Rio Claro Basquete faz 45 anos: ex-atletas celebram memória e conquistas

Foto: Guilherme Figueiredo

O rugido do Leão chega a 45 anos de história neste domingo, 15 de março. Nesta data, em 1981, era formada a primeira equipe masculina de basquete competitiva da história da cidade pelas mãos dos atletas que eram componentes, em sua maioria, do Clube de Campo de Rio Claro e outros talentos do município. Já naquele ano, Rio Claro se tornou campeão do Campeonato Estadual da 1.ª Divisão, que correspondia na época à divisão de acesso à elite do basquete masculino paulista, como se fosse a Série A2 atualmente.

Dados do Arquivo Público e Histórico de Rio Claro mostram que naquele ano a parceria entre o Clube de Campo e a Prefeitura Municipal se iniciava com esforço mútuo para alavancar o esporte na cidade. Um dos responsáveis foi Ivo Rodrigues, diretor do departamento de esportes e turismo da municipalidade que, junto ao presidente do CC-RC, Aldo Demarchi, alinharam o time. O governo era do prefeito Nevoeiro Junior.

“Plantamos a semente em 1981, misturamos jovens promessas com jogadores consagrados e o resultado surpreendeu a todos. Aos poucos, houve um visível crescimento da modalidade, inicialmente apenas com apoio da Prefeitura, mas logo surgiram patrocinadores”, comenta Aldo em sua biografia.

Num amistoso em comemoração ao aniversário de Cubatão, em 9 de abril daquele ano, o time da Cidade Azul com Batiston, Scureba, Mola, Edson, Jodatinho, Laprega, Irineu e Paulinho venceu a aniversariante por 74 a 47. Investimentos chegaram, a visibilidade aumentou e o time se estruturou para a disputa no Campeonato Estadual da 1ª Divisão.

O comandante era ninguém menos do que Manoel Antonio Bortolotti, o Mané. Na equipe, entre entradas e saídas, nomes como Wilson Renzi, Emil Rached, Flavio, Neto Bortolotti, Jorge Pedro, Milito, Bira, Mauru, Edu, Batiston, Paulo Tauki, Ronaldo, Marlon, Dalton, Gibi, Flávio e Fritz. Na época, a equipe fechou a série como campeã invicta da fase classificação, turno e returno.

Na imagem de arquivo, composição do time de 1981 que foi montado para a disputa do Campeonato Estadual da 1.ª Divisão

A continuidade da disputa seguiu no início de 1982. O Clube de Campo Rio Claro passa com sucesso no turno inaugural da fase final contra Marília, vencendo também o América, e o Pinheiros – esse no returno derrotou o Leão, mas o time de Rio Claro sagrou-se campeão do Campeonato Paulista da Primeira Divisão-81, ganhando acesso à Divisão Especial no ano de 1982. Uma outra grande disputa foi o Troféu Bandeirantes, o qual Rio Claro foi vitorioso.

Foi o início desta história que passou por altos e baixos momentos. Ainda na década de 1980, o Rio Claro Basquete conquistou o primeiro título do Campeonato Paulista Especial, em 1987. O feito se repetiu em 1991, 1993, 1994 e 1995. Em 1992 conseguiu o primeiro título do Campeonato Brasileiro de Basquete, fato que também se repetiu em 1995 – nesse ano ainda o sucesso foi grande com títulos no Campeonato Pan-Americano de Clubes e Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões.

“Além de rivalizar com Franca sobre quem seria a “capital do basquete”, a modalidade virou paixão no município, passou de pai para filho e se consolidou ao ponto de muitas pessoas não aceitarem que, por dificuldades financeiras, fiquemos eventualmente longe das quadras ou não consigamos manter um grupo à altura das nossas tradições”, disse Aldo em seu livro.

Memória viva: Wilson Renzi fala da atuação no basquete

Um dos primeiros contratados pelo time que iria disputar o Campeonato Estadual da 1.ª Divisão na época foi Wilson Renzi. Natural de Piracicaba, veio atuar em Rio Claro para integrar a equipe precursora da era dourada do basquete rio-clarense, no Clube de Campo/Rio Claro. E essa chegada resultou num título que só ele detém: Renzi é o maior cestinha da história do basquete de Rio Claro, com mais de 10 mil pontos anotados em sete anos de atuação no time.

