Prédio histórico localizado em distrito de Rio Claro pode se tornar patrimônio histórico e artístico estadual 110 anos após sua inauguração
O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) analisa um dossiê para a preservação do antigo prédio da subestação de Batovi, localizado no Distrito de Batovi, em Rio Claro. A abertura do processo de análise do dossiê preliminar teve início na última segunda-feira (22) e busca transformar o imóvel em patrimônio oficial exatos 110 anos após a sua inauguração, celebrada em 1º de junho. Atualmente, o edifício funciona como sede da Subprefeitura de Batovi.
A iniciativa partiu do arquiteto e urbanista rio-clarense Icaro Fassoli, que protocolou o pedido junto ao órgão estadual em 2018 após desenvolver uma detalhada pesquisa sobre o valor arquitetônico e histórico do local. “Com as histórias da minha mãe, dos meus avós, antigos moradores e comerciantes, ficou nítida a importância desse edifício não somente para o bairro, mas para o município”, explicou Fassoli ao Jornal Cidade.
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Importância histórica da subestação de Batovi no desenvolvimento regional
A linha férrea chegou a Rio Claro há quase 150 anos, marca que será comemorada em agosto deste ano. O trecho que compreende a subestação de Batovi surgiu com a desativação da antiga linha Cuscuzeiro em 1916 e operou regularmente até o ano de 1980. Naquele período, a Companhia Paulista substituiu o antigo traçado que passava por Analândia por uma nova rota conectando Rio Claro a São Carlos. Na sequência da linha, Batovi integrava um sistema que contava com as subestações de Itapé, Graúna e Ubá, estendendo-se depois para Itirapina. Em 1918, foi implantada a Estação Camaquã, entre Batovi e Itapé, destinada ao atendimento do Horto de Camaquã. A princípio em Batovi, apenas a subestação foi executada, recebendo posteriormente uma cabina de controle e um reservatório de água.
“Sua implantação está diretamente relacionada às transformações promovidas pela companhia em seu sistema ferroviário regional, que buscava ampliar a eficiência operacional e atender às demandas de crescimento econômico do interior paulista. Segundo relatos de antigos moradores e comerciantes que atuaram no auge da atividade, a estação adquiriu uma função estratégica na operação ferroviária da época”, comenta Icaro.
A partir da região de Batovi iniciava-se um trecho com maior ganho de altitude, condição que exigia adaptações operacionais devido às limitações das locomotivas disponíveis naquele período. Por essa razão, os trens que chegavam da Estação de Rio Claro frequentemente tinham suas composições reorganizadas ou reduzidas, permitindo que o percurso prosseguisse de forma mais eficiente.
“Há ainda relatos da existência de uma locomotiva dedicada a auxiliar esse trajeto entre Batovi e as estações seguintes. Dessa forma, a Subestação Batovi não funcionava apenas como um ponto de embarque, desembarque, carga e descarga, mas também como uma importante instalação operacional da Companhia Paulista, contribuindo diretamente para a eficiência do transporte ferroviário regional”, completa o arquiteto.
Na segunda-feira (22), o Condephaat deu início ao processo de análise do dossiê preliminar que requer o tombamento patrimonial e artístico do imóvel. “O ato de tombar o imóvel pode atrair mais investimento cultural não somente ao município, mas também ao bairro ao colocá-la no roteiro de passeios turísticos, culturais e difusão de conhecimento. A inserção de mais um dispositivo cultural enriquece a história do município, onde conta as histórias de seus bairros”, afirma Icaro.
Do ponto de vista da preservação do prédio, desde que bem gerido pelo poder público, pode representar um critério maior nas manutenções, evitando descaracterização e perda de elementos arquitetônicos e históricos. “Além disto, o tombamento da subestação de Batovi pode servir de precedente para o tombamento de outras subestações não somente do município, mas de outras cidades, pois geralmente se dá mais atenção e direcionamento de recursos às estações principais e as subestações acabam ficando desamparadas, porém não menos importantes”, acrescenta.
Ainda no aguardo do resultado da análise do Condephaat, Ícaro enxerga na iniciativa um presente para entregar ao município de Rio Claro nestes 199 anos da cidade, comemorados neste 24 de junho. “O edifício é a representação de todos os fatores sociais e econômicos do local, estendido pelas pessoas que fizeram tudo isso acontecer. Preservar o edifício é preservar a história dessas pessoas. É uma forma de manter vivas as lembranças dessa geração que, infelizmente, está desaparecendo com o passar do tempo, à medida que essas pessoas partem e levam consigo parte dessas histórias, portanto, preservar o edifício é preservar as pessoas que construíram os caminhos pelos quais hoje podemos andar”, finaliza.