Violência doméstica: região registra 795 atendimentos e 3 feminicídios

Prisões por violência doméstica mobilizam a Polícia Militar em Rio Claro e região

Tenente Lieri detalha o funcionamento da Cabine Lilás, o uso do aplicativo SOS Mulher e a gravidade dos casos registrados em Rio Claro e Brotas

A luta contra a violência doméstica ganhou novos dados e orientações vitais através da Tenente Lieri, chefe da seção de Comunicação Social da Polícia Militar. Em 2025, o batalhão que atende oito cidades da região registrou 795 ocorrências relacionadas ao tema.

O dado mais alarmante refere-se ao desfecho fatal da violência: a confirmação de três feminicídios na área do batalhão no último ano. Dois desses crimes ocorreram em Rio Claro e um na cidade de Brotas. “O feminicídio é o limite, é o extremo da violência doméstica”, afirmou a oficial durante entrevista ao Jornal da Manhã.

NÚMEROS DO BATALHÃO EM 2025: * Atendimentos totais: 795 casos de violência doméstica. * Feminicídios em Rio Claro: 02 casos registrados. * Feminicídios em Brotas: 01 caso registrado.

Tenente Lieri, da Polícia Militar, durante entrevista ao Jornal da Manhã da rádio Jovem Pan News de Rio Claro

Rede de apoio e a atuação da Cabine Lilás

Para enfrentar a violência doméstica, a Polícia Militar conta com a Cabine Lilás, uma iniciativa operada exclusivamente por policiais femininas treinadas para acolher as vítimas. A unidade está preparada, inclusive, para receber chamados em códigos, caso a mulher não possa falar abertamente por estar na presença do agressor.

Além do atendimento humanizado, o aplicativo SOS Mulher é uma ferramenta estratégica. Ele é exclusivo para quem possui medidas protetivas de urgência, permitindo o acionamento da polícia com apenas um toque, enviando a localização exata do celular da vítima para a viatura mais próxima.

A eficácia e os riscos das medidas protetivas

A medida protetiva é considerada um instrumento primordial para interromper o ciclo da violência doméstica antes que ele evolua para crimes graves. No entanto, a Tenente alerta para um erro comum que pode colocar a vida da mulher em risco: a reconciliação informal.

Se a vítima aceita o contato do autor e reata o relacionamento, ela acaba invalidando o benefício protetivo. Isso torna juridicamente mais difícil obter uma nova proteção judicial no futuro, o que pode deixar a mulher vulnerável a novas agressões.

Como denunciar e ajudar as vítimas

A violência doméstica não possui um perfil social ou econômico específico e ocorre majoritariamente em ambientes privados. Por isso, a denúncia por parte de vizinhos, familiares e testemunhas é essencial e pode ser feita de forma totalmente anônima.

Canais oficiais de ajuda:

  • 190: Para emergências e situações de flagrante.
  • 180: Central de Atendimento à Mulher (exclusivo para denúncias anônimas).
  • App 190 SP: Permite acionamento via texto, ideal para quando não é seguro falar.
Rodrigo Montezzo: