A Câmara Municipal de Rio Claro aprovou na quarta-feira (18) moção de repúdio de autoria da vereadora Tiemi Nevoeiro (Republicanos) contra o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no Rio de Janeiro, que homenageou o presidente Lula (PT). A agremiação, inclusive, não recebeu pontos suficientes no julgamento do desfile e foi rebaixada do Grupo Especial para a Série Ouro.
O tema veio ao plenário do Legislativo rio-clarense, mas ainda durante o Carnaval vários vereadores já haviam se manifestado nas redes sociais contra o desfile. Não somente pela figura do presidente, mas também por uma ala denominada “Família em conserva”, que fez uma crítica às famílias conservadoras da direita no Brasil. O vereador Diego Gonzales (PSD) chegou a emitir uma nota de repúdio contra o desfile.
No entanto, na sessão de ontem a vereadora Neia Garcia (PL) levantou a discussão contrária à ala. Tiemi engrossou o debate e fez declarações contra Lula, anunciando a moção de repúdio, que é um dispositivo oficial de manifestação legislativa. A parlamentar ganhou apoio dos vereadores Rodrigo Guedes (União Brasil), Elias Custódio (PSD), Val Demarchi (PL), Rafael Andreeta (Republicanos), Serginho Carnevale (PSD), José Pereira (PSD), Hernani Leonhardt (MDB) e Neia Garcia (PL), que assinam em conjunto.
Ainda que a fantasia da ala não expressasse diretamente qualquer conotação religiosa, os vereadores e demais políticos nacionais entenderam que a escola estaria atacando famílias cristãs. Para Tiemi, os “atos ocorridos no âmbito do Carnaval do Rio de Janeiro [foram] ofensivos à fé cristã e aos valores familiares, causando indignação e sentimento de desrespeito a cidadãos que professam sua crença de forma legítima e constitucionalmente protegida”, declarou.
A escola relatou após o desfile que durante todo o processo carnavalesco que “fomos perseguidos, sofremos ataques políticos, enfrentamos setores conservadores (…)” e que houve tentativa do próprio Carnaval carioca em alterar o tema-enredo. Ao ser rebaixada, afirmou que “a arte não é para os covardes”.
A moção de repúdio também destacou preocupação quanto à eventual utilização de recursos públicos para o “financiamento de manifestações culturais que possam afrontar convicções religiosas ou ensejar questionamentos acerca da observância dos princípios da impessoalidade, moralidade e respeito à diversidade de crenças, especialmente quando se trata de recursos provenientes da coletividade”.