Escola de Rio Claro dedica-se há mais de 20 anos ao ensino da Capoeira para crianças, adolescentes e adultos, promovendo a valorização da cultura afro-brasileira por meio da educação
Celebrado em 3 de agosto, o Dia do Capoeirista homenageia uma das mais importantes expressões da cultura brasileira e reforça o papel da modalidade como instrumento de educação, inclusão e valorização da história afro-brasileira. A data faz referência à Lei Estadual nº 4.649, de 7 de agosto de 1985, que instituiu oficialmente a comemoração no Estado de São Paulo.
Em Rio Claro, a Escola de Capoeira Senzala desenvolve esse trabalho desde 2005, oferecendo aulas para crianças, adolescentes e adultos e difundindo a prática por meio da educação. À frente da escola está o mestre Thércio Sabino, conhecido como Mestre Coelho, natural de Uberaba (MG), que conheceu a capoeira em 1999, aos 12 anos. Segundo ele, o que começou como uma atividade física acabou transformando sua vida.
“A capoeira me ensinou a trabalhar, a ter disciplina, respeito, paciência e a aprender com pessoas de diferentes idades. Ela também influenciou diretamente minha escolha profissional”, afirma. Hoje professor de Educação Física, pedagogo, especialista em Educação Física Escolar, História e Cultura Indígena e Afro-brasileira e mestre em Ciência da Motricidade, Thércio destaca que foi a capoeira que despertou o interesse pelo conhecimento. “Antes de tudo eu sou capoeirista, porque foi a capoeira que me levou a buscar mais conhecimento. Ela transformou minha forma de enxergar as pessoas, a educação e a cultura brasileira, e entender a importância do outro”, ressalta.
Para o mestre, a prática está aberta a pessoas de todas as idades. “A capoeira é para crianças, jovens, adultos e idosos, sempre respeitando os limites de cada um. Ela desenvolve força, equilíbrio, coordenação motora, ritmo, flexibilidade e resistência, mas seus benefícios vão muito além do corpo”, diz ao JC.
Ele explica que a modalidade fortalece a autoestima, incentiva o trabalho coletivo, promove o respeito às diferenças e aproxima gerações. “É uma atividade que educa enquanto movimenta o corpo”, explica. Mais do que um esporte, Thércio define a capoeira como um patrimônio cultural marcado pela resistência. “Ela nasceu como uma forma de resistência do africano escravizado e carrega até hoje valores como liberdade, identidade, pertencimento e superação”, destaca.
Ao longo de mais de duas décadas ensinando capoeira, ele afirma ter acompanhado mudanças significativas na vida de seus alunos. “Vi crianças tímidas se tornarem confiantes, jovens encontrarem um caminho e adultos redescobrirem a autoestima. A capoeira transforma vidas porque forma pessoas, e não somente capoeiristas”, celebra.
Em Rio Claro, a Escola de Capoeira Senzala atua desde que Thércio se mudou para a cidade para cursar Educação Física na Unesp. Atualmente, desenvolve atividades em instituições de ensino como os colégios Puríssimo e Koelle, contribuindo para a formação de centenas de alunos. Em 2024, recebeu o título de Mestre de Capoeira em cerimônia realizada na cidade.
Além das aulas, também ministra oficinas no Brasil e no exterior, com passagens por Estados Unidos, Porto Rico, França e Canadá. Desde 2020, mantém o canal berimBATIDA, dedicado ao ensino do berimbau, tornando-se referência na difusão da musicalidade da capoeira e sendo convidado para festivais e encontros em diversas regiões do país.
Na Escola Senzala, os alunos aprendem a capoeira em sua totalidade, como manifestação cultural, prática corporal, luta, jogo, dança e expressão musical. As aulas incluem o aprendizado do berimbau, do canto e da percussão, além de estimular coordenação motora, equilíbrio, consciência corporal, convivência em grupo e respeito às diferenças. As aulas são destinadas a crianças a partir de 4 anos, adolescentes e adultos. Mais informações pelo Instagram @capoeirarioclaro.