infraestrutura regional. Atualmente, o polo responde por parcela significativa da produção brasileira de revestimentos e possui forte participação nas exportações nacionais.

Lideranças que construíram a história

Ao longo de mais de sete décadas, empresários e lideranças regionais contribuíram para fortalecer a indústria local e consolidar a atuação institucional do CIESP de Rio Claro.

Além da defesa permanente dos interesses industriais, essas lideranças participaram ativamente de debates sobre desenvolvimento regional, qualificação profissional, educação técnica, infraestrutura logística, expansão energética e atração de investimentos para os municípios da região.

Delegados e diretores regionais

  • Humberto Cartolano (1949–1952)
  • Manoel José Ferreira (1952–1960)
  • Emílio Beltrati (1960–1964)
  • Benjamin Ferreira (1965–1966)
  • Luiz Couto (1967–1971)
  • Emílio Beltrati (1972–1977)
  • Humberto Mônaco (1977)
  • Francisco Gebelein (1977–1983)
  • Sérgio Luiz Marola (1983–1986)
  • Francisco Penteado Neto (1986–1995)
  • Francisco Gebelein (1995–1998)
  • Pascoal Leonardo Figueiredo (1998–2001)
  • Assed Bittar Filho (2001–2004)
  • Celestino Martin Kemerer
  • José Tadeu Leme
  • Anselmo Ariza Quinelato
  • Maurício Silveira Pedreira

Transformação em diretoria regional

Com a evolução da estrutura organizacional do CIESP ao longo das décadas, as antigas Delegacias passaram gradativamente a assumir funções mais amplas e estratégicas, transformando-se em Diretorias Regionais.

Essa mudança refletiu o crescimento econômico das regiões atendidas e a necessidade de ampliar a representatividade institucional junto aos governos municipais, estadual e federal, além de fortalecer a prestação de serviços às empresas associadas.

A Regional Rio Claro tornou-se referência em iniciativas voltadas ao desenvolvimento industrial, relações institucionais, sustentabilidade, capacitação empresarial e integração entre os diversos municípios de sua área de atuação.

Legado e atualidade

A atual Diretoria Regional do CIESP de Rio Claro é herdeira do trabalho iniciado pelos pioneiros que, no final da década de 1940, reconheceram a importância de uma representação organizada e atuante para a indústria do interior paulista.

Atualmente, a Regional Rio Claro representa cerca de 180 indústrias associadas e abrange municípios de grande relevância econômica para o Estado de São Paulo. Sua atuação inclui o diálogo permanente com os poderes públicos, a promoção do desenvolvimento industrial, o incentivo à inovação e o fortalecimento da competitividade empresarial.

Entre os marcos recentes de sua história destacam-se a ampliação dos programas de relacionamento com as empresas, a criação de grupos temáticos, como o Grupo de Recursos Humanos, a implantação do programa CIESP Conecta, o fortalecimento das ações de sustentabilidade e a ampliação do diálogo regional envolvendo prefeitos, universidades, entidades de classe e lideranças empresariais.

Ao contribuir para a geração de empregos, renda e riqueza, a entidade mantém vivo o compromisso assumido por seus fundadores. Sua trajetória integra a própria história do desenvolvimento industrial de Rio Claro, Santa Gertrudes, Araras, Leme, Cordeirópolis, Itirapina, Corumbataí, Analândia e dos demais municípios que compõem sua área de atuação, constituindo um patrimônio institucional da indústria paulista.

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