“Quando vim para Rio Claro, em 1981, não imaginava que faria parte de uma equipe que seria precursora de conquistar muitos títulos. Nossa equipe na época, era considerada uma equipe forte, candidata a disputar o título de campeão paulista de basquete da primeira divisão”, comentou nesta semana ao JC.

O ex-atleta, morador na cidade vizinha, lembra que a atuação no Rio Claro Basquete foi intensa. “Foi uma trajetória construída com muito suor, dribles, cestas e, acima de tudo, paixão pelo basquete e pela cidade de Rio Claro”, afirmou.

Wilson Renzi, ex-atleta do Rio Claro Basquete

O time, sob o comando de Mané Bortolotti, foi responsável por várias conquistas a partir daquele ano. “Essa equipe mostrava uma garra incrível, focada em dar esse título para a cidade. Cidade que nos abraçou desde o primeiro momento, enchendo sempre o ginásio e, mostrando um verdadeiro amor pela equipe”, relembra Renzi.

A chegada do primeiro grande título no Estado, no Campeonato Estadual da 1ª Divisão, é considerada por todos como este início da era dourada do Leão. “Este título foi o precursor, nesses 45 anos de muitos títulos, que fizeram a cidade de Rio Claro ser conhecida nacionalmente e internacionalmente, por possuir um basquete forte. O basquete me trouxe para Rio Claro, mas foi o carinho dessa gente que me fez ficar”, conclui Renzi ao Jornal Cidade. O ex-jogador de basquete fez carreira no município nos anos seguintes.

Ex-atletas comentam momento nos times de 1981

José Luiz Ribeiro Motta, o Scureba – Scureba, como era conhecido no basquete de Rio Claro, fez parte do primeiro time que disputou o amistoso contra Cubatão. Ele foi um dos destaques do jogo ao lado de Batiston. Valor do esporte local, era visto sempre jogando no Lago Azul. Jogou no time do Ginástico e chegou ao Estoril de Matão. “Adquiri enorme experiência chegando a excelentes colocações no Campeonato Paulista. Foi uma satisfação muito grande. Consegui levar muito do basquete a outras pessoas e cidades. Rio Claro foi por muitos anos a melhor escolinha de basquete do Estado de São Paulo e do Brasil com grandes técnicos, professores formados e treinadores em sua maioria. Isso fez com que o basquete decolasse atingindo o linear na categoria masculina”, comentou ao JC o hoje comerciante.

Gibi Mendes – “Eu jogava inicialmente futebol, depois encontrei o Scureba no ginásio. Ele me falou da montagem do time. Me contrataram e joguei de 81 a 89. Em 81 recebi como melhor amador. Só alegrias e lembranças de várias conquistas. Amigos que saíram, que chegaram. Sem dúvidas a maior de todas foi a conquista de 87, a gente era ‘azarão’ e ganhamos o título em cima do Monte Líbano, base da Seleção Brasileira. Meu ídolo é o Wilson Renzi, um cara excelente dentro e fora da quadra. Fico muito feliz de ter honrado esta camisa. Muita gratidão a duas pessoas que apostaram no meu basquete: Mané Bortolotti e Narciso Hofling, sem eles nada disso teria acontecido”, comentou o ex-atleta, que hoje é professor de Educação Física.

Ricardo Milito – “Foi um feito muito bonito e uma equipe montada com o intuito de ser campeã. Na época só subia uma. Foi formada de uma forma bem mesclada, com jogadores em várias faixas de idade. O grande técnico foi o Mané Bortolotti. Começaram as contratações e contrataram o principal jogador Wilson Renzi, um dos melhores do Brasil. Tive o prazer de jogar com ele. Eu vim de São Paulo. E deu liga essa equipe, foi muito bem formada. Se o Rio Claro Basquete tem esse renome deve-se ao treinador Mané e o diretor Narciso Hofling, nome que jamais pode ser esquecido. Foi uma honra jogar com o pessoal. A cidade nos acolheu, era apaixonada pelo basquete. Foi o primeiro grande passo para os títulos que Rio Claro conseguiu”, declarou. Milito trabalha há anos no próprio Clube de Campo.

Jorge Pedro – “Foi uma alegria participar da formação desse grupo que teve grande sucesso e colocou Rio Claro no cenário nacional do basquete”, disse Jorge Pedro, ex-atleta da turma de 1981, hoje vice-provedor da Santa Casa de Misericórdia de Rio Claro.

Clube de Campo: celeiro de talentos

O Clube de Campo de Rio Claro segue na ativa para a formação de novos atletas no basquete brasileiro em parceria com o Instituto Garra e a Prefeitura de Rio Claro. No comando está, nada menos, do que Álvaro Pacheco, multicampeão pelo Rio Claro Basquete no ano de 1995. Ao vir para a cidade jogar pelo Leão, o atleta aqui ficou e fez carreira como treinador. E assim segue até os dias de hoje.

No estabelecimento, Pacheco é coordenador e técnico das categorias de base há mais de 10 anos. Por lá, há mais de 100 crianças e adolescentes atendidas na escolinha, masculino e feminino, e nas categorias de Sub-12, Sub-13, Sub-14 e Sub-15 – essas masculinas.

Álvaro Pacheco, coordenador da categoria de base do Clube de Campo (Foto: Filippo Ferrari)

“Acabei fixando residência aqui. Sempre trabalhando com o basquete, vislumbramos oportunidades. Montei a minha escolinha Garra, fiz uma parceria com o Clube de Campo e começamos a trabalhar as categorias de base. Desafogamos um pouco o trabalho no basquete da Prefeitura, e começamos nosso trabalho há 11 anos. Ganhamos muitos torneios. Tivemos dois campeonatos paulistas vitoriosos pelo Sub-12”, comenta.

Peneiras são abertas três vezes ao ano no clube. “Trabalhamos muitos fundamentos com os atletas. Se não tivermos a certeza de muitos jogadores de basquete, ao menos formaremos bons cidadãos, que é essa a ideia de qualquer projeto”, acrescenta Álvaro.

E os frutos também acontecem na família Pacheco. O filho mais velho de Álvaro e da esposa Ana Paula, também ex-atleta, Caio, é atleta da Seleção Brasileira de basquete e atua em time da Espanha. Cauã joga no Pinheiros, um dos principais times do Brasil. Ambos passaram pelo Clube de Campo de Rio Claro.

Conta Simples Rio Claro

O Rio Claro Basquete voltou à ativa em 2005, sob a gerência da Associação Beneficente Cultural Desportiva Bandeirantes, que já havia sido parceira do Clube de Campo na gestão da equipe nas décadas de 80 e 90. Entre paralisações da equipe e retornos, a última ocorreu no ano passado. Em 2025, o Governo Gustavo anunciou a volta do time após dois anos de hiato em parceria com o ABCD Bandeirantes mais uma vez. Houve a disputa do Campeonato Paulista e, mais recentemente, está disputando o NBB com apoio patrocínio máster do Conta Simples.

Foto: Guilherme Figueiredo

HISTÓRIA – LINHA DO TEMPO

Rafael Alves de Oliveira, profissional de Educação Física formado pela Universidade Estadual Paulista “Júlio Mesquita Filho” (Unesp), câmpus de Rio Claro, apresentou seu trabalho de conclusão de curso em 2022 intitulado “Aspectos históricos do basquetebol de Rio Claro em nível de esporte de rendimento”, sob orientação do Prof. Dr. José Roberto Gnecco e coorientador Prof. Me. Mauro Augusto de Sousa Nogueira. O material traz toda a história, apurada junto ao Arquivo Público e Histórico de Rio Claro, com reportagens do Jornal Cidade e imprensa local, sobre o esporte no município. Clique aqui para ler!

Lucas Calore: