Carta formaliza pedido para Feena se tornar polo

Uma força-tarefa inédita composta por representantes de universidades de excelência, órgãos ambientais, setor produtivo e sociedade civil reuniu-se em Rio Claro para traçar o futuro da conservação e da pesquisa ambiental na região. O encontro teve início com uma reunião estratégica sediada na Associação Comercial e Industrial de Rio Claro (Acirc). Em seguida, o grupo dirigiu-se à Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade (Feena) para uma imersão em campo sob a condução de Paulo Henrique Muller da Silva – Coordenador Técnico Executivo do IPEF (Instituto de Estudos e Pesquisas Florestais) e Flávio Bertin Gandara Mendes – Esalq-USP, com o objetivo de entender melhor a rica diversidade de plantas nativas do local, bem como as coleções e o patrimônio genético do Eucalyptus.

A respeito desse encontro, Antonio Carlos Sarti – Presidente da AAMHOR (Associação Amigos do Horto Florestal Edmundo Navarro de Andrade), destaca que: “Há um consenso de que o trabalho pioneiro de Navarro de Andrade, cujo acervo está na Feena, é referência mundial. Não há outro lugar no planeta que concentre tanto material genético do eucalipto de forma sistemática, organizada, estudada como no nosso antigo Horto. O que a reunião buscou foi aproximar a Embrapa Florestas, de outras instituições e da própria Fundação Florestal, visando otimizar a exploração desse fantástico patrimônio”, diz.

O dia de atividades culminou na assinatura de uma importante Carta de Intenções, formalizando diretrizes estratégicas e parcerias institucionais. O antigo Horto Florestal, reconhecido como um inestimável patrimônio histórico, cultural e ambiental para os moradores, está no centro de um novo arranjo. O objetivo da parceria é transformar a área em um campo de pesquisa avançado com referência global, visando a integração entre o manejo da floresta e o enfrentamento às mudanças climáticas.

Eixos de atuação e inovação

Durante o encontro, os representantes delinearam três eixos principais de atuação mútua:

1. Conservação ambiental e manutenção do patrimônio genético: com a promoção da conservação contínua e estudo de viabilidade de ampliação da base genética. O documento assegura a manutenção das características da Unidade de Conservação (UC) e prevê o planejamento ambiental integrado ao Plano de Manejo e ao Programa de Recuperação de Áreas Degradadas, tendo como base um Inventário Florestal estruturado em alinhamento com a Fundação Florestal.

2. Pesquisa, inovação e melhoramento genético: estabelecimento de um polo de excelência para pesquisas avançadas. A meta é explorar os recursos genéticos do acervo para desenvolver novos produtos e tecnologias aplicáveis à indústria florestal, criando condições para novas áreas de experimento e garantindo a propriedade intelectual dos processos desenvolvidos.

3. Arranjo institucional e parcerias estratégicas: estruturação de um arranjo robusto congregando instituições de pesquisa. O grande destaque é o esforço conjunto para alocar a Embrapa Florestas na implantação de uma Unidade Mista de Pesquisa no local, além de atrair empresas de base florestal para ações conjuntas de desenvolvimento.

União de Forças

O encontro demonstrou um forte alinhamento interinstitucional, unindo o respeito ao legado histórico da instituição aos interesses avançados para o desenvolvimento tecnológico do projeto. A Carta de Intenções foi firmada pelos seguintes representantes:Nilson Nicoletti – Presidente da ACIRC (Associação Comercial e Industrial de Rio Claro); Antonio Carlos Sarti – Presidente da AAMHOR (Associação Amigos do Horto Florestal Edmundo Navarro de Andrade); Silvio Brienza Júnior – Chefe-Geral da Embrapa Florestas – PR; Paulo Henrique Muller da Silva – Coordenador Técnico Executivo do IPEF (Instituto de Estudos e Pesquisas Florestais); Filipe Manoel Ferreira – Professor de Genética e Melhoramento Florestal da Esalq-USP; Gabriel Lourenço Brejão – Professor de Biodiversidade do IB-Unesp – Rio Claro; José Alexandre de Jesus Perinoto – Coordenador Científico Projeto Geoparque Corumbataí/IGCE-Unesp – Rio Claro; Alexandra Facciolli Martins – Promotora Pública do Ministério Público – Gaema – Piracicaba.

Com a estruturação destas diretrizes, as instituições envolvidas darão início ao desdobramento das ações em planos de trabalho e acordos de cooperação técnica futuros, garantindo que a Feena retome seu protagonismo como berço da pesquisa florestal no Brasil.

